quarta-feira, 1 de junho de 2011

CQC ANTI-AMAMENTAÇÃO, VAI PRA PQP

Rafinha, que nunca viu um rocambole, engasga ao dizer mamaço

Eu não vejo CQC, mas leitoras me contaram da última do programa da Band em geral, e do Rafinha Bastos (que adora contar piadas sobre estupradores merecerem um abraço) em particular. Dá pra ver aqui. Raf começa lendo carta de uma leitora que lhe pede pra falar sobre o mamaço, a manifestação promovida em frente ao Itaú Cultural depois que uma mãe foi impedida de amamentar seu bebê em público. Note como ele diz mamaço, com a maior cara de asco. Não fica claro se seu nojo é pelo ato de amamentar ou pela audácia de pessoas protestarem. Ele exemplifica falando do beijaço, que seria “pra promover o beijo, sei lá”. É, é pedir demais que um carinha, numa concessão pública que é a TV, se informe minimamente antes de falar diante das câmeras. Beijaço não é pra promover beijo. É uma arma do povo LGBTTT para lutar contra a homofobia. Porque, assim como pessoas como Rafinha não aceitam ver uma mulher amamentar em público, também acham horrível um casal gay se beijar. Do jeito que Raf menciona beijaço e mamaço, ele deixa transparecer o que acha de protestos: ativistas são pessoas fúteis sem nada pra fazer na vida além de reclamar. Revolucionário e profundo é o CQC.
Reproduzo um pouquinho o diálogo. Raf: “Por que cargas d'água tem aquela mãe que enfia a teta nas caras das pessoas na rua, véio? Mano, vai prum banheiro, c*ralho, porque a gente olha, não tem como.
Joga um lencinho em cima,” diz um outro neandertal. “Às vezes dá até um constrangimento” [é, o constrangimento é deles! Não das mães com um cara babando em cima delas!]
Raf: “Não precisa tirar aquele mamilo, que mais parece uma, que parece um rocambole. [...] [Definição rafística pra mamaço:] Todo mundo lá mostrar as teta. [...] Não pode proibir, é um direito da pessoa [note que ele não diz “da mulher”], mas pô, dá uma protegida”.
Aí vem o outro energúmeno dizer que amamentar é um pretexto, porque no fundo o que a mulher quer mesmo é mostrar os seios. Claro, né? Afinal, a primeira coisa que tá na mente de toda mulher, inclusive as que estão com um bebê chorando nos braços, é atrair a atenção sexual do macho. É instinto! O problema, segundo o filósofo Rafinha Bastos, não é que a mulher queira se mostrar (isso pode na nossa sociedade! Imagina se não pudesse, a TV ia viver do quê? Só do talento de Rafinhas e Marcelos Tas?), “é que quem quer mostrar a teta é quem não deveria querer mostrar. Nunca é aquela gostosa. Geralmente é aquela mãe com aquelas buchibas”. E os três machos lamentam que nunca viram a Giselle Bundchen amamentar, apenas aquela mulher “que não precisa de um sutiã, precisa de joelheira”.
Essa conversa entre compadres tão moderninhos me revolta, porque é difícil ver três marmanjos do alto do seu privilégio falar de um assunto que não lhes diz respeito. Sabe como tem muita gente que acha que homem não deve dar pitaco sobre aborto? (e ainda assim 77% de quem comanda as campanhas anti-aborto são homens). Então. Também não deve se meter em amamentação. Porque homem não entende de amamentação. Pra entender, teria que parar de pensar com o pênis e pensar um tiquinho com a cabeça. Toda a questão é que seios não são apenas órgãos sexuais, assim como mulheres não são objetos sexuais. Mulheres existem independentemente do que os homens acham delas. Seios existem, independente do que os homens acham deles. A atitude do CQC deixa claro, em cada linha, que mulheres e seus seios deveriam ter apenas um propósito na vida: servir aos homens.
