sábado, 8 de março de 2008

TODA MULHER TEM UMA HISTÓRIA DE HORROR PRA CONTAR

Como hoje é Dia Internacional da Mulher e o que mais se ouve nesse dia é que, além do feminismo não ter mais razão de ser, as mulheres não precisam de um dia só pra elas, vale a pena refletir um tiquinho sobre os nossos direitos tão iguais. Não faz muito tempo que percebi, numa conversa informal com um grupo de moças, que todas haviam passado por no mínimo uma ocasião em suas vidas em que foram seriamente ameaçadas, espancadas, ou que conseguiram fugir de um estupro. Sério. Eram seis mulheres, de origens e idades distintas, e todas, sem exceção, tinham uma história de horror pra contar. Fiquei pensando nas minhas amigas e conhecidas e notei que isso se aplicava a elas também. Ou seja, não conheço mulher sem um histórico de violência ou, com sorte, de risco de violência. Se você é homem, não tem muita idéia do que é isso. Pros homens, o medo é de ser assaltado ou morto. Pras mulheres, tem isso também, mas há o medo do estupro, que é constante. Homem só tem medo de ser estuprado se for preso. Mulher tem medo de ser estuprada ao sair de casa. É uma diferença considerável. Mas vou contar as minhas histórias de horror. Nenhuma é tão terrível, porque tive a sorte de sempre conseguir escapar.
Quando eu tinha 12 ou 13 ou 14 anos, estava na Praia dos Ossos, em Búzios, a um quarteirão da casa que minha família alugava para passar as férias. Havia uma pousada que se transformava em boate à noite, e às vezes em cinema. Era lá que eu estava, pronta pra ver algum filme, quando uma moça simpática se aproximou de mim e começou uma conversa estranha. Lá pelas tantas, falou de um senhor, muito rico, muito educado, um doce de pessoa, que adoraria me conhecer. Ela apontou pra ele, e lá estava um velho horroroso do outro lado, me dando tchauzinho. Ela continuou dizendo que, se eu saísse com ele, ele poderia me dar coisas muito legais, como carro, dinheiro, apartamento - como ele havia feito tão generosamente com ela. Não lembro o que respondi, fora ter recusado, óbvio. Mas pouco depois fui pra casa e, chegando lá, narrei o convite pro meu pai, sem dar muita importância. Foi a reação dele que me fez notar, provavelmente pela primeira vez na vida, que meninas correm perigo. Furioso, ele saiu na hora pra procurar o casal, mas não o encontrou. Quantas garotas acabam aceitando um convite desses?
Um tempão depois, quando eu já tinha 20 e poucos anos e morava em SP e era voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida, um serviço que conversa com suicidas em potencial), saí do meu plantão livre, leve e solta, sentindo-me bem, acreditando na bondade humana. Era um domingo de sol, nem duas da tarde. Enquanto esperava pelo ônibus (nunca me atrevi a dirigir em SP), um cara parou seu carro e me ofereceu carona. E eu, ingênua, por estar tão feliz e crente na humanidade, aceitei e entrei. Rapidamente o indivíduo veio com indiretas e gracinhas. Eu me mantive calma e até disse pra ele algo como “Tenho certeza que você não é um psicopata, e que vai fazer exatamente o que se ofereceu pra fazer, que é me levar até a minha casa”. O cara provavelmente achou que eu era louca demais pra se tentar alguma coisa. E me deixou em casa.
Algo parecido aconteceu em Fortaleza, mais ou menos na mesma época. Passei um mês no Nordeste trabalhando feito uma máquina pro Ibope, entrevistando donas de casa pra um projeto gigantesco da Nestlé. Acho que tivemos três dias de folga naquele mês. Era de domingo a domingo mesmo. Enfim, numa dessas raríssimas folgas, fui com uma colega a um bar. Lá conheci três rapazes aparentemente boa gente, universitários, classe média. Não lembro o que aconteceu com a minha colega (ela deve ter saído com alguém), mas já tava meio tarde, eu estava cansada e tinha que trabalhar cedo no dia seguinte, e quando esses rapazes me ofereceram carona até o meu hotel, aceitei. A conversa até então não tinha tido a menor conotação sexual. Eu não tava flertando com eles, nem eles comigo. E eu precisava de uma carona. Bom, qual não é minha surpresa quando o carro, com os três rapazes e eu, pára na garagem do prédio de um deles. E eles querem que eu suba pra beber alguma coisa, porque a noite é uma criança e tal. Eu não bebo. Eles deviam ter percebido isso quando viram que eu era a única alma tomando água num bar. Não tinha o menor interesse em nenhum deles, muito menos nos três, e, até aquele momento, eu pensava que isso era recíproco. Não. Eu expliquei que precisava chegar ao meu hotel logo. Eles não gostaram da recusa. Ainda tentaram inventar que era só pra gente subir rapidinho, porque um deles havia esquecido algo lá. Eu acho que consegui ser gentil mas firme quando avisei que não iria subir, e que se eles não me levassem ao hotel naquele momento, eu teria que sair do carro e arranjar outra forma de ir embora. Eles se olharam entre si, pesaram a situação, viram que eu não ia subir por bem, e me levaram pro hotel. Zangados ainda! (depois dessa, nunca mais peguei carona sozinha).
A pior situação foi em SP. Eu tinha 19 ou 20 anos. Queria muito ver o épico do Sergio Leone, “Era uma Vez na América”, que tava passando em algum cinema do centro (na época, finalzinho da década de 80, ainda havia salas fora dos shoppings). Mas nenhum amigo(a) quis ir comigo ver um filme de quatro horas no meio da semana. Então fui sozinha. Nenhum grande problema durante a sessão, tirando o fato que alguns homens não podem ver uma moça sozinha sem achar que ela está disponível. Tive de mudar de lugar três vezes, porque algum energúmeno sentava-se ao meu lado e começava a puxar conversa – durante o filme! Porque obviamente eu fui ao cinema ver um filme meio de arte de quatro horas pra catar homem! Três vezes, três energúmenos, até que desistiram e me deixaram ver o filme em paz. Terminada a sessão, peguei um ônibus, fui pra casa. Eu morava no bairro chique de Higienópolis. Era perto da meia noite e não havia ninguém na Av. Angélica. Desci do ônibus e, quando estava a alguns passos da entrada do meu prédio, um cara me agarrou por trás. Não vi o rosto dele nem de onde ele veio. Só sei que eu caí, e meus óculos caíram longe. Antes de dar tempo de pensar, eu me levantei e fui com meus punhos pra cima dele, muito, muito revoltada. Acho que o tarado não esperava essa reação, porque ele saiu correndo, e eu atrás dele, gritando e xingando. Voltei, peguei meus óculos, subi, liguei pra polícia. Meu amado papi ainda desceu pra ver se o pegava. Nada.
Houve alguns outros momentos delicados, mas não muito significativos, que só acontecem com a gente por ser o sexo dominado. O incrível é que eu não sou exceção. Sou a regra. Ah sim, quase esqueci: Feliz Dia Internacional da Mulher.

44 comentários:

Anônimo disse...

