segunda-feira, 21 de julho de 2014

ENTREVISTA SOBRE DEPILAÇÃO E OUTRAS IMPOSIÇÕES

Anúncio de cera para depilação: "Seja lembrada". Você, mortinha, não vai querer que as pessoas pensem das suas pernas peludas, né?

Ano passado, uma jornalista de um grande jornal me entrevistou sobre depilação, a partir de um artigo que havia saído no The Guardian. Que eu saiba, o artigo nunca foi publicado. Como tenho pouquíssimos posts sobre depilação, vou deixar a entrevista aqui.
Recentemente, li uma notícia interessante sobre uma professora de Estudos de Gênero na Universidade do Arizona. Na sua disciplina, ela dá pontos a mais a alunas que deixarem de se depilar durante o semestre e registrarem sua experiência num diário. Os alunos também recebem crédito extra se se depilarem do pescoço pra baixo. Parece uma ótima ideia!
Se eu desse aula de Estudos de Gênero (eu mais ou menos dou, mas é curso de extensão; logo, sem avaliação) e não de Proselitismo Comunista I, como apontou ontem um leitor, eu bem que implantaria essa ideia. 
Aqui a entrevista:

- Como você acha que um grupo como esse do Reino Unido, de mulheres contra a depilação, seria recebido e avaliado no Brasil?
Eu: Por grupos alternativos e feministas, o movimento contra a depilação seria bem recebido. Por pessoas mais convencionais, seria recebido a pedradas, porque vai contra um dos símbolos da femininidade, que é a pele sem pelos. Qualquer coisa que vai contra os padrões enfrenta resistência numa sociedade ainda muito tradicional como a nossa.

- Você acha que estamos vivendo uma ditadura dos pelos? Por quê? Pode citar alguns exemplos?
Sim, a imposição de estar sempre sem pelos parece uma ditadura. Como em todos os outros padrões de beleza, não há lugar para a diversidade. Através da mídia, nosso olhar é treinado para aceitar apenas um tipo de axila. 
Algumas décadas atrás,
"ursinho de pelúcia". Hoje,
alvo de gozações
Mesmo entre os homens héteros está começando a haver uma imposição de que peito sem pelo é que é bonito. É só ver como fazem piada com o Tony Ramos. Mas, claro, pra variar, pra mulher é muito pior. 
A imposição para que mulher não tenha pelo nas axilas, embaixo do nariz e nas pernas existe há muito tempo. Mas, na minha adolescência, na primeira metade dos anos 80, era raríssimo mulher depilar a vagina. A gente tirava o excesso, o que ficava pra fora do biquíni, e só. Basta comparar como as modelos e atrizes que posavam nuas pras revistas apareciam na época e hoje. 
Por causa da influência da pornografia, que ficou cada vez mais mainstream, atualmente o que é visto como "normal" é a vagina sem pelos. Os médicos podem dizer que tirar os pelos púbicos é anti-higiênico, porque os pelos protegem, mas, pro senso comum, criou-se a ideia de que pelos é que são anti-higiênicos. 
Tem um filme pouco conhecido de 2007 chamado Towelhead que começa com uma menina de 13 anos depilando a vagina. O motivo é que ela está sendo sofrendo bullying na escola, sendo chamada de Chewbacca (aquela criatura peluda de Guerra nas Estrelas) depois de nadar numa piscina. Hostilizar alguém que está minimamente fora das convenções é impor.

