terça-feira, 13 de setembro de 2011

GORDINHA ATACA MARCA CRETINA

E não é marca de sorvete

Talvez você já tenha visto isso, pois aconteceu na semana passada. Uma marca americana de roupas com uma reputação nada boa (explicarei depois) finalmente decidiu que fabricaria alguns modelitos maiores, e promoveu um concurso para encontrar uma modelo full-figure que a representasse. Uma atriz gordinha (pero no mucho) chamada Nancy não teve dúvida: chamou uma amiga fotógrafa e juntas fizeram umas fotos que satirizavam a indústria da moda. Nancy ficou bem famosa, criou um tumblr, deu várias entrevistas, e, como o concurso era decidido pelo número de votos dos internautas, acabou vencendo. Ela não tem a menor vontade de fechar o contrato com a marca, como explica neste artigo (em inglês) muito bem escrito.
Ela conta que sentiu-se ofendida com o modo engraçadinho/infantil que a marca promoveu o concurso. Era uma procura por uma modelo “booty-ful” (trocadilho entre beautiful, linda, e cheia de booty, ou seja, bunduda), perguntando “Are you the next BIG thing?” (“Você é a próxima grande novidade?”), anunciando que suas calças disco agora vinham em tamanho XL, “com espaço extra onde conta”, pedindo para modelos Xlelent (trocadalho entre tamanho XL e a palavra excelente) pra enviar fotos “de você e sua junk” pra marca (junk quer dizer carga, mas é um termo pejorativo, como quando se fala em junk food, comida lixo), e anunciando que a vencedora seria colocada num avião pra Los Angeles pra ser fotografada. Nancy tem razão: é gracinha demais pra tão poucas linhas. Claro que já vi gordas do movimento americano de fat acceptance (aceitação do corpo, mais especificamente, da gordura) usarem o termo bootylicious (algo como o nosso gordelícia), mas há diferença entre uma gorda usar essas palavras, ou uma pessoa que gosta de gordas, e uma empresa que só passou a considerar investir em tamanhos grandes após quase ir à falência. Sim, porque a American Apparel tem perdido mercado a cada ano. E durante um tempão recusou-se a oferecer tamanhos grandes. Agora que tá com a água no pescoço...
Mas até aí, há uma enormidade de marcas que se negam a vestir cheinhas. A American Apparel é famosa por outros motivos. Primeiro, pelas campanhas que faz — quase sempre meninas muito jovens, que parecem mesmo menores de idade, em poses ahn, sexy, pra não dizer vulgares. Segundo, a marca é notória pela “excentricidade” — sejamos gentis — do dono, que adora aparecer. Este perfil dele de 2004 é impressionante. Se Orson Welles estivesse vivo, poderia fazer um novo Cidadão Kane de um cara que gosta de dar entrevista pra repórteres mulheres enquanto se masturba, e não vê problema algum em sair com empregadas de sua fábrica (desnecessário dizer que ele enfrenta uma coleção de processos por abuso sexual).
Mas vamos falar de coisas boas, como a atitude de Nancy. Pessoalmente, adorei o que ela fez. Sou uma grande fã do humor e da ironia. Outro exemplo fantástico de como o humor pode subverter o lugar comum é o curta “Poses”, de Yolanda Domínguez, que parte de uma ideia simples (fazer com que mulheres em lugares públicos imitem as poses patéticas das tops) para duvidar de um sonho adolescente: sério mesmo que alguém pode ambicionar ser modelo de uma indústria que trata as mulheres tão mal?
Nancy ajudou a chamar a atenção e mandou uma mensagem sobre o que acha da American Apparel e da sua tentativa de cativar o público GG. Quando perguntada por que ela fez isso com AA, e não com outras campanhas, ela respondeu que foi pela insinuação que uma gordinha só poderia ganhar um contrato pra trabalhar praquela marca se vencesse um concurso especificamente pra gordas (“a mensagem que uma garota submissa e seminua sempre conseguiu espaço sem dificuldade na publicidade da AA, mas para as mulheres maiores, seria preciso competir uma contra a outra para merecer a chance”).
Mas nem tudo são flores. Uma modelo que participou seriamente do concurso da AA detestou que Nancy arruinou sua chance. Pra essa moça, o concurso era uma oportunidade pra sua carreira. Imagino que algumas consumidoras também possam não ter gostado dessa transgressão. Afinal, logo quando uma marca opta por ser mais inclusiva, a gente tira sarro dela? E sempre havia o risco de pessoas não entenderem a brincadeira de Nancy.
Quer dizer, alguém podia levar as fotos a sério? Claro, podia. Mas pra quem conhece um pouco mais do contexto, fica difícil. Por exemplo, a gente sabe que é meio tabu ver mulher comendo em propaganda. Quando uma modelo come num comercial de chocolate, ela come escondido, como se fosse um pecado, e prova apenas um pedacinho minúsculo. Nada de comer uma barra inteira. E o chocolate nesses comerciais está quase sempre associado a sexo, ao prazer proibido. Portanto, ver uma mulher, ainda mais uma mulher acima do peso, colocar um frango inteiro na boca — ahn, só pode ser paródia. Mesmo.
Detalhe: Nancy é uma “size 12”, que equivale a 40 ou 42 no Brasil. Ou seja, ela só pode ser considerada gorda num mundo em que o size 0 é visto como desejável. O size 12, afinal, é a média das mulheres americanas. Ainda assim, só costuma ser vendido em lojas especializadas em tamanhos grandes. Eu sempre pensei que o capitalismo fosse mais inteligente. Como que um padrão pode ser visto como fora do padrão? Tem alguma lógica nisso? Nenhuma, exceto que moda é sinônimo de elitismo. Logo, não quer ser associada a qualquer uma. E “qualquer uma”, no caso, somos praticamente todas nós.
Que venham mais rebeldias como a de Nancy.