Excelente Lola! Temos que por mesmo a boca no mundo, contar e denunciar para poder mudar esta realidade injusta e criminosa, e alertar meninas e moças. O bom é que seu pai não a impediu de buscar suas conquistas. Trancar as filhas mulheres, coisa que muitos pais preferem, é legitimar a supremacia (leia-se direito de abuso) de homens (e mulheres a serviço deles) que não desenvolveram em si a verdadeira ética da cidadania. Continuamos na idade da pedra - uma paulada na cabeça do ser mais frágil e arrastá-lo para o canibalismo.Escapei por pouco, de algumas tambem!Abraço da Fatima.

Anne disse...

O mais triste é que eu tenho histórias parecidas, e olhe que nem pegar carona eu peguei na vida. Situações semelhantes também aconteceram minha irmã, aqui em Curitiba,num bairro calmo. Numa das vezes chegamos a registrar um Boletim de Ocorrência de tão revoltadas que ficamos. Aconteceu com minha irmã: ela esperava uma amiga na esquina de casa para irem juntas para faculdade. Umas 7:15 da manhã, um "cidadão" passava de carro todos os dias e buzinava, ela nem olhava. Num determinado dia, ele foi de bicicleta e abaixou a calça. Ela voltou correndo para casa. Um absurdo isso!

Andie disse...

Uma historia triste mas, infelizmente, real. Eu tambem tenho umas historias de "quase" ataque, uma bem parecia com a sua e os tres garotos. Um menino que eu estava ficando ofereceu pra me levar em casa (eu e tres outras pessoas), e deixou todo mundo antes de mim (apesar da minha casa ser mais perto) e teve a cara de pau de dirigir pra dentro de um motel sem me perguntar nada! Fiquei puta, claro, e falei que nao entrava de jeito nenhum e que era melhor ele desistir e me levar em casa. Ele veio com aquela boa historia de "nao assusta nao, a gente pode soh conversar..", no que eu fiquei mais brava ainda. No fim ele me levou pra casa (a melhor parte foi quando ele falou pra moca que ia nos dar a chave que "a gente desistiu").
Mas isso eh realidade mesmo. Ate quando eu conheci o James me lembro que saia com ele, o amigo dele e minhas 2 amigas brasileiras ainda com receio, pensando no quao vulneraveis nos tres estavamos num pais estrageiro, num carro com dois (praticamente) estranhos.
E depois ainda temos que aguentar quando falam que nos eh que somos paranoicas (ou pior, que quando um homem avanca pra cima, deviamos achar um elogio!).

J. Machado disse...

Que bom que vc conseguiu, se saiu bem nos casos que lhe aconteceram, mas nem todas tem esta sorte e coragem.
abração

Juliana disse...

Realmente. E pior é que homem vem com esses papinhos achandoq ue mulher é burra. Essa história da Andie mesmo, foi a pior, do conversar no motel. E a Lola a mais louca de enfrentar o cara. Também já me deparei ou me coloquei em situações de risco, mas graças a Deus também não me aconteceu nada, mas acho que é verdade, toda mulher tem uma história pra contar.

Pedro disse...

Imaginei a Lola fazendo aquele gesto com a mão \_o /_o chamando para o pau hauhauehau e correndo atrás dele proferindo "Cai para mão otario" "Vou lhe matar"
heuHUehEUE

Parabens femeas :D

Daniel disse...

Ser mae, ser filha, ser oprimida, ser femea, uma negra sensual, miha irma Regina, minha mae em Sao Paulo, uma lésbica em todo esplendor, uma gorda com todo charme de uma Claudia Gimenez, loira devassa , uma menininha chorando numa favela, minha amiga Luzinete, cariocas como Nana e Eri, o olho puxado da japonesa, atriz como Tonia Carrero-Regina Duarte, ou as Fernandas Montenegro e Torres, uma prostituta na calcada da av S Joao com Ipiranga, a que esta no utero da mae e ja sabemos que eh do sexo feminino, nome de flor, Rosa-Margarida-Violeta, ao perfume de Gardenia, burguesa Vera Loyola, ministra Marta, a senhora mais idosa do Japao, a mendiga na rua, a sempre traida, aquela com fama de galinha, Maria a mais generosa das maes, uma virgem conhecendo o primeiro amor, a soropositva guerreira , aquela que nunca esquece os percalcos da vida com defeitos mil e qualidades fundamentais, aquela sempre nunca, em nenhuma ocasiao se esquece de ser MULHER.

http://br.youtube.com/watch?v=QXqSJtDUjok&feature=related

http://br.youtube.com/watch?v=STrKbossnFU&feature=related

http://br.youtube.com/watch?v=q2L9VKMYn60&feature=related

Helen disse...

Eu achava que o Rio de Janeiro era bastante perigoso, até conhecer cidades pequenas, tanto do estado do Rio quanto de outros estados. Notei que a violência contra a mulher é até pior nas cidades pequenas. Me parece que depende do grau de machismo com que os homens são criados.
Aprendi muito cedo que não se pode fazer nada que os homens possam considerar provocação, mas também aprendi que até mesmo só andar de dia, coberta dos pés à cabeça, pode ser considerado provocação...
Me lembro da lista de coisas que repassávamos, minhas amigas e eu, antes de sairmos à noite. Combinávamos estratégias para o caso de algo acontecer, e isso nos salvou algumas vezes. Lutar e gritar é sempre a melhor saída. Raramente um estuprador quer ter trabalho pra valer.
Um dia, eu já estava com 18 anos, dentro de um ônibus, à tarde, de jeans e camiseta, e um cara esquisito ficou puxando conversa. Eu respondi com monossílabos, dei uma desculpa e mudei de lugar. Nessa época, aqui no Rio, os passageiros saltavam pela frente do ônibus. Eu havia sentado na cadeira da frente, que fica à direita do motorista. na hora de saltar, com o ônibus já parado, o cara me agarrou, tentando me beijar. Eu me encolhi, conseguindo enfiar meus joelhos e cotovelos no peito do cara para manter a distância, enquanto gritava: "Me larga! Não te conheço! Não te dou o direito de me agarrar! Não! Tá ouvindo? Não!!!" Eu sabia que sem gritar aquilo tudo eu podia ser acusada de ter encorajado ele. o cara acabou desistindo por causa da dificuldade, mas o pior é que tinha bastante gente no ônibus, todos viram aquilo e não fizeram nada! Depois que o cara saltou, eu me levantei e gritei na cara de todos: "Não tem nenhum homem nese ônibus?! E se fosse com a namorada ou com a irmã de vocês?! Vocês não tem vergonha na cara, de deixar um tarado atacar uma garota sozinha?!" Eu fiquei com medo de ser atacada por mais alguém, mas estava com raiva demais. O motorista ficou quieto, mas ficou com as orelhas vermelhas como um pimentão.

Liris Tribuzzi disse...

Ainda bem que ainda não tenho nada do gênero para relatar. Sempre procuro andar com alguma pessoa do sexo oposto quando vou a lugares que eu naõ conheço bem ou quando está tarde. Já houve um dia de eu e minha irmã voltarmos de um hospital na zona sul de sampa (moramos em Guarulhos) com meu namorado até o metrô tucuruvi (terminal da linha norte-sul) e encontrarmos com o namorado dela no metrô só pra chegarmos em casa acompanhadas.
É um absurdo essa situação.