Tenho certeza que Rafinha pensa assim. Aquilo não é um personagem, é ele mesmo, seus pensamentos. Esse pessoal tem muito em comum com o Bolsonaro. É toda uma maneira fascista/mimada de ver a vida, de achar que algo que não os serve não serve pra nada. Mas não são apenas os reaças que pensam assim. Lembro quando vivia em Detroit e vi o Bill Maher, que nos EUA é tido como liberal, discursar longos minutos contra amamentação em público (veja aqui, é de 2007). Ele acha que mulheres que amamentam em público são preguiçosas, porque não planejam com antecedência quando o bebê terá fome. E ridiculariza as queixas das ativistas: “Não é lutar por um direito, é lutar pelos holofotes. Pare de se achar especial porque você teve um bebê. É algo que um cachorro pode fazer”. E, óbvio dos óbvios, compara amamentar com se masturbar. Todo mundo que é contra amamentar em público fala uma asneira dessas, e nem fica vermelho. As pessoas se masturbam (e, por algum motivo estranho, parece que apenas os homens têm vontade de se mastubar em público, geralmente na frente de alguma menina indo pra escola) para obter prazer pra elas mesmas. Amamentar, embora possa ser um ato prazeroso, é alimentar um outro ser, inclusive um ser indefeso, que depende da mãe (ou ao menos de um adulto) pra sobreviver.
Como há inúmeros estudos provando que amamentar é melhor pro bebê, já que leite materno é feito especialmente pro bebê humano, e por isso o protege contra doenças, essas cretinices que alguns homens dizem não condenam a amamentação como um todo, apenas a amamentação em público. Mas dá na mesma. Pregar que uma mulher não pode amamentar em público equivale a dizer que ela não deve sair de casa, que ela deve viver pro bebê, deixar de trabalhar e de curtir a vida pra unicamente servir ao bebê. E isso por quê? Ah, porque homens são seres que não conseguem se controlar ao ver um peito de fora (quem diz isso são eles, não eu!). Mulheres devem deixar de vestir certas roupas e de amamentar porque homens são tarados. Quer dizer, os homens é que têm um problema, e a mulher é quem deve resolvê-lo, abdicando da sua liberdade.
Porque olha, não são as mulheres que têm problemas com mamilos. São os homens. E não me venha com essa de que, imagina, homem hétero adora mamilo de mulher! Primeiro que homens mal reconhecem que eles têm mamilos! É zona erógena pra homem hétero também, sabia? Lembra de todo o carnaval feito em cima da armadura com mamilos de um Batman aí? (escrevi sobre isso). Quem armou todo o auê, homens ou mulheres? Eu me recordo de quando algumas mulheres, no início da década de 80, quiseram fazer topless em praias cariocas. Elas quase foram linchadas. Precisaram de escolta policial pra sair. Quem quase linchou? Homens ou mulheres? Eu nunca ouvi um homem dizer “Ué, não teria problema algum se as mulheres saíssem sem roupa” sem o adendo “mas só as gostosas, mulher feia nem deveria poder ir à praia”. Então não estamos falando de liberdade, né? Estamos falando de homens ditarem pras mulheres quando, quem e onde elas podem fazer o quê com o corpo delas.
A ofensiva contra a amamentação em público é uma coisa recente, iniciada nos EUA. Não existia com tanta força até poucos anos. Agora se alastrou, e como adoramos importar o que não presta dos países desenvolvidos ( o que não presta, como algemar criminosos), importamos mais esta barbaridade pro Brasil. Tá se alastrando. Precisamos lutar contra mais essa barbárie.
Os machos do CQC terminam com outro exemplo de como a anatomia feminina é asquerosa, principalmente quando não está a serviço de sua função primordial (satisfazer o homem). Um deles fala de uma tia que mostrou o vídeo do parto. Eles quase vomitam ao mencionarem vaginas gigantes e sangrentas. Ahn, dica. Gente, tem um nome pra quem diz que anatomia feminina é nojenta, algo do qual as mulheres deveriam se envergonhar: misógino. O substantivo é misoginia. Vocês devem ter ouvido falar. Afinal, é isso que vocês fazem pra viver.
Aprendam, homens: seios têm mais finalidades que vender cerveja.
Leia Liberdade relativa: Marcelo Tas quer me processar.

632 comentários:

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Larissa disse...