68 comentários:

disse...

hahahaha Adorei! E com certeza que venham mais rebeldias como a de Nancy.

Thiago Vieira disse...

Adorei. Tenho uma namorada voluptosa e ADORO que ela seja assim. Mas ela já sofreu um bocado por isso. Portanto, que a internet e o cyberativismo tragam mais Nancys!

Juliana disse...

isso é que é um bullying coletivo, hein?! ainda bem que existia uma mulher corajosa para dar o troco merecido.
mto corajosa e tb mto bonita.

Lara Spagnol disse...

As fotos de Nancy são realmente um barato, pois antecipam algo que, geralmente ocorre quando a indústria da moda tenta incluir gordinhas: a fabricação de um material no qual as mulheres acima do peso são tratadas mais como exóticas, como café-com-leite do que como o restante das modelos. Porém acho que o caminho é de melhoria. Se hoje existe a proposta de realizar ensaios com gordinhas, isso já é um certo avanço em relação a aceitação de mulheres com corpos não-esqueléticos na publicidade. Porém discordo de uma observação: o que atrai as garotas para o mundo da moda parece ser, além do glamour (talvez falso, talvez não) subentendido nesta carreira, a questão financeira. Uma top model ganha muito dinheiro, e aparentemente vive cercada de mordomias. Isso seduz, sim, muitas adolescentes, principalmente aquelas que cresceram ouvindo mais sobre sua beleza que sobre sua personalidade. Esta indústria trata mal as mulheres? Sim. Mas também rende a elas muito dinheiro. Acredito que, para quem tenha este tipo de ambição, seja também uma questão de escolha de carreira, e não só uma questão de imposição.

Roberta Nunes disse...

Sou leitora assídua do blog, Lola, mas comentei uma ou duas vezes.
Essa ditadura do manequim 38, realmente, é cruel.
Eu sempre fui muito magrinha e baixinha (tenho 1,50m). Depois que minha filha nasceu, engordei.
Um dia, um tio que eu não via há um tempão, me olhou HORRORIZADO, como se eu tivesse me transformado num mostro. Eu deixei os 38kg pra trás e hoje ando pela faixa dos 53kg,54kg.
Me sinto mais bonita assim, e mais feliz.
Mas, naquele momento, fiquei confusa e triste.
Qual foi o crime que cometi: Larguei o manequim 36 e pulei para o 42. Nossa! Que horror!
Na verdade, considero meu aumento de peso uma aquisição de gostosura.
Ponto.
Me olho no espelho e me acho gatíssima.
Abuso dos meus decotes com peitões 44 e tenho sim a barriguinha de mãe e cervejeira/botequeira com todo o orgulho.
Esse ato de rebeldia na Nancy faz parte de um movimento que deveria ter começado há muito: pessoas são diferentes umas das outras, pq padronizar?
Ainda bem que tem gente que não só percebe essas diferenças, como também mostra isso pro mundo, como a Nathalie Gingold, e o seu Musas de Si: http://agrandegaia.wordpress.com/2011/05/25/musas-de-si/

Daní Montper disse...

Postei essa notícia aqui no post cheinhas de si!
Achei isso o máximo, tem mais é que trollar essas marcas.

menina_pati disse...

Eu achei as fotos divertidas, mas pra ser sincera não vi esse absurdo todo na proposta da American Apparel.