Leonardo Bernardes disse...

Feliz dia da Mulher (atraso), Lola!

lola aronovich disse...

Todas essas histórias que vcs contaram são igualmente absurdas, e provam que não somos paranóicas - acontece mesmo! Tem gente que estima que coisas assim (violência, abuso sexual, estupro, ou ameaças de todas essas coisas, como narramos aqui) ocorrem com 90% das mulheres em todo o mundo. Essa é a igualdade entre os sexos?
Helen, pelo menos algo assim como vc enfrentou no ônibus dificilmente aconteceria aqui em Detroit. Os/as motoristas (acho que tem mais mulher que homem dirigindo ônibus) são treinados pra parar o ônibus ao menor sinal de briga, insultos, até som alto. Tem um radinho pra se comunicar com a polícia, que chega rapidamente. Seria ótimo ter um aparato desses no Brasil...
E aí eu fico pensando no que fizeram no Japão, de criar vagões de metrô apenas pra mulheres, porque os homens se aproveitavam delas. Algumas feministas foram contra a medida, outras a favor. Acho que sou a favor. Mudar a cabeça dos homens (e das mulheres, porque TEM que protestar) demora. Enquanto não aprendem, que andem em vagões separados mesmo.

Suzana Elvas disse...

Lola, para mim a pior violência contra a mulher é aquela que ela vive dentro de casa. Eu sei porque eu fui vítima - um excelente namorado que virou um marido horroroso.

Ela é a pior porque vem de uma pessoa que, teoricamente, deveria confiar em nós e nos amar. É a pessoa que você ESCOLHEU para entrar na sua família. Um pai ou uma mãe violentos fere do mesmo jeito, mas você não escolheu, não botou dentro da sua casa. Eu apanhei grávida; com minha filha no colo; no meio da rua.

A violência que você sofre é aquela do antes, na ameaça; é aquela do durante, sem defesa (se você se defende é pior, porque apanha mais, e com mais raiva); e a do depois, que é a (injustificada) vergonha humilhante que se sente. A culpa por ter apanhado! A vergonha de enfrentar vizinhos! E você começa a aprender a viver assim, com um medo sem fundamento de não ter segurança, de não conseguir sustentar os filhos sozinha, de acharem que a culpa é sua, de ser acusada de ter casado errado.

É uma coisa tão enraizada que eu, hoje, falo abertamente sobre o que aconteceu comigo para ver se mais mulheres abrem a boca e se livram desse círculo vicioso; a última vez que apanhei contei num post imenso a saga pela Delegacia da Mulher, o exame no IML, a volta para casa. Porque eu não consigo aceitar a vergonha que a gente sente. Eu não bati; eu não me descontrolei; por que eu sinto vergonha? Por que abaixo a cabeça?

Essa, para mim, é a pior violência que pode existir contra a mulher. Aí nos Estados Unidos eu me comunico com o pessoal da House of Ruth, uma organização que ajuda famílias vítimas de violência doméstica. E sempre penso em, um dia, poder criar uma organização semelhante no Rio.

Só para constar: apesar de no exame do IML constar todos os hematomas e demais lesões da agressão, o juiz achou que era a minha palavra contra a dele e a ação foi arquivada. O caso constou na ação de divórcio. A representante do Ministério Público (que deveria gerir os interesses dos menores em casos de divórcio), não leu a ação e não se importou muito: defendeu que o pai tivesse quatro dias de visitação POR SEMANA. Quase fui retirada da sala por desacato, mas consegui que a visitação se resumisse a um fim de semana a cada 15 dias.

Suzana Elvas disse...

Aqui no Rio existem vagões de metrô e de trem exclusivamente para mulheres, funcionando na hora do rush, de manhã (das 6h às 11h) e no fim do dia (das 17h às 22h). Como não há agentes metroviários nas plataformas, os homens embarcam quando querem.

lola aronovich disse...

Nao sabia que tinha vagoes separados no Rio... Mas as usuarias pelo menos sabem que os vagoes sao pra elas? E que, se um homem se comportar mal, ela pode pedir pra ele sair?

Suzana Elvas disse...

No metrô os vagões são marcados com uma cinta rosa, acima das portas (é um vagão somente). E no chão há a mesma cinta escrito "exclusivo para mulheres".

Sim, a mulher que se sentir incomodada pode pedir para que o passageiro seja retirado. Agora imagina na hora do rush você se levantar (e perder o acento) ou tentar sair do vagão para conseguir um guarda metroviário para retirar o cidadão - guarda que nunca está na plataforma?

Uma vez um cara-de-pau entrou no vagão, a mulherada chiou e ele mandou todas praquele lugar. Cinco estações depois, o vagão lotado, um guarda viu o cidadão encostado na porta e mandou ele sair. Mas foi exceção. Sempre é.

Deborah disse...

Talvez me arrependa de contar de maneira tão pública, mas sinto que enquanto todas as mulheres não sairem do armário e mostrarem o quanto o círculo de violência está perto, as notícias de abuso serão tão distantes que o alerta de quem sentiu parecerá uma banal paranóia.

Eu tinha 10 anos quando o padrasto (meu "vô") assistia futebol com meu pai e um tio. Ele me chamou para deitar com ele, levantando o cobertor, meu pai pediu que eu fosse, eu fui porque não tinha malícia "e sempre fui retardada para essas coisas".
Ao acordar ele passava a mão em mim, em pânico não abri os olhos e meu corpo duro de medo sem reação, dormi novamente. A situação se repetiu em outros dias, ele nunca fez ameaças verbais, mas o que eu faria? Diria: Ah não, não quero deitar! E se alguém desconfiasse?
Eu ia, até porque alguém dizia "Vá lá, deitar com o vô". Ele chamava, os outros pediam e tudo se repetia.
Os minutos eram eternos e ninguém via quando acontecia, não sei se ele esperava alguém sair da sala pra fazer, até porque eu nunca abria os olhos até ele terminar. Mexer o corpo era pior, ele mudava "o foco". Nunca ouve pênis, só mão.
Eu temia que meu pai o matasse, eu temia que ele fizesse algo com minha irmã, eu temia que a minha família acabasse.
Mas contei pra minha mãe. Ela falou que nem eu nem minha irmã deveríamos voltar pra lá. Ele e minha vó moravam no quintal de casa.

Depois de pouco tempo (uma semana acho), ele morreu.

Eu me culpei pois usava shorts na época, tinha as pernas grossas e tal. Mas vejo que isso era besteira. Tudo foi feito em silêncio o que a minha imaginação fez concreto em um grande temor. A religião me fez ter nojo do meu corpo "pecaminoso" e o círculo escolar social fez eu me envergonhar dele. Era gorda, triste, com o sexo vergonhoso e o destino traçado por penitências de pecados imaginários.

Ao escrever em um caderno me analisei e fui me libertando. Com a ajuda do Yuri (namorado), consegui tornar isso mais público. Só contei pro meu pai ano passado (tenho 23 anos agora).