Quando eu tiver um filho vou amamentá-lo no meio da rua com o maior orgulho. Acho a cena da amamentação linda! É um ato de amor. Mãe se esgoelando, dando tranco no filho pode, ninguém tem vergonha, ninguém faz piada, ninguém comenta, agora um ato de amor as pessoas se envergonham? Vejo isso como uma inversão de valores.

naocomentenada disse...

Como se todos não tivessem mães, como se eles não tivessem sido amamentados quando crianças a fim de serem sustentados e crescerem, coitadas das mulheres (mães) que se dedicaram a essa amamentação...
Imagine o que poderia acontecer se uma mãe deixasse o filho passar fome por não amamentar em local público, depois viriam os sensacionalistas indignados por tal ação...

Gustavo disse...

Olá. Acho muito conveniente discussões sobre normatividade, tanto hetero quanto sexista. Mas acho que temos que tomar cuidado para que o mesmo ódio que discrimina um genêro ou uma minoria não nos cegue em generalizações e acusações. Não sei se são ou não, mas à partir do vídeo indicado, não podemos dizer que os apresentadores são contra a amamentação, misóginos, sexistas, e muito menos homofóbicos. O programa indicado tem cunho humorístico, ou seja, trata do que é tido como humor em nossa sociedade global. Você tem muita acuidade em perceber o teor sexista e heteronormativo da nossa cultura, o que é o resultado de vários fatores sociológicos e históricos que acabam geralmente induzindo ao ódio. Portanto, isso vai se manifestar nas artes em geral, de um jeito ou de outro.
Onde quero chegar é que, apesar disso tudo, condenar com as mesmas armas, ou seja, ofendendo, pressupondo e generalizando não me parecem o meio mais seguro, o qual só acaba gerando mais ódio (o que percebemos pelos comentários) e por fim denegrindo a honestidade e a efetividade de nossos anseios. Também sou simpático à causa feminista, homossexual, assim como da quebra da hipocrisia social em que ainda predominam certos "tabus" que são, na verdade, alguns dentre vários artifícios de segregação. Porém, até o ponto em que se atinja a igualdade e o respeito universal, não mais uma expressão de injustiça a qual busca a troca das posições de poder, mas mantendo uma ordem desigual. Gostaria que, se possível, considerasse este comentário em suas futuras postagens. Abraços.

Fernando Batista disse...

Parabéns ao CQC. Com o humor deles alcança o público melhor do que falando sério e propicia discussões. Parabéns à você também Lola. Sou contra extremos (feminismo, machismo, vegans revoltados, etc) mas você escreve extremamente bem e é muito agradável ler. Vou seguir. :D

tininha disse...

Lola , tá cada vez pior a coisa, quanto mais o machismo se disfarça na pele da modernidade, a evidência da opressão está a flor da pele. To cansada viu, outro dia no facebook, resolveram criticar as lindas fotos da marcha das vadias, perguntando onde estavam as Carla Perez, Mulher melância e mulher pera divulgando a "causa", tudo bem que a pessoa nao defenda uma causa né, mas querer esculhambar, é a ditadura disfarçada de liberdade de expressão.
beijos querida! o título do post excelente!

Fili disse...

Como sempre um post fantástico. O CQC deveria ser extinto com esses babacas machistas respondendo judicialmente por todas as asneiras que eles falam. Acho lamentável.

Vanalli disse...

...Porque homem não entende de amamentação. Pra entender, teria que parar de pensar com o pênis e pensar um tiquinho com a cabeça...

Desculpe Lola, mas qual o ponto de combater um preconceito com uma frase dessas?

Sou homem, estava achando seu texto realmente muito bom, mas parei de ler nesta frase. Você mostrou ser só mais uma preconceituosa lutando apenas contra o preconceito que prejudica a si mesma.

Vanrochris Vieira disse...