- Por que você acha que as mulheres, desde a adolescência, são ensinadas a pensar que é melhor retirar todos os pelos para serem femininas? O que pensa a respeito?
Tem o lado capitalista: depilação é uma indústria de bilhões de reais. Somos ensinadas desde cedo de que muito do que é natural nos nossos corpos é feio, sujo e indesejado. Precisamos consumir sempre, e cada vez mais cedo, para tentar alcançar um padrão que é sempre inalcançável. 
Hoje existem spas para meninas de 8 anos, meninas que obviamente não têm pelos nem linhas de expressão, mas já recebem tratamento "preventivo". E, claro, já recebem a lição de que ter pelos ou rugas é horrível e moralmente errado, praticamente um desvio de caráter. 
Além do lado mercadológico, existe também a suspeita de que é mais fácil dominar quem tem a autoestima baixa. Nós mulheres temos a autoestima baixa porque sabemos que não nos parecemos com as 500 imagens que vemos por dia na mídia. E, ao mesmo tempo, somos ensinadas que nossa maior qualidade deve ser a beleza física. É difícil fugir. 
Cartaz Marcha das Vadias Cuiabá 2014
O padrão único de beleza, no qual a ausência total de pelos está inserida, não impõe apenas que ser magra e ter cabelo liso e não ter pelos é o que é bonito. Esse padrão também nos diz que qualquer coisa que escape disso é suja e moralmente condenável. 
Anúncio de creme para
depilação: pelo ou cabelo?
E as pessoas acreditam: ter pelos não é só considerado anti-estético, mas também anti-higiênico. Ser gorda não é só ser feia, é também ser doente e descontrolada. Não estar dentro do padrão de beleza é por em dúvida a nossa femininidade. E, querendo ou não, o gênero é algo que nos define desde que nascemos. Portanto, se você é mulher e não se depila, muita gente não te considerá feminina e nem hétero, e fará um enorme patrulhamento pra te levar ao "bom caminho".

- Você acredita que o preconceito contra pelos é maior por parte dos homens ou das próprias mulheres?
Liberdade e independência para
mulheres é... não ter pelos
Não sei. Nós mulheres somos grandes patrulhadoras umas das outras. Muitas de nós validamos o machismo ao dizer coisas incrivelmente ofensivas que jamais diríamos a um homem. Então certamente há um grande preconceito das próprias mulheres em relação aos pelos. Mas tenho visto muitos homens jovens chamando de "nojentas" mulheres com pelos púbicos. O padrão de mulher sem pelo nenhum vem da mesma sociedade, e a mensagem é recebida por homens e mulheres. O preconceito é geral. Creio que é mais comum entre os jovens.

- Você mesma tem o costume de se depilar com frequência? Como são seus hábitos?
Cartaz da Marcha das Vadias de 2013
de BH: "Se amar meus pelos é ser
vadia então eu sou vadia"
Tive a "sorte" de nunca ser muito peluda, então nunca fiz buço ou modelei a sobrancelha. Meus pelos demoram pra crescer e não são tão visíveis. Mas durante vários anos eu fiz depilação com cera nas axilas e na metade da perna. Eu detestava, porque doía muito. Depois de uma sessão especialmente dolorosa com uma vizinha, decidi que não queria mais passar por essa tortura medieval. Isso já tem uns quinze anos. 
De lá pra cá, só me depilo com gilete. Não é nenhuma perfeição, e minhas axilas não são claras e lisinhas como as de comerciais de desodorante, mas pelo menos não dói nem custa nada. Agora, nos pelos púbicos, é só uma aparada com tesoura muito de vez em quando. Afinal, sou da geração em que ver a Claudia Ohana nua na Playboy não causava tanta estranheza.
Anúncio de creme para depilação mostra pelos púbicos como mata a ser desbravada

P.S.: Por coincidência, na mesma data em que fiz este post, o Terra publicou um artigo dizendo que a depilação de pelos púbicos pode aumentar o risco de doenças sexualmente transmissíveis. O lado positivo é que a depilação erradica os piolhos púbicos, os chamados chatos. Ok, eu podia viver melhor sem lembrar de piolhos nos pelos humanos (inclua aí barba, bigode e até cilios).

domingo, 20 de julho de 2014

"E VOCÊS MENINAS, COMO PAQUERAM OS HOMENS?"

Assim. E como funciona! (mas pergunte-se: funciona pra quê?)