Às vezes ainda sinto medo do nada, ás vezes me sinto impotente e perseguida, ás vezes sinto que meu corpo é morto, que minha apatia é reflexo da minha inutilidade no mundo. Ás vezes me sinto um lixo e a culpa não é só do meu vô. É do modo que cresci, do modo que esmagaram a minha auto-estima e do modo que o terror psicológico me segue, como se eu nunca fosse só, como se a todo minuto alguém fosse me "pegar". Sentir medo de algo que só você "vê", parece patético, mas é frustrante.

Anônimo disse...

Vc tinha essa mesma cara??? Então os caras eram 'doidões' mesmo. E parece que vc gostava, já que depois que aconteceu a primeira vez vc continuou pegando carona.


Keka

Sarah Dutra disse...

o pior que eles ficam com essa conversinha de "vamos subir só pra pegar uma coisa" ou "é só pra conversar, relaxa..." e quando vc é direta e soletra na cara deles que não quer fazer sexo com eles, que eles não vão conseguir o que querem, eles se fazem de desentendidos, como: "mas nunca quis dizer isso...".
bando de hipócritas, falsos! passei muito tempo achando que não era feminista, que só prezava por tratamento igual. no mundo de hipocrisia que eles vivem é impossível não sem feminista! é impossível não sentir vontade de reinventar o mundo, pq parece que nada disso vai mudar!
fui atacada a dois dias atrás no banheiro da minha faculdade. graças a deus eu consegui me livrar do cara antes que algo pior acontecesse! ele me enforcou e mandou que eu não gritasse, que eu ficasse calada...eu usei todas as foças que eu tinha pra gritar e pedir socorro, quando tava saindo do banheiro, os seguranças pegaram ele.
nunca se calem! denunciem sempre! não fiquem omissas ou submissas!
e nunca vá ao banheiro sozinha!

Patas Dadas disse...

Lola, parabéns pelo blog!
Eu não conhecia, deram-me o link e estou zapeando por ele e vendo só posts interesantíssimos!

Eu felizmente só me lembro de uma história parecida:
Quando eu tinha uns 14 anos, voltava da minha aula de inglês a tarde numa rua muito movimentada de Porto Alegre. Um cara me chamou no carro, eu me aproximei achando que ele iria pedir alguma informação, mas, quando eu olhei para o cara ele estava se masturbando e quis que eu entrasse no carro. Fiquei tão transtornada que saí correndo e nem chamei a polícia....

Essas histórias, como as tuas e de tantas outras mulheres, revoltam-me demais. É absurdo como está enraizado na nossa cultura o machismo!

Cristal disse...

Certa feita eu estava indo pra academia, de blusa folgada de malha e bermuda de lycra... Tinha uns 19 anos e era virgem. Um sujeito, com roupas de pastor e cabelo lambido, ao passar por mim, endureceu a mão e o dedo médio e, em questão de segundos, enquanto cruzava comigo, colocou a mão na minha vagina (por fora da bermuda colada). Foi horrível. Chorei a noite toda, contei pra minha mãe e desde então nunca mais comentei o assunto com ninguém. Sempre pensei naquilo como um estupro. E, pelo menos pra mim, foi.

♬a_na©·SODIO®♪ ¨°¤P...·C·Horita¤°¨ disse...

algumas vezes, qdo eu era criança, estava c/ minhas vizinhas brincando na rua e um carro parava, e o motorista pergunta por informação (aham, p/ garotinhas d 10, 12 anos q sabem absolutamente TUDO de ruas, né!?)... nós, ingenuamente c/ a cabeça na janela p/ responder... qdo viamos, o cara estava c/ o pinto p/ fora da calça e c/ a mão nele... e sempre tinha uma de nós q demorava p/ ver e continuava respondendo, até perceber q o movimento abaixo ficava + vigoroso... oq esses doentes pensam da vida?!

Mayara disse...

eu sofri abuso sexual mesmo, dos 8 aos 10 anos do meu padrasto.....
e uma vez com 21 anos tava voltando do trabalho a pé, umas 21:00h da noite (trabalhava em shopping), um homem tentou me dar chave de braço por trás mas não conseguiu, pegou de mau jeito e consegui me soltar..... ele me deu aquela passada de mão na coxa e fugiu. Eu gritei bem alto, um porteiro de um condominio ali perto escutou e veio correndo me ajudar. Mas o homem ja tinha fugido.
Confesso que me senti culpada pq estava de minissaia (a famigerada minissaia rs) e andava sozinha num caminho deserto..... só há pouco tempo me liguei que não tive culpa de nada.
morro de medo pq tenho uma filha tb.....

Eveline disse...

Infelizmente também tenho uma história parecida com a da Cristal, com a diferença de que eu deveria ter uns 12, 13 anos, e estava indo ao supermercado com a minha irmã. Fiquei tão aterrorizada no momento que pedi a ela, que é 4 anos e meio mais nova que eu, que não contasse nada em casa. O supermercado ficava a 2 quadras da nossa casa e eram cerca de 10h da manhã.
Essa é a primeira vez que conto essa história e nem sei se ela se lembra disso, mas volta e meia, quando leio relatos como o seu, me lembro disso. E ainda não sei porque não voltei na hora pra casa e contei tudo, já que minha mãe nunca foi do tipo repressora... Estou aqui, lendo o seu blog e morrendo de vontade de chorar, por tudo isso que acontece com a gente e as vezes achamos que a culpa é nossa....

G. S. disse...

Lola, olha que absurdo isso: http://www.youtube.com/watch?v=wkpN0B7OVtg&feature=fvwp&NR=1

Roberta disse...

Felizmente eu sou muito precavida e o máximo que já me aconteceu foram olhares maliciosos, gracejos e tentativas de enganação ("oh, seus amigos foram embora, eu os vi indo naquela direção, mas pode ir dormir lá em casa"), mas a gente sempre nota quando há algo de estranho no ar. Faz parte do nosso manual de sobrevivência feminino. Mas o que mais me deixa indignada é essa sensação de perigo à espreita, essa iminência constante de ser atacada, esse medo de sair à rua que precisamos alimentar para que nada de mau nos aconteça. Isso é cercear a liberdade de ir e vir da mulher, é uma afronta aos direitos que nos assistem. Enquanto não lutarmos para ocupar lugares de autoridade e poder, essa violência que sofremos diariamente passará despercebida, será considerada natural, e os ataques permanecerão camuflados em meio aos índices de violência urbana. Violência de gênero precisa ser discutida com urgência!

Unster disse...

Achei muito interessante estes posts, e também tenho uma experiência para contar.

Eu estava voltando em um ônibus interestadual com minha mãe. Estávamos sentados na frente, e o ar-condicionado estava fraco ali, e melhor nos fundos. Fui até uma mulher que estava sentada sozinha e perguntei se podia me sentar ali, que estava mais fresco. Ela concordou e me sentei.

Á medida que a viagem progrediu, não consegui dormir. Sentado ao lado daquela mulher, e exatamente na frente de uma outra, comecei a pensar em "bobagens".

Eu nunca havia passado a mão em uma mulher. Sempre considerei isso errado. Muitos anos antes, uma moça, sentada na minha frente, durante uma outra viagem, sutilmente começou a passar a mão em mim. Correspondi, e acabamos ficando. Lembrando dessa vez, comcei primeiro a passar a mão na perna da mulher que estava sentada atrás de mim, da mesma forma que essa garota havia feito comigo, anos antes. Ela acabou se mechendo, fiquei com medo e parei.