Olá! Parabéns pelo blog. Acabo de conhecê-lo e estou adorando. Concordo com praticamente tudo, mas gostaria apenas de deixar uma crítica construtiva. Em determinado momento, quando você fala que pra entender o aborto os homens deveriam deixar de pensar com o pênis, sua colocação ficou bastante generalizadora. Algo simples, como "a maioria dos homens" no lugar de "os homens" teria impedido esse incômodo meu, que deve ter se repetido em outros homens que leram também, e que, como eu, não são misóginos. É isso... Obrigado e novemanete parabéns.

Suzana Morgado disse...

Acho complicado um texto com todas estas afirmações. Primeiro por se tratar de uma interpretação do que foi falado (não que eu concorde), mas entramos no âmbito da análise de discurso e podemos entender vários aspectos por perspectivas diferentes. Segundo que houve uma generalização dos 'achismos'. Devemos tratar como casos pontuais, nem todos os homens entendem seios como objetos sexuais e, também, nem todas as mulheres se sentem a vontade de se expor na rua, se assim fosse, os cargos de "panicats" da vida seriam os mais concorridos.

Penso que ele tenha sido extremamente infeliz ao falar sobre o assunto ainda mais se não o dominava, no entanto em um mundo com tantas particularizações e respeito à opinião alheia, não podemos generalizar, colocar todo mundo no mesmo saco e falarmos que se trata do mesmo tipo de farinha.

Fran disse...

Esses homens são uns egocêntricos!

Anônimo disse...

Respondi um texto do Blog Síndrome de Estocolmo sobre o assunto.
E como fazia referência ao seu, vim fazer uma visita tb.
Infelizmente minha resposta aqui é igual à que expressei por lá. :-(

"Chegando aqui com muito atraso...
Li o post.
Vi o vídeo.
E li todos os comentários.
Putz... que loucura coletiva é essa ?
Esse programa é de humor. De alto ou de baixo nível, é de humor !
Nada do que eles disseram está errado. A forma como eles falaram pode ser censurável. Mas o conteúdo está perfeito.
Vcs falam das situações como se o mundo fosse a Ilha de Caras. Já comi hot dog de rua do lado de uma mulher que comia sanduíche com o filho pendurado nos seios. Já tomei ônibus com mulher amamentando o filho com ele sentado sobre a mesinha do cobrador. Não tenho problema nenhum com amamentação. Minha filha foi amamentada até os 18 meses e só não foi além disso pq minha esposa não conseguia mais conciliar os horários.
Ela amamentava minha filha quando estávamos na rua. Mas sempre tomávamos o cuidado de procurar um lugar mais tranquilo e sempre com o tal 'paninho' cobrindo o seio exposto.
Pq as mulheres atualmente tem tanta obsessão em com questões tão banais ?
Isso é sexismo puro.
Nenhuma de vcs pensa se um homem se sente desconfortável na presente de um seios alheio ?
Alguns se sentem.
E qual o problema em respeitá-los ???
Ou seja... vcs querem respeito.
Mas não querem respeitar os outros.
Muito justo..."

Roberto
roberto_sp@hotmail.com

Dostoievski disse...

É até irônico vocês criticarem um programa esquerdista e gayzista como o CQC.

mebaraki disse...

Confesso que me irrito ao ouvir comentários sobre até quando a amamentação deve ir (tenho um filho de um ano e nove meses que mama no peito); mas fico surpresa com esses comentários contra a amamentação em público.
Gente, mulher nenhuma amamenta em público para aparecer. A gente amamenta porque é necessário e pronto!
Se alguém se incomoda com uma mulher amamentando por perto, É SÓ DESVIAR O OLHAR, SIMPLES ASSIM!
Amamentação independe de silêncio ou barulho, ambiente calmo ou agitado, como alguém comentou. A troca de carinho que acontece durante o ato de amamentar independe de lugar, hora, sons, pessoas em volta e etc, bem como a alimentação que também acontece nesse momento.
Amamentar em banheiro? Virada para a parede? Isso me soa muito arbitrário e irracional.
Homens - aprendam a se controlar, aprendam a respeitar.
Meu marido sempre diz que homem que é homem não olhará uma mulher amamentando com olhos libidinosos. Concordo com ele. Acho que ser homem consiste mais em controlar impulsos e instintos do que satisfazê-los.

Anônimo disse...