O post sobre cantadas foi um show de recalque de mascutrolls que obviamente não acreditam que a maior parte de mulheres detesta grosserias
Um deles perguntou nos comentários: "E vcs meninas, como paqueram os homens? Mas quando digo paquerar, digo tomar a iniciativa, e não ficar fazendo pose, como se fosse a bola de ouro da FIFA, esperando que ele tome a iniciativa, pelo 'maravilhoso premio que é vc'".
Duas moças responderam usando fina ironia que mascus, com sua inteligência limitada, não vão entender. Vamos aguardar os gritos de "misandria!" e "incitação ao crime".
Fabi: "Já que quer saber como eu paquero os homens, vou te falar. 
"Primeiro eu escolho um cara na balada com roupas de grife, que tenha atitude e liderança. Daí seguro ele pelos cabelos enquanto ele estiver passando, coloco minha mão entre as pernas dele e digo 'Vou te chupar todinho'. Se ele me afastar ou me olhar com cara de prêmio bola de ouro Fifa, torço o braço dele até quebrar ou dou um murro no nariz dele, afinal: como ele pode me desprezar?"
Ira ou Nia: "Não sei as outras, mas eu brado 'AÊ, GOSTOSO' e meto a mão na bundana dele, se ele ousar repudiar minha atitude, delicadamente o ameaço com minha peixeira, enquanto afirmo: 'Vai mesmo regular mixaria? Tá se achando, hein, guri?'. Nunca obtive sucesso; talvez alguns homens prefiram ser tratados como gente. Natural, afinal quem os entende? C* doce, no fundo eles gostam de abusos, né? Obs.: Tive a sorte de encontrar bons professores."

sábado, 19 de julho de 2014

GUEST POST: A COPA DA ALEMANHA E A NOSSA SÍNDROME DE POCAHONTAS

A queridíssima Angélica, que já contribuiu com outros guest posts, ataca outra vez. Ela é advogada e mestranda:

Querida Lola, sei que há muito não te escrevo, apesar de acompanhar ferrenhamente o blog. Me lembro que a última vez que conversamos eu estava muito infeliz em um emprego machista, como advogada em um empreendimento de engenharia, que vinha me consumindo a saúde e me opacificando o espírito. 
A vida melhorou muito em um ano: pedi demissão daquele emprego horrendo em junho de 2013, apliquei para um mestrado com bolsa na universidade de Westminster em Londres, fiquei seis meses por conta dessa meta e fui agraciada com esse prêmio raríssimo (minha bolsa é 100% financiada pelo governo do Reino Unido) de ter todas as despesas pagas para fazer um mestrado em direito comercial internacional. Assim, moro em Londres desde janeiro deste ano, o que tem sido uma experiência fenomenal.
Mas hoje te escrevo para falar de... Copa! Imagino que esse assunto tenha sido exaurido nas últimas semanas, mas algo que me chama muita atenção na enxaqueca pós-Copa é esse discurso de que a Alemanha é o melhor país do mundo e como nós, apenas reles brasileiros, devemos aprender com essa lição de cortesia e civilidade alemã.
Acredito que o povo brasileiro recebeu muito bem todos os países visitantes e, na maior parte das vezes, tratou muito bem os turistas. Quando eu sou visita e sou bem tratada, imediatamente eu trato os anfitriões, no mínimo, tão bem quanto. Os alemães foram uma graça, mas isso tomou uma proporção tal que, de repente, após a fatídica derrota, a grande Alemanha veio ao Brasil ensinar educação, respeito, futebol, carisma, fraternidade, esperança, misericórdia. 
De repente tinha até um hotel em Santa Cruz Cabrália que foi construído especialmente para a delegação alemã e que tinha gerado mais empregos que o PAC, e seria doado para a comunidade. De repente tudo que precisávamos ser como nação era ser alemã.
Hoje li que o tal resort é um empreendimento imobiliário que será vendido após a temporada dos eventos no Brasil. Me perturbou como é possível detectar traços do colonizador dentro do sutil e refinado papel de investidor: na própria definição de investimento estrangeiro, é imprescindível que o lucro volte para o país investidor. O país que recebe o investimento também ganha, afinal, é um contrato, mas precisa tanto de investidores que permite uma série de vantagens e exceções para atraí-los (esse é o tema do meu mestrado, by the way).
"Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente".
Assim que a negação do hoax sobre o hotel doado à comunidade veio à tona, espalhou-se uma nova notícia, sempre mantendo os alemães como superiores aos brasileiros. Agora era que um jogador alemão, Mesut Ozil, havia doado o bônus que recebeu para financiar cirurgias de 23 crianças brasileiras. 
Eu não tenho nada contra a Alemanha, nem contra nenhuma nação. Moro no exterior, mas nunca achei que "aqui é muito melhor que o Brasil". Até acho que o Brasil é infinitas vezes melhor em vários aspectos. Um deles é a nossa paixão pelo estrangeiro, nossa admiração por aquilo que "não temos no nosso país", o que conforta qualquer visitante. Isso é raríssimo de encontrar em países europeus.
Aí os alemães constroem um empreendimento imobiliário com fins lucrativos, jogam bola com os indígenas de Santa Cruz Cabrália e, como disse minha sábia mãe, trocam uns espelhos com os brasileiros.
Não me aguento, me indigno e me pergunto até quando seremos essa Pocahontas, bela, passional, sensual, imagem feminina seminua no carnaval (oprimida, classista, sofredora, incompetente), apaixonada por John Smith, o príncipe loiro colonizador, que faz tudo melhor que a gente?
Acredito que dar amor é maravilhoso, devemos amar os alemães e todo o resto.  Mas... Somos um povo tão lindo e amoroso que chegamos a nos embriagar dessa ficção de "tem um povo melhor no estrangeiro". Arrisco dizer que não deve haver povo mais amoroso que o brasileiro. Nem mais iludido. 
Nossa classe média sofre porque a passagem pra Miami tá cara, mas só lá que é possível comprar panelas Tramontina baratas, um tanto de muamba, enxoval para bebê. Classe média brasileira, cabeça coxinha, aspirante à burguesia -– “quer ser sócia do Country, quer ir a New York fazer compras”. Não consegue admirar a revolução social do país nos últimos anos, não consegue identificar que essa presença brasileira na cena internacional deve-se muito mais a uma ascensão de caráter social, não econômico. 
Não adianta ter dinheiro pra comprar muamba em Miami e falar pra todo mundo que fez o enxoval do bebê nos Estados Unidos. Isso não faz do nosso povo menos iludido com os espelhos do colonizador. Há muito mais para a nossa nação do que vangloriar John Smith. Temos riquezas maiores do que esses wannabe americans, com essa raiva de pobre, de povo, de mistura. De considerar que quem tem classe é estrangeiro, que a nossa “gentalha” brasileira não sabe se portar.
Mesmo com tanta notícia sobre os brasileiros terem sido excelentes anfitriões, com problemas aqui e ali, mas muito elogiados, só conseguimos exaltar o exemplo alemão. O Brasil vem crescendo de forma estrutural, com a criação e o fomento de políticas públicas, com a necessidade de incluir a maior parte de brasileiros num contexto pensante. Mas ainda há quem se iluda com espelhos e colares, que tira foto do colega de chinelo no aeroporto e xinga muito no twitter.
É feio observar essa síndrome de realeza que valoriza "um povo que tem educação", quando na verdade a valorização é porque esse povo é rico, branco e mora na gringa.
Todo mundo divulgando "Alemanha, isso sim é exemplo de país", por conta de um empreendimento imobiliário.
A Alemanha é uma grande nação, bem como o Brasil. Esse complexo de viralata não consegue exaltar como exemplo de país tirar o povo da miséria e dar condições para que todos cozinhem com os mesmos ingredientes. Exemplo de povo é aquele que sabe reconhecer que, quanto mais gente entrar no time das pessoas que têm voz, mais poderemos nos erguer a longo prazo.
"Quem me dera, ao menos uma vez, ter de volta todo o ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que eu não tinha."