Então pensei em fazer o mesmo com a que estava sentada ao meu lado. Ela estava dormindo profundamente, e comecei a passar a mão em sua coxa. Após algum tempo, onde eu tolamente tive a esperança de que ela acordasse e correspondesse ao meu avanço, ela acordou, empurrou minha mão, e disse, em um tom baixo mas firme "Sai daqui senão eu chamo a polícia!".

Ela foi legal comigo, poderia ter feito um escândalo mas me deixou escapar ileso. Ou nem tanto. Vermelho de vergonha, voltei a sentar com minha mãe. A viagem inteira me senti vil, culpado, humilhado, extremamente envergonhado e mal comigo mesmo. Óbvio, nunca mais tentei nada parecido.

Esse episódio mostra um pouco como também é difícil ser homem: um impulso sexual, e portanto biológico, muito mais forte que o da mulher, a um ponto tal em que a própria cultura, criada por seres humanos, segue esse padrão.

É o homem que tem que avançar na mulher. Por ser muito tímido quando era jovem (sim, eu era), perdi a conta de quantas garotas perdi, por não ter tomado a iniciativa. A mulher sempre fica em uma posição passiva, esperando. Quem tem que ir e dar a cara a bater é o homem.

Foi errado o que fiz? Com certeza. Foi movido pela excitação, pelo desejo sexual, e se a mulher tivesse uma sexualidade exatamente igual à do homem, poderia ter terminado muito bem para mim. Mas a mulher não tem, e portanto não é assim que as coisas funcionam.

Em uma outra viagem de ônibus, vi um rapaz subir a bordo em outra cidade, e sentar-se ao lado de uma garota. Fazia frio, e ele tinha um cobertor. Não demorou muito para que eles começassem a conversar, e pouco depois, estavam aos beijos e altos amassos. Lembro de ter ficado com inveja dele.

Mas algo ainda mais interessante aconteceu depois. O mesmo rapaz desceu uma cidade antes do destino final. Um outro rapaz, sentado atrás e que presenciou tudo, perguntou a ela se poderia se sentar ali. Ela assentiu. Ao sentar-se, ele ainda tentou puxar conversa, mas ela mostrou desinteresse, e acabou virando para o lado e tentando dormir.

O moço, provavelmente movido pela mesma excitação que havia me acometido na outra ocasião, não teve dúvidas: virou-se para o lado dela, abraçou-a e começou a beijá-la. E, pior, com beijos bem sonoros.

Acredito que ela tenha ficado estarrecida, mas não disse nada. Nem se mexeu. Após 3 ou 4 beijos, e vendo a ausência de reação, ele voltou a sentar-se, e ficou ali, quieto, até o final da viagem.

Ser homem é muito, muito difícil.

lola aronovich disse...

Ulster, vc tem sérios problemas de empatia. Espero que vc procure tratamento, sério mesmo. COMO ASSIM, vc passou a mão em mulheres que dormiam numa viagem de ônibus e concluiu que "Ser homem é muito, muito difícil"?! E isso baseado numa idiotice que vc ouviu e acreditou, a de que o desejo sexual do homem é muito maior que o da mulher? Vc já ouviu falar em clitóris? Que é o único órgão no corpo com a função exclusiva de proporcionar prazer? A sua crença na biologia que jura que homens são incontroláveis esbarra no clitóris.
Jura que vc não vê diferença entre esses dois cenários? Cenário 1: duas pessoas, numa viagem de ônibus, de comum acordo, vão conversando e se conhecendo e se beijando e ficando e tudo o mais (eu já fiz isso). Cenário 2: uma pessoa está dormindo (o que, convenhamos, é muito comum em viagens de ônibus) e a outra se aproveita da vulnerabilidade da outra e, sem o seu consentimento, passa a tocá-la. Isso é criminoso! O corpo de uma pessoa é dela, e ninguém deveria tocá-lo sem permissão (que não precisa ser dada por escrito, mas uma pessoa dormindo num ônibus não consente NADA). Aí vc vê uma menina que ficou com um menino no ônibus. E aí, quando o menino vai embora, um outro se senta lá enquanto ela está dormindo (porque, afinal, se ela ficou com um, está consentindo pra todos) e começa a boliná-la. E ela não se mexe. Por que vc acha que ela não se mexeu? Pode ser MEDO? Jamais, porque a sua conclusão é que ser homem é que é difícil.
Pense só: pessoas viajam de ônibus porque precisam ir de um lugar ao outro. Durante o trajeto, principalmente se for no horário noturno, a maior parte das pessoas quer dormir. Acho que tem muito pouca gente que viaja de ônibus pensando "hoje eu vou me dar bem!". Tenho ouvido muitos casos de abuso sexual dentro de ônibus. Quero até publicar o guest post de uma leitora que passou por isso, parou o ônibus, parou num posto policial com o acusado, e a polícia não quis fazer nada. Pois é, ser homem é que é dif~icil...

Patty Kirsche disse...

Ah, eu tenho várias... Puxa, será que todas nós temos que passar por algum episódio de agressão verbal ou toque não consentido?

Uma vez, eu tinha 17 anos e acabara de sair da biblioteca. Estava de vestido, pois fazia calor, e trazia alguns livros na mão. Um homem me disse que eu estava louca pra levantar aquela saia. Eu perguntei se ele estava louco. Ele começou a me chamar de puta, piranha e outros termos que denigrem mulheres através da sexualidade. Voltei para a aula chorando. Era dia e ninguém me ajudou.

Outra ocasião, eu estava num show do Camisa de Vênus. Eu caí no chão e um elemento se aproveitou pra passar a mão entre minhas pernas. Minha sorte foi que a saia era de brim, então ele não conseguiu chegar até a vagina, apesar de ter forçado diversas vezes. Senti muito desespero, porque não tinha condições de me defender. Só tentava levantar. Quando enfim consegui, não tinha como descobrir quem era o cara. Só saí da pista e fui ver outro show. (Se alguém perguntar por que eu fui a um show de rock de saia, eu vou mandar a merda)

E ainda carrego essas e outras cicatrizes.

Dri Caldeira disse...

Lola, já q como dona do blog vc tem acesso aos ip's dos q comentam, vc tem que passar essa informação à polícia!!

Anastacia disse...

Há uns 10 meses eu estava em um ônibus fazendo a rota SP-PR quase pegando no sono pois já se passava das 2 da manhã quando percebi que havia alguém do meu lado. Me virei e me deparei com um Sr de uns 40 anos se masturbando e rindo olhando para a minha cara. Eu gritei e alguns caras que estavam sentados logo a frente vieram ao meu socorro. Só asism pude sair da poltrona em que me encontrava (presa entre o tarado e a janela)e ir sentar com uma menina algumas poltronas para a frente. O motorista foi avisado mas nada foi feito.
Semanas depois o mesmo sr. estava sentado atras de mim em outra viagem coma mesma rota me chamando de vadia e puxando meus cabelos. Nunca mais consegui dormir em um ônibus

Monique disse...