ESSE CARA (RAFINHA BASTOS) É UM TREMENDO DE UM BABACA, POIS SE ELE TIVESSE CORAGEM DE DIZER ISSO DA MINHA MULHER NA MINHA FRENTE EU FAZER ELE MAMAR ERA OUTRA COISA ATÉ SAIR LEITE...E DANDO UMAS BOFETADAS PRA APRENDER.
DAVID JUNIOR

pimenta citrica disse...

O pior é que esses imbecis saíram de "vaginas grandes e sangrentas" e devem ter achado legal quando suas mães os amamentaram quando eles tiveram fome ainda bebês. Ou eles esqueceram disso?

roseanjos disse...

Queria saber se esse senhor Rafinha Bastos, que hoje é pai, ainda se sente enojado, quer ver a mulher dele amamentando o próprio filho em banheiros públicos. Ou então ele trancou a mulher e o filho em casa.

O Tas é pai, me admira muito um homem que se diz pai dizer uma coisa dessas.

Pior que no começo do ano tinha um deputado demente querendo fazer uma lei restringindo os lugares onde mulheres podem amamentar. Como a Lola disse, só copiam idiotices dos americanos. Nooojo!!!

Ju disse...

Olha o que o cidadão tem coragem de escrever aqui "Nenhuma de vcs pensa se um homem se sente desconfortável na presente de um seios alheio?".
Nessas horas eu tenho vontade de inventar palavrão novo só pra xingar um boçal desses.

Lucas Pont disse...

Sou aluno da Unifor e, infelizmente, por uma questão de saúde não pude estar na sua palestra hoje lá no auditorio da universidade.
Tenho consciencia de que é difícil para um homem compreender o movimento feminista, mas mesmo assim eu busco isso. As vezes me considero deslocado nesses espaços, mas acho que é uma luta que o objetivo do movimento é afirmar a presença da mulher, para a sociedade como um todo, como o individuo capaz,independente e seguro que ela é.
Todavia, esbarro em arguições como essa que você propos nesse post e me vejo sem entender determinadas, por assim dizer, queixas. Nesse caso quero entender qual o problema do apresentador ter se referido as mulheres como 'pessoas', por que elas são pessoas e eu não enxergo o problema.

Agadeço pela compreensão e deixo aqui meus cumprimentos pelo excelente post.

Att,

Lucas Emanuel

Christian Barreto disse...

"Mulheres devem deixar de vestir certas roupas e de amamentar porque homens são tarados. Quer dizer, os homens é que têm um problema, e a mulher é quem deve resolvê-lo, abdicando da sua liberdade."

Me lembra muito o pensamento da sociedade de que as mulheres devem "aprender a se vestir e a como se comportar para evitar estupros" ao invés de ensinar a nós homens a coisa mais básica possível, que é: estupro é errado. Infelizmente ainda temos que travar muitas batalhas como essa por uma sociedade justa.

Excelente blog.

Anônimo disse...

Nada mais conservador e atrasado que esse cqc. Lembro-me quando criança, na década de 70, de um fato que me marcou bastante. Foi durante uma missa católica. Um bebê faminto berrava a plenos pulmões atrapalhando o culto religioso e desconcentrando o padre. A mãe, muito simples (da roça, como se dizia em minha cidade) e constrangida tentava inutilmente acalentar seu bebê mas não lhe dava o peito e nem saía da igreja (perder a missa domical para isso, nem pensar. Era pecado). Até que o velho pároco, com seu jeitão tosco mas ao mesmo tempo revolucionário se irritou: "aqui é a casa de deus. Recusar-se a dar de comer a quem tem fome aqui, é pecado mortal. Por isso, pergunto: quem é essa vaca que não cala logo a boca desse bezerro colocando os peitos para fora logo?" A primeira vista, muitas neste blog acharão grosseiramente machista a fala do pároco. Mas entendam: estou falando de um acontecimento ocorrido a quarenta anos atrás numa pequena cidade conservadora e rural. Mas na verdade o padre José era um sábio daqueles que, por conhecerem bem o seu rebanho alcança o certo por linhas tortas. A pobre camponesa, aliviada, sacou com orgulho suas mamas inchadas e deu de mamar ao seu bebê. E mais, foi olhada com respeito e admiração por todos que estavam presentes a missa. É, o "jovem" rafinha deveria ter aprendido com o "velho" septuagenário a respeitar o belo e o sagrado como acho que aprendi um pouco. Mesmo não sendo religioso, coisa que, hoje, também não sou.