sexta-feira, 18 de julho de 2014

COMO MASCUS SÃO LITERALMENTE ESQUARTEJADOS

Relato de um mascu, tirado de um fórum mascu e quase sem edição (cortei alguns pedaços porque o cara se repete, é interminável).

"Leia, pode salvar uma vida como a minha.
Meu relato, foi escrito para ajudar homens que como eu, estão ou entrarão em DEPRESSÃO PROFUNDA, DESCONTROLE DO PENSAMENTO, ABANDONO DO SERVIÇO E PENSAMENTOS NEGATIVOS, por causa de uma mulher a quem ele se dedica integralmente, esquece de si, e deixa de fazer o que gosta, deixa de comprar o que gosta, para comprar e agradar a sua 'amada', e depois se vê sendo vítima de um estelionato emocional, na mão de uma espertinha ingrata. Pois vocês podem crer, que muitos homens de todas as idades, classe social, nível de conhecimento, estão passando ou ainda irão passar por isso, coisa que não desejo a ninguém. E trata-se de um sentimento tão profundo, que beira a loucura, (por isso que muitos cometem desatinos).
ME APRESENTANDO
Bom, tenho 38 anos, cresci em uma família de classe media/baixa, mas que me foi ensinado que todo homem deve ser trabalhador, TER PALAVRA (coisa que mulher não tem), ser honesto e agir coerentemente.
Concluí o ensino médio, servi ao Exército, e consegui me formar em Filosofia a muito custo. Tive alguns relacionamentos (não muitos, pois gostava de ficar muito tempo só com uma pessoa, e não gostava de ficar pulando de galho em galho) e paralelamente, peguetes, pois vocês sabem, que não resistimos a tentação, e quando vemos uma gatinha por aí, não perdoamos. Mas nem a formação filosófica, nem a divisão da atenção para 2 mulheres, me salvou desse pesadelo, que se chama mulher espertinha. 
NA MESMA GALHA EM QUE SE DÁ O FRUTO, SE DÁ O ESPINHO
O que relatarei pra vocês, ocorreu em agosto de 2013, aqui em Brasília. 
Sempre tive namoradas na faixa etária de 26 a 29 anos, e de vez em quando, eu ralava nas mãos delas (diminuíam a energia do relacionamento. No começo do relacionamento, era aquele mar de rosas de sempre, me ligavam muito, me davam muita atenção, e depois que eu estava bem preso emocionalmente, iam diminuindo a intensidade, me pressionavam para assumir casamento, morar junto, coisas que eu saía fora, claro), mas nada comparado ao que vou relatar....
Conheci uma novinha, (19/20 anos) na sala de bate papo da internet. Conversa vai, conversa vem, marcamos de nos encontrar. O encontro foi em um shopping daqui, e tudo correu bem no primeiro encontro, gostei dela, era bonita, bom papo, magra, altura média, morena clara, tudo em cima, seios furando a blusa, pernas torneadas, aquele rostinho pequeno 'angelical' (nota 7,0)... 
No segundo encontro, já foi logo motel. Ela, muito gostosa, e toda durinha, fiquei muito empolgado, e na cama foi muito bom (mas não era virgem, novidade...) Aí, foi passando o tempo, nos encontrando, conhecendo as colegas dela,s irmãs, a mãe não conheci pois mora no interior, longe daqui... 
Após, 1 ano de alegria, começou algo que eu não imaginava. Do 'nada' a mulher começou a diminuir as ligações para mim, eu ia percebendo, mas fiquei na minha.... Liguei pra ela, e marcamos de passear como de costume. Ao entrar no meu carro, e indo para o local em que iríamos jogar sinuca, já senti ela muito agressiva comigo, descontente, e opaca, sem motivos, pois eu não tinha feito nada contra ela. Ao descer do carro, ela não quis pegar na minha mão(ela sempre andava de mãos dadas comigo), e eu só vendo e sentindo aquilo... 
Então começamos a jogar sinuca, eu no maior amor, atenção, querendo reconquista-la e tal, forçando a barra, e ela nem aí, parecia que estava em outro mundo. Entramos no carro e eu estava levando ela para a casa dela, e ela quase não falava nada, e tudo tava ruim pra ela, e eu só me esforçando em conversar... Aquilo já estava me matando por dentro. Ao chegar na casa dela, fomos pra cama e na hora de transar, ela falou que não podia, pois estava menstruada(desconfiei), mas deixei quieto, não queria piorar tudo, então não forcei nada... Mas eu tava sentindo que o que estava acontecendo, não estava normal, pois ela não era assim, rude, negando sexo, distante.
A cada dia, a coisa só piorava. Só eu ligava, ela seca comigo, e eu forçando a barra, fazendo de conta que nada estava acontecendo, dando uma de mané. Foi então que pensei comigo mesmo: Não vou ficar só eu ligando e ficar forçando a barra, não vou mais ligar pra ela e não liguei mesmo.