Sabem que tenho até uma história feliz que nos faz "crer um pouco na humanidade" - como diria a Lola?
Foi no começo deste ano. Com dezesseis anos, nas minhas caminhadas eternas e sem rumo (sim, eu era doida), acabei me perdendo. Perguntei pra um senhor idoso que estava saindo de um mercadinho e indo pra um carro, onde era o bairro XXX. Usei como referência uma universidade e tal, e ele explicou direitinho o caminho básico, e disse que era professor de lá, e que poderia dar uma carona, se eu quisesse, porque estava indo justamente lá para a universidade. Acabei dizendo de modo rápido "Não aceito carona de estranhos", e ele apenas deu de ombros e foi entrando no carro. Achei que ele fosse insistir, se desculpar, ou algo assim, mas não; simplesmente deu de ombros. No fim, o velhaco se mostrara tão simpático até então (e não de modo "forçado", prestando elogios e essas coisas insuportáveis e repugnantes), que eu quem comecei a dizer "Não que o senhor tenha cara de maníaco ou algo assim; simplesmente nunca se sabe. A violência contra moças e mesmo rapazes é abundante e blá blá blá". Aí ele deu um sorriso triste, e disse que a irmã dele, recentemente vítima de algo que não ficou claro para mim, era a maior prova disso. E simplesmente acelerou o carro e foi embora.
Sei lá, não é algo tão grande e tal. Mas simplesmente fiquei surpresa por ele sequer ter se "defendido" perante minha recusa, e principalmente por não ter insistido e tal, e sequer COMENTADO a respeito ou tocado no assunto, visto que é frequente acharem que somos FORÇADAS até a aceitar carona, mesmo que não tenha segundas intenções por trás; o moço simplesmente tratou o fato como algo tão leviano que sequer merece ser frisado. Realmente achei admirável.

Em contrapartida, claro que tenho histórias terríveis pra contar, das quais me safei fazendo tipinho de ingênua e/ou louca.
Tipo um cara que puxou conversa no ônibus e tal, onze da noite, e como descíamos em pontos próximos, fez questão de me acompanhar até minha casa. Queria ainda pegar o caminho da pracinha deserta, aquele cara de pau maldito! (Recusei e fiquei insistindo que tinha que passar no mercado, que meu pai ia me pegar lá e blá blá blá).
Quando ele começou com os já previsíveis papinhos de namoro e tal, perguntou a respeito da aliança que uso na mão esquerda - sou solteira, e indico usarem alianças na ESQUERDA; é um truque bastante eficiente; afasta muitos retardados.
Aí dei a de louca e disse que eu era casada comigo mesma em minha mente, e dei um fora indireto, dizendo que tinha nojo de homens e mulheres, e essas coisas. Ele ficou com a maior cara de cu e caiu fora na hora. Foi hilário, disse que estava atrasado pra algo lá.
O fato é que o cara achou que estava dando bola pra ele só porque correspondi à conversa dele no ônibus.

Monique disse...

Putz, lembrei de uma de quando eu era CRIANÇA. Devia ter UNS NOVE ANOS! E o rapaz TAMBÉM.
Incrível como eles são educados desde crianças a fazerem o que querem...
Estava subindo a escada da escola, enquanto um garotinho descia. O moleque, quando passou por mim, me virou e me deu um selinho.
Lembro de ter empurrado ele lá do topo da escada e começado a xingá-lo. Ele nem se machucou, e adivinha quem foi pra diretoria?
Eu!
Maravilha. Desde crianças, tudo já é um machismo de merda, e a vítima já é a culpada.
Sei que um selinho e diretoria são bem diferentes de assédio como beijos de língua e botar mão em genitálias, e polícia. Mas gente, percebem como o cenário muda, mas a situação permanece?! Selinho, para criança, é o ápice do contato físico, e a diretoria é "lei". Percebam que os garotos de nove anos já estão aliciando as garotinhas de modo extremo dentro de suas realidades infantis.

Dani disse...

Acho que todas as mulheres já passaram por situações assim.
Com 10 anos, eu fazia caminhadas com a minha madrinha. Íamos conversando, rindo, tudo muito tranquilo. Até o dia em que um cara passou por mim, e apertou meu seio. Tipo, eu tinha 10 ANOS! Mal se via volume no meu peito, até hoje eu tenho cara de criança... Não vejo nenhuma atração sexual que eu possa ter transmitido pro cara. No dia eu chorei, não quis mais sair de casa, e minha madrinha me pediu para não contar pra ninguém, porque ela acabaria sendo culpada.

E teve uma outra vez, quando eu tinha uns 12 anos, e fui dormir na casa de uma prima. Os pais dela sempre iam em festas separados (ela ia em encontros de mulheres, e ele, de homens), e eu fui encarregada de cuidar da minha prima. Era mais ou menos uma hora da manhã, estávamos prontas para dormir, ela no sofá e eu no chão. Como eu estava acostumada a dormir de calcinha, não vi motivo para ali ser diferente. Me enrolei bem nas cobertas, e fui dormir. E nessa hora, meu tio chegou. Bêbado. Bem mais cedo do que deveria. Viu que minha prima estava dormindo, e a levou para o quarto. E voltou para a sala.
Nessa hora, eu comecei a ficar nervosa. Me enrolei mais nas cobertas, e fingi estar dormindo. Ele deitou do meu lado, e começou a beijar meu rosto, dizendo que me achava linda. Eu comecei a dar umas risadas nervosas, e ele perguntou se poderia deitar ali comigo. Eu respondi que não, e ele lambeu minha orelha, e após isso foi dormir.
Nunca tive tanto medo na minha vida. Eu não acreditava no que tinha acontecido. Pensei em ligar para a minha mãe me buscar, mas tive medo de ele ouvir. Coloquei minhas roupas (tinha aula no outro dia) e me deitei novamente, sem conseguir dormir, de tão aterrorizada. Minha tia chegou umas três da manhã. Estava começando a chover, e ela riu de mim, achando que eu estava acordada por medo da chuva. No outro dia, ela contou pra todo mundo que eu passei a noite em claro com medo dos trovões.

Pois é Lola... Eu não contei pra ninguém. Eu tinha vergonha, e medo de não acreditarem em mim.
Depois de uns dois anos, eu estava conversando com a minha irmã (que é três anos mais velha), e ela disse que precisava desabafar, e começou a contar uma história de horror. Me disse que quando ela tinha quinze anos, esse mesmo tio abusou dela. Ela estava na mesma situação que eu, dormindo na casa da minha prima, cuidando dela. No meio da madrugada, minha irmã acordou com meu tio enfiando a língua na boca dela. Ela então começou a chorar. E sabe o que ele fez? Chorou também. Disse que não era pra ela contar pra ninguém, que ele só fez isso porque amava muito ela. Amava como uma filha, e ninguém ia entender.
E ela não contou, assim como eu. Até esse dia do desabafo.
Chegamos em casa, e contamos para os nossos pais, as duas juntas. Eles ficaram indignados, queria tirar satisfações, mas no fim, decidimos os quatro pelo silêncio.
Minha mãe disse que já havia acontecido coisas semelhantes, boatos sobre o meu tio espiar mulheres quando iam usar o banheiro, e minha tia nunca acreditou. Achamos melhor cortar contanto com a família, e "enterrar" o assunto.