Állan Wesley disse...

Quem estiver procurando o vídeo, está aqui:

http://tvuol.uol.com.br/assistir.htm?video=cqc-30-na-integra-300511-04024D193462E4813326

Daniel Götz disse...

Esse povo provavelmente não foi amamentado! Nasceram da árvore. Provavelmente não têm mães!

Hess disse...

a piadinha q condenou o Rafento podia ser perdoada pq foi no meio de outras gracinhas e passaria até despercebida, mas esse preconceito contra o seios amamentando em público é comparável ao q há de mais retrógrado e fundamentalista!!!
o pessoal do CQC devia ser inteligente e moderno!!!

Juliana Abade disse...

Comparar amamentação com masturbação é nojento e absurdo. É absurdo também que os outros se sintam incomodados em olhar, já que é um ato natural e necessário. Eu não me incomodo em ver uma amamentação... mas eu não me sentiria bem em amamentar em público. Me considero feminista, mas talvez eu ainda tenha algumas coisas machistas enraizadas nas minhas opiniões, pois a maioria acha algo bem normal, e eu me sentiria constrangida em amamentar em público. Não me sentiria bem em expôr os meus seios em público, não só para esse, mas para qualquer fim. DE repente tendo um bebê minha ideia muda, e minha vergonha desaparece, pois a criança precisa ser alimentada, e eu não vou me privar de fazer as coisas, frequentar lugares e seguir a vida em função da amamentação... mas sim, eu teria vergonha de fazer em público. É uma coisa minha comigo, não julgo, nem acho feio, nem recrimino que faz, mas eu teria vergonha.

Char disse...

Belo texto!
Bom, talvez alguém já escreveu o que vou escrever, mas prosseguindo... só discordo com uma situação, com o sexismo. Fato este que está explícito em sua escrita quando diz: "Porque homem não entende de amamentação". Não estou defendendo homens por levantar esta ideia, estou apenas defendendo uma sociedade livre do sexismo. Acho contraditório afirmar que: homens não devem falar que mamilos de mulheres são unicamente para satisfazer sexualmente os homens, seguido de que homens não entendem de amamentação. Odeio generalizações e sexismo.

augustus pablo disse...

fodam-se esses caras do CQC. sou HOMEM e nao acho nada disso engracado... tomara que o feminismo ESMAGUE esses merdas. pronto, falei.

luanda disse...

Os aborígenes se sentiriam ofendidos com seu comentário.

Anônimo disse...

Putz q blog nojento.. Vcs endeusando uma mulher q comemora morte de uma pessoa e ainda fica "puta" pq o pai n foi junto. Legal ver que ela defende a liberdade e um mundo melhor mas somente com seus semelhantes, ninguem pode pensar ao contrário que é melhor que morra, não eh mesmo? Feminismo massa d manobra marxista.. Acordem.. E ah vou postar como anonimo pq n tenho cadastro no blogger, qq coisa meu email eh luis_scalise@yahoo.com.br

Anônimo disse...

Olha é bom pra própria mulher se preservar colocando uma fraldinha por cima. Eu mesma não gosto de expor meus seios num lugar cheio de gente desconhecida. Não é pelos outros não, eu que não gosto...fora suor escorrendo nos seios, barulho dos inferno, maos sujas segurando naquelas barras de metrô, ônibus. Prefiro um lugar calmo, reservado e sem tantos curiosos.

Filipe disse...

Lola, li seu blog pela primeira vez hj e achei excelente. Muito generoso, claro e bem escrito. Bom trabalho. Parabéns!

Andri Meireles disse...

Lendo em 2015 e pensando o porque de nada ter mudado. Obrigada por existir e RESISTIR Lola! <3

mariartec disse...

Lindo tudo..

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