Então, amigos, a mulher ficou uma semana sem me ligar... e eu na minha só vendo de qual era. Ficou duas semanas, até a terceira semana. Nesse período, já estava me sentindo mal por dentro, ansioso, CULPADO, cansado, sem atenção a nada, e me perguntando, onde errei? Foi então que não aguentei e liguei para ela, e ela não me atendeu. Liguei, 1 vez, duas vezes, três, 30 e nada.... Aí que aumentou o meu sentimento de culpa, de ser mais atencioso, mais presente e assim, eu fiquei todo desesperado, não conseguia me controlar, e ficava pensando o que ela estava fazendo, onde estava e pq não me retornava. 
Será que ela estava com o celular quebrado? Será que tá muito ocupada no serviço, será isso, será aquilo? Só após uns 8 dias de insistentes ligações minhas, ela me mandou uma msg no celular, dizendo assim: 'Não atendi seu telefone, pq não tinha coragem de te falar. Não tenho coragem de falar que está tudo acabado entre nós, foi muito bom te conhecer, seja feliz, siga seu caminho , que seguirei o meuuuu'.
Ai amigos, quando li isso quase fiquei louco, chorei, não conseguia me alimentar, no meu serviço andava cabisbaixo, numa deprê super profunda (o cara não consegue racionalizar. O sentimento, é superior a ele, quem passou por isso sabe). Ficava pensando, o que fiz? Pq ela me abandonou? Poxa eu deveria ter feito mais coisas por ela, deveria ter comprado aquele sapato de R$ 300,00 que ela jogou indireta, (e eu usando meu sapato de R$ 50,00) e essas manginices todas. 
AINDA FALTAVA A FACADA FINAL NOS MEUS SENTIMENTOS...
Como ela não atendia minhas ligações e tão pouco minhas mensagens, resolvi, então, passar de carro em frente a loja dela, de modo que eu a visse e ela não me visse. E qual não foi a minha surpresa, ao vê-la no serviço, sentada, conversando com um cara, pensei, TALVEZ seja só um amigo da loja ao lado, e blá, blá, blá... 
Então parei num bar bem longe, e fiquei por lá tomando umas cervas por 2 horas, para dar um tempo bom, e eu voltar lá e ver se o cara já tinha saído... 
Então passei de novo na frente da loja, e lá estavam eles, continuando a conversa. Então pensei, caraca essa safada, fdp tá é com outro (eu pressentia isso mas não queria acreditar). Já tem mais de duas horas que eles estão conversando, isso não existe, quem é que fica no serviço conversando mais de duas horas? Então pensei comigo mesmo: poxa, eu tava tão de boa com ela, não fiquei com nenhuma peguete no período que eu tava com ela, e essa safada fez isso comigo. Como me arrependi de não ter outra em paralelo. Não façam isso, se possível tenham sempre uma peguete por fora. 
Amigos, ao ver aquela cena, aí que sucumbi mais ainda, já me sentia péssimo, piorei mais. Não conseguia pensar em nada, chorei, tranquei a academia, pois não tinha energia pra nada,(parece que fui sulgado por uma vampira) emagreci 15 kg, fiquei totalmente lascado emocionalmente, não tenho vergonha de falar isso.
Foi então que entrei na internet, e pesquisando sobre casos de caras bonzinhos como eu, e que estavam levando fumo com sua bondade e confiança nas mulheres, descobri este site maravilhoso, em que havia relatos idênticos ao meu, e os confrades dando conselhos e incentivando a se instruir, lendo material da REAL. 
Comecei meus estudos da REAL, lendo N.A( me tranquei no quarto e em 3 semanas, li TODOS os livros dele). Continuando meus estudos, parti para Esther Vilar. O livro dela me deu algumas novas percepções do mundo feminino, pois ela transmite mensagens que eu nunca parei para pensar, exemplo: o homem é visto pela mulher, apenas como um ser provedor MATERIAL. Ou seja, ela não SENTE amor, o vê apenas como alguém que a provem materialmente, não existe amor como existe no homem em relação à mulher. Se aparecer outro macho que a supra materialmente melhor que você, você certamente será trocado. 
Juntando essas leituras, e lendo os conselhos que os confrades davam aos novatos, fui me fortalecendo e saindo da matrix (imposta a nós desde a infância: seja bonzinho, trabalhe e encha ela de presentes, a paparique, se humilhe, ande de pé e dê um carro pra ela, etc), e hoje já me sinto saindo da matrix, e ficando de antena em pé com essas espertinhas. Estou aprendendo a perder o apego, (que é o que realmente nos destrói), o ciúme, e o desejo de ser reconhecido por elas(grande besteira).
Foi uma reconstrução difícil do meu ser, pois quebrou vários dogmas dentro de mim. Agora, estou cético. Eu tinha a ilusão de ser platônico e romântico, carinhoso, escrevedor de cartas de amor, humilhações, forçação de barra, essas coisas manginas. Vi, que você ser assim, você vai ser literalmente esquartejado nesta sociedade feminina, na qual a que se você ver sua esposa beijando outro na tua frente, você vai se separar dela e ela levará metade de seu patrimônio, mais uma pensão, não há dó nem piedade, você é que se vire com suas dores sentimentais e problemas financeiros por causa delas."