Ás vezes encontro ele na rua, ele tenta conversar com meu filho, mas não dou abertura. Penso se ele ainda lembra, se acha que eu esqueci, ou se acha que não foi nada...

Meu filho tem sete anos, e eu converso muuuuuito com ele sobre abuso, integridade física, respeito. Ele sabe que ninguém pode tocá-lo sem permissão, e que ele deve respeitar os corpos das outras pessoas.

Enfim, minha história de horror.
Um bjo Lola!

misnape disse...

o taxista tentou me estuprar uma vez que estava muito bebada
ele conseguiu entrar na minha casa e eu lutei o quanto pude com ele com medo de acordar minha irmã mas quando não conseguia mais forças e ele restava com as calças no joelho eu gritei e ele fugiu pulou o portao
minha irmã ate ligou pra policia mas ele ja tinha fugido

Anônimo disse...

Engraçado, Lola, eu nunca tinha parado para pensar que eu já vivi esses horrores também. O único que lembrava e ficava horrorizada era a cena de acordar, adolescente, com meu primo tocando meus seios por baixo da camisola e qdo eu me mexi ele saiu correndo. Aí lembrei do namorada de minha amiga que me deu uma carona até a praia e no caminho passou na casa dele e me chamou para subir, chegando lá, colocou um vinho na geladeira e falou: é para nós, na volta, tentando me beijar (claro, que neguei e ele me devolveu pra casa..). A outra, não tem tanto tempo assim, conheci um professor numa grande reunião da minha universidade e começamos a conversar simpaticamente, ele me ofereceu carona até a rodoviária e no caminho, falou que iria pegar uns papéis no ap dele. Chegando lá, me chamou para subir e eu falei que não queria, que esperaria no carro mesmo. Aí ele falou: não tem problema, esse ap é só de estudos e para encontrar minhas amigas. Minha esposa não vem aqui, é mole? Como fui incisiva (na minha cidade chamaria Potana/bruta), ele desistiu de pegar o tal documento e me deixou na rodoviária. O reencontrei tempos depois e ele fez de conta que não me conhecia. Vivemos em risco!

Anônimo disse...

O pior é a vergonha, humilhação e o medo não só de passar por isso de novo como de contar para outras pessoas e elas não te levarem a sério.
Há mais ou menos um ano atrás eu estava no ônibus intermunicipal que pego como de costume para ir e voltar da escola. Um homem, de óculos escuros se sentou ao meu lado e eu continuei a ouvir minha música e olhar pela janela. Já no final da viagem senti que a mão do cara se mexia demais e discretamente olhei para o lado. O cara estava se masturbando por baixo do short largo que usava. Fiquei desesperada e por fim, desci do ônibus.
Semana passada estava voltando para casa nesse mesmo ônibus e coisa parecida ocorreu. Só que dessa vez o cara passou a mão em mim. De primeira, achei que estava maluca: ele estava com a mão em cima de sua perna, só que meio que encostada na minha, alisando-a; quando me movi para me afastar dele, ele virou-se para mim e me pediu desculpas, dizendo que havia sido sem querer. Aliviada (e enganada) falei que estava tudo bem. Comecei a falar no celular e ele voltou a alisar, só que dessa vez o meu peito. Tudo se repete: tive que descer do ônibus, mais uma vez revoltada e desesperada.
Esses relatos foram apenas dois, de três que já ocorreram comigo. E apenas dois de milhares que ocorrem ou já ocorreram com praticamente tds as mulheres.
Da primeira vez contei à algumas pessoas e a resposta que ouvi foi que "não se deve sentar na janela do ônibus, muito menos na parte de trás". Chega a dar vontade de rir de desespero!! Tudo que queria era poder sair na rua, voltar da escola e viver minha vida sem ter que ficar com medo toda vez que um homem se aproxima ou se senta ao meu lado. E ainda tenho que ler que "ser homem é difícil". Por favor, né??
É uma mistura de impotência com revolta e vergonha que me envolve quando lembro dessas situações ou leio alguma coisa dessas.

Anônimo disse...

Lendo esse post, pensei "Você está errada, Lola! eu nunca passei por isso, nem toda mulher tem história de terror para contar"
E então, parei para pensar, me recordei...
Nunca contei isso p/ ninguém, e esqueci disso por um tempo, mas uma vez ou outra, eu sempre me lembrava, mas tentava esquecer por um motivo "foram crianças que fizeram isso comigo, eram só crianças, foi só brincadeira"
Quando eu tinha 10 anos isso foi no ano de 2000, eu e minhas amigas sempre brincavamos com os meninos do meu prédio, eles tinham entre 10 a 11 anos, sempre foi tudo muito tranquilo. Um dia eles me chamaram p/ brincar e eu fui, mas só estavam eles não me lembro se eram 3 ou 4, eu não tinha malícia nenhuma, eu ainda brincava de boneca e fui tranquilamente.
Chegando no pátio do prédio, não me lembro como começou, mas derrepende eles começaram e me fazer perguntas estranhas eu não entendia muito bem, e então fizeram uma rodinha ao meu redor e começaram a rir e a passar a mão e mim,nos meus seios, na minha vagina, levantavam minha saia e minha blusa, faziam isso ao mesmo tempo, em quanto eu gritava para parar, minha calcinha chegou a descosturar um pouco com um dos puxões, eu tentava proteger minhas intimidades em quanto eles riam e gritavam e ficavam rodando a minha volta, como se fosse um ciranda.
Consegui furar o "bloqueio", sai correndo, e eles atrás de mim, tranquei o portão que dava acesso as escadas, e em quanto eu subia chorando,eles me chamavam de gostosa pelas espaços do portão, ao mesmo tempo que tentavam levantar as trancas.
Cheguei em casa aos prantos e com muito medo,não me lembro o que eu disse para minha mãe, só sei que não foi a verdade.
Ainda me lembro bem, como eu me sentia violada, humilhada, suja, com vergonha, triste, sem entender por que tinham me machucado desse jeito, afinal, eram meus amigos, naquele tempo, não era como hoje, eu não sabia exatamente como era sexo, malícia, passadas de mão e etc. Mesmo não entendo o que era aquilo, eu não gostava e me sentia mal e desesperada, por que minha mãe sempre me dizia que eu não podeia deixar ninguém me tocar.
Um dos meninos me pediu desculpas no dia seguinte. Achei que era melhor fingir ter esquecido para evitar "contrangimentos" e doia pensar naquilo,tinha medo da minha mãe e do meu pai brigar comigo. Ainda convivi, com esses meninos depois disso até os 13 anos,(quando virei uma rockeira rebelde rsrs, passei a ser hostil com eles. Nunca terei coragem de contar para alguém que conheço, tenho vergonha, eramos crianças, como vou explicar isso? Agora com meus 23 anos, paro e penso: O que levou esses meninos a fazerem aquilo comigo?

Anônimo disse...