Meu comentário: Não é incrível? No fórum, os comentários de sempre: "relato foda, cara", "mulher hoje em dia só derruba o cara", "a real salva mais vidas que o SUS", "parecido com o que aconteceu comigo, mas sua situação pareceu bem mais pesada", "mulher que faz sexo casual é imprestável para relacionamento sério", "um dos melhores relatos que vi por aqui", "as trate da forma como deve ser, eternas crianças mimadas, que devem ser controladas e terem limites". 
Aí você pensa: what the duck?! O que esses caras andam fumando? Quantas pessoas no mundo sofreram alguma desilusão amorosa? Ou melhor, quantas não sofreram? É a coisa mais comum do mundo um relacionamento esfriar, a pessoa se cansar, o casal ter percepções diferentes sobre o relacionamento, a pessoa conhecer outra pessoa... Arrisco dizer que todo mundo que já teve relacionamentos teve um coração partido. Isso não é exclusividade alguma dos homens hétero! Desculpaí, cara, mas você não é especial!
Agora, uma coisa que não tem em fóruns e páginas mascus é homem bonzinho. É tipo Elliot Rodger, o assassino na Califórnia: o cara se acha super bonzinho e não consegue entender como as mulheres não o querem. Ele acha que, sendo tão maravilhoso, deveria ter acesso a todas as mulheres que quisesse. Daí se deprime ao notar que o mundo não funciona assim, que mulheres têm tanto direito de escolher seus ou suas parceirxs quanto os homens têm de escolher os seus/as suas. E nós mulheres é que somos crianças mimadas!
Se o cara já tinha uma quedinha pra misoginia, sua conclusão será de que o problema não está com ele, e sim com elas. Aquelas vadias! Que nunca me deram bola, ou que me deram bola e me trocaram por outro!
Vamos ver o grande pecado que esta "espertinha" (que é como Nessahan passou a se referir às mulheres, após aposentar o termo "vadia"; mascus, no entanto, preferem "vadias") cometeu, fora se relacionar com o sujeito. Sexo no segundo encontro? Ué, me deu a impressão que ele também queria... Por que ela é vadia e "imprestável para relacionamento", se ela quis exatamente a mesma coisa que ele?
Daí eles tiveram um "ano de alegria" (segundo ele; a versão dela pode ser bem diferente), pelo jeito sem muito compromisso -- o que é totalmente compreensível, já que ela tinha 19 anos (ele, o dobro da idade), e na idade dela, bem pouca gente pensa em relacionamento sério, muito menos em casar -- e ele definitivamente não queria casar, certo? Então, por qualquer motivo (que pode inclusive ter pouco a ver com ele, e mais com a vida dela na época; afinal, assim como a vida dele não girava -- ou não deveria girar -- em torno da dela, a dela não girava em torno da dele), ela se cansa. Para de ligar. Não demonstra entusiasmo. 
Ahn, não precisa ser vidente pra saber que isso é um sinal que, de repente, a pessoa não quer mais um relacionamento contigo. Mesmo assim, nosso mascu liga, insiste, sai com ela, ainda tenta sexo (!), apesar de todo o clima nada propício. Em vez de "forçar a barra" (termo que ele repete inúmeras vezes), que tal perguntar, como parte madura do casal (37 anos nas costas!): "Amor, tem alguma coisa errada? Por que você está brava comigo? Aconteceu alguma coisa?"?
Mas não, o cara fica três semanas sem ligar. E ela também. Olha só, sem qualquer poder paranormal, eu poderia dizer que c'est fini. É um outro sinal, sabe? Três semanas sem te ligar! Na cabeça dela, ela acha que um cara maduro de 37 anos vai conseguir decifrar que acabou. E que ele irá atrás da próxima namorada ou peguete, já que a fila anda. E anda pra ela também. 
Mas ele precisa da confirmação. Então ele deixa dezenas de ligações e mensagens em uma semana. Olha só, outro sinal: ela não quis atender. Mas, até que enfim, ela atende, e diz claramente: "Acabou, foi bom te conhecer, siga seu caminho". Tudo bom, o mascu já devia ter se dado conta disso, mas agora ele sabe. Ela foi educada e tal, mas falou na cara: acabou. E o que ele deveria fazer? Ué, partir pra próxima. Curtir um pouco a dor de cotovelo (sendo que ele em nenhum momento se mostrou apaixonado por ela), sentir saudades, e pronto. Seguir a vida.
O que o cara faz? Sente-se culpado. Imagina, no seu jeitinho machista de pensar, que se ele tivesse comprado (mais) coisas pra ela, ela nunca o abandonaria. E vai espioná-la. Aí vê a menina conversando com um sujeito no trabalho, e tem a certeza: ela o traiu! Sendo que, pra ela, o relacionamento já havia terminado há no mínimo um mês. E óbvio ululante que uma mulher não pode conversar duas horas seguidas com um cara no trabalho sem que haja sexo envolvido!
Mas, e se houvesse? Ele não recomenda aos "confrades" que, mesmo que estejam num relacionamento mais sério como namoro (e nunca fica claro que o que ele tinha com a menina era isso), devem sempre ter uma "peguete"? Bom, quem sabe ela também tinha um? Por que poderia pro cara, e não pra ela? 
E a vida dele desaba. Ele entra em depressão, para tudo, mas vai pesquisar na internet sobre "homens bonzinhos" como ele, e encontra os mascus. Acho que não preciso falar nada sobre a síndrome do cara legal que esses homens têm e como vão parar em grupos misóginos, porque um vídeo já resumiu tudo em 40 segundos.