É verdade toda mulher tem uma história assim por mais que seja sem grandes problemas. Uma vez eu estava indo para a faculdade e perto do ponto tem uma farmácia, tinha um cara lá e ficou me olhando. Ele passou de carro por mim e depois voltou. Perguntou pra onde eu ia, besta achando que era alguém querendo informação, pois eu nunca tinha visto o sujeito por aqueles lugares, disse que ia para faculdade (isso de dia, umas 16h da tarde). Ele me disse "entra aqui eu te levo". Eu espantada sem saber o que falar disse "não, imagina o ônibus vai passar logo" e o sujeito ainda teve a cara de pau de perguntar se eu estava com medo, eu neguei, disse q estava acostumada a andar de ônibus...

Fiquei hiper com medo, mandei msg para o meu pai vir me buscar quando retornasse a noite. No outro dia, de manhã, quando contei com detalhes à minha mãe ela disse que tinha histórias de ataques com um homem no carro c/ as mesmas descrições...

Na época que fiquei com muito medo, pois havia prendido um "tarado" na minha cidade que já tinha atacado 4 mulheres. Fora que prenderam outro no mesmo bairro que o meu, mas atacava em outro, geralmente, usando roupa de funcionário de serviços publicos para facilitar a entrada nas casas.

Várias vezes me ofereceram carona na faculdade, creio que não existia maldade, mas recusei por medo.


Ainda dizem que não existe uma cultura de estupro! E que é paranoia das feministas.

Sempre ando com medo olhando para trás com pressa. Prefiro andar de ônibus que a pé dependendo do percurso.

Que sociedade é esta que vivemos com medo? Que temos que andar em alerta em nível máximo...



Anônimo disse...

Nossa Lola, incrível pois ultimamente eu me visto até pensando o que posso encontrar quando saio de casa, como sofremos! Desde a minha infância fui orientada para os cuidados que devo ter, por ser mulher! E mesmo achando que não deveríamos ter medo, devo dizer que meu pai estava certíssimo em tudo que dizia e fazia. Ele era tão protetor que eu não recebia nem ao menos meu tio em casa se estivesse sozinha. Mas, a minha história de horror foi ficando com um menino, eu era virgem e acreditava que ficaríamos somente nos beijando, do nada ele começou a levantar minha blusa para lamber meus seios e eu recusando e ele levantando sem eu querer, Lola, eu tenho certeza que iria acontecer coisa pior e só não aconteceu pois um colega das minhas amigas foi atrás de mim, já que elas estavam me procurando. Desde esse dia, lembro que não fiquei mais com ninguém em festas, tanto que casei com meu único namorado, de tanto medo que tinha de ser abusada. Mas,já presenciei duas vezes homens se masturbando e me chamando, saindo do supermercado já falaram sobre minha vagina, já enfiaram a mão no meio das minhas pernas em um barzinho. Só posso dizer que depois que passei a ler seu blog, me sinto mais forte para lidar com essas situações e não mais ficar paralisada; Obrigada.

Anônimo disse...

'Mulher tem medo de ser estuprada ao sair de casa.' Ou dentro de casa, o que é mais triste ainda.

Anônimo disse...

OIE Lola meu nome é Aline, tenho 16 anos, tem como a gente conversar pelo face.
Meu nome é Aline Machado, se você poder passar seu face , tá? Obrigado beijos

lola aronovich disse...

Aline, não tenho FB. Mas, se vc quiser, pode me contatar por email:
lolaescreva@gmail.com
Não prometo que vou responder, muito menos imediatamente, porque falta tempo. Mas escreva se quiser! Abração da Lola

Anônimo disse...

Oii Lola! Fazendo pesquisas na internet, achei o seu blog e li várias matérias sobre violência sofridas por nós, mulheres. Senti, então, q devo contar essa história q nunca contei pra ninguém, não sei pq.. eu tinha mais ou menos 15 ou 16 anos e um primo meu de SP veio passar as férias na roça, onde vários parentes meus moram, e eu, como em todas as férias escolares, fui tbm. Nós dormíamos na casa de tios nossos q tinham somente um filha. Então eu dormia no quarto com ela e ele dormia sozinho na sala q era do lado. Desde que ele começou a vir na roça com mais frequência nós nos tornamos super amigos, íamos juntos para todo lugar e ele sempre foi muito legal e prestativo, não só comigo. Ele falava muitas besteiras, acho q é típico de menino que tem 15 anos né? Mas mesmo assim a gente era super amigo! Nessa época ele andava ficando com uma prima nossa e tal, mas ela nunca me contou detalhes, então não sei se ele era respeitoso com ela. Enfim, so me lembro um dia em que minha prima estava dormindo, eu nem sei se estava dormindo ou não, mas ele entrou no nosso quarto e começou a conversar comigo e tal, e eu sempre fui monga com essas coisas de sexualidade, tanto que só agora, com 21 anos, me toquei do que realmente aconteceu, e nem lembro como ele estava deitado na minha cama segurando meus braços e mordendo minha orelha, eu tentava me livrar mas ele é muito mais forte que eu, e ele me prendia ainda mais, tentava ficar por cima de mim e falava "vamos brincar agora" e tentava prensar o pênis dele na minha vagina, eu podia sentir o pênis latejar, só que eu me esquivava de uma maneira que ele não conseguia deitar em cima de mim, então eu não sabia se gritava meus tios ou não, tinha muito medo de descobrirem e nem sei o pq! Ficava mordendo minha orelha e eu pedia um tempo e ele deixava eu me levantar mas, eu não saia de la!! Não sei o pq!! Aí ele me puxava de volta e me agarrava, as vezes passava a mão no meu peito e eu desesperada lutava para me esquivar disso! Outro dia, eu estava dormindo e ele entrou no quarto querendo meu celular para mandar mensagens para a nossa prima que ele estava ficando, eu estava tão sonolenta que nem conseguia acordar, só me lembro em flashes de memória que ele alisou meu corpo, mas na hora nem me toquei de tanto sono, mas parou por aí.. A gente nunca comentou esse assunto e hoje ainda somos amigos e ele nunca mais me desrespeitou, pelo contrário, é um rapaz super prestativo e me trata super bem!! So agora notei o assédio que vivi e na época eu nem me toquei, nem sabia q tinha sido mais uma vítima!! Ainda não tenho coragem de contar p ninguém e nem sei se um dia terei, mas desabafar aqui no seu blog me fez sentir muito melhor e mais leve. Não sei se sou errada em ser amiga dele depois disso tudo, ainda estou confusa sobre isso. Mas estou muito feliz por ter encontrado esse blog e espero me tornar uma leitora assídua!!!

Sol do dia disse...

#primeiroassedio
Denúncia e Relato da minha história!

Essa é Para que TODAS MULHERES as que passaram pelas mesmas violências e abusos e ESTIVERAM CALADAS ATÉ HOJE!!!

Com 2 ou 3 anos, um tio enfiou a mão de minha calcinha. E isso continuou de outras maneiras com outros homens da família e de fora até os 15 anos!
Por muito tempo tive medo e vergonha, hoje com FEMINISMO e a minha libertação dessa MORAL CRISTÃ MACHISTA e PATRIARCAL me mostraram
Que a VERGONHA não deve ser minha e sim deles!!!

UM BASTA NESSE SILÊNCIO DE BOCAS E CORPOS!!!

#primeiroassedio