No masculinismo, o cara que já era um conservador machista antes tem a chance de ver suas ideias misóginas de uma forma mais organizada, pseudo-científica. Lá ele "aprende" que o que ele sempre suspeitara -- que mulher é tudo um bando de vadia interesseira mesmo -- era verdade! Que só homem ama mulher, mas mulher não ama homem. E o antídoto pra isso? Homem deixar de amar mulheres! Agora, ele vai apenas "usá-las"! 
Porém, só essa mudança de mentalidade (que de mudança não tem nada; afinal, antes do término tão traumático com a novinha, ele traía as namoradas com peguetes, porque, homem honrado que sempre foi, não resistia à tentação. Antes do término, as namoradas o "pressionavam" para morar junto, e ele fugia -- ele já era bem desapegado) não basta. Tem que vir com todo um discurso misógino que repita 134 vezes por dia que mulher não presta. Fóruns e páginas mascus são apenas isso: a repetição de que todas as mulheres, sem exceção, são vampiras que querem sugar tudo dos homens, e que homem que é homem não deve "premiá-las" com relacionamento sério. 
Isso logicamente cria uma contradição enorme pra esses caras que sempre foram conservadores de extrema direita. Porque, ao mesmo tempo que eles acusam as feministas (sem dúvida a novinha não teria terminado com ele se não fossem as malditas feminazis; aliás, sem o feminismo, essa vagabunda nem estaria em chats da internet pegando homem!) de destruir a família, eles são adeptos do "marriage strike" (greve de casamento, mais um conceito que os mascus brazucas copiaram dos americanos). 
Ou seja, se os homens se recusarem a casar, as mulheres ficarão desesperadas e entrarão nos eixos. E poderemos todos voltar alegremente pros anos 1950.
(Só queria dizer que a única coisa que concordo com os mascus é quanto a greve de casamento. Dou a maior força. Mascus, continuem assim: não casem, não se reproduzam, nem se relacionem!).
Muitos homens têm problemas reais e importantes. Só que mascus não estão interessados nesses homens, nem nesses problemas. Pra um mascu, o único problema no mundo é ou não conseguir conquistar nenhuma mulher (nenhuma não, porque mascu quer mulher pra exibir pros outros homens, então tem que ser o que eles chamam de top), ou ser trocado por outro. Pra eles, isso é ser "literalmente esquartejado", como escreveu o rapaz.
Vendo esse chorume mascu, é inevitável pensar na frase da escritora canadense Margaret Atwood: "Homens têm medo que mulheres riam deles. Mulheres têm medo que homens as matem".