Muitas marcas - infelizmente não a maioria - estão passando a produzir para pessoas "plus size" o que quer que isso signifique. Porque o capitalismo é um sistema falho, mas nem tanto.

Eu acho que a American Apparel é uma marca com marketing com estratégia de marketing questionável em todos os aspectos e sempre me senti realmente incomodada com os anúncios. Sâo feios. São ofensivos. São - como diz meu primo mais novo: toscos. parecem saídos de uma revista pornô barata.

No entanto, eu acho que teve um exagero na reação. O dono da empresa, por mais cretino que seja pessoalmente, tem todo o direito de querer centrar em outra parcela da população; as gordas. Se a campanha foi tosca ou não, é outro mérito; sem falar que ser ridículo é uma constante com essa marca e o dono.

Debater se tamanho 40-42 é ser gordo é outra história. Aliás, eu acho que o debate nem deveria ser isso; porque ao meu ver é sim tamanho para pessoas mais cheias/gordinhas, use o termo que preferir. Não vejo problema algum em dizer isso. O problema é dizer que pessoas que não vestem 34 são feias/preguiçosas/nojentas/etc.

O que me entristece de verdade é essa obsessão com a objetificaçâo constante da mulher. Uma mulher que veste 46 pode ser mto bonita dependendo de como se veste apresenta - e o mesmo é válido para uma mulher que veste 36.

Eu sei que uma boa parcela das pessoas não pensa assim, mas eu cansei de me objetificar e fazer o mesmo com as outras mulheres.

Tanize Monnerat disse...

Tb adorei a postura da Nancy, super apoio!
Principalmente porque foi só diante da possível falência que a AA decidiu "incluir".
Mas "incluir" não é uma tendência não. Só marcas que não são de luxo fazem tamanhos maiores, e, na maioria das vezes, fazem isso só aumentando a quantidade de pano e não readaptando a modelagem aos corpos mais voluptuosos. As roupas continuam vestindo mal. Não há preocupação com o formato dos corpos maiores.
Enquanto as marcas de luxo precisam se manter exclusivas para se manter de luxo.

ana disse...

Parabéns pelo post, Lola, está fantástico como sempre!

Sou estilista e estudante de Moda, mas vivo num universo paralelo dentro desse mundo cruel que é a Moda. Não dou bola para marcas, não sigo tendências, minhas criações são alternativas e nunca pagaria 100 reais por uma bolsa ou por uma calça jeans. Isso diz muita coisa sobre mim, né? Quando você começa a trabalhar na indústria da moda (e eu comecei com 16 anos), começa e enxergar coisas que não percebia antes. É como tomar a pílula vermelha. Isso porque eu sempre fui uma garota inteligente, rebelde e crítica. As "ovelhinhas" simplesmente aceitam e continuam amando esse mundinho fashion. O mundo fashion é escroto. Podre e cruel. Mas isso vocês já sabiam. Isso envolve tudo, desde a maneira como são forjadas as tendências até a fase final de venda, a publicidade, etc. E as mulheres são as que saem prejudicadas, pois se veêm obrigadas a se adequar a um padrão que não é real. O chumbo é grosso e vem de todos os lados: da TV, as atrizes, modelos, mas principalmente das lojas. Quem é gordinha (leia-se: mulher normal) vai descobrir que pra comprar roupas vai ter que desembolsar pelo menos 40% a mais no valor da compra. Eu trabalhei durante algum tempo para uma marca de "moda grande e moda senhora", e nossas peças eram até baratas em comparação com outras do mercado. Mas o preconceito vinha de dentro da sala de criação. Um dia quase fui demitida porque mandei para a fábrica uma ordem de produção para um lote de peças pink (um luxo!) em tamanho grande. Minha chefe, gorda, quase enfartou e disse "Uma gordinha jamais veste uma roupa de uma cor assim, chamativa!" Dispensa comentários. Para finalizar o drama, tenho mais uma coisa a dizer. Eu sou magra, magra normal e não esquelética como uma atriz da globo. Tenho 1,63m e peso 59 kg, um peso saudável. Tenho 98 cm de quadril e não entro em nenhuma calça 40. Estou comprando calças tamanho 42. Moro no sul, e compro em lojas populares, como Renner, C&A. Porque? As marcas estão encolhendo os tamanhos. Para nos obrigar a emagrecer. Eu sou magra e visto 42, pode? Minha irmã é alta, mais gordinha, e veste 46. Desse jeito as mulheres começam a se sentir cada vez mais frustradas e baleias. Fora que é impossível achar um jeans maior que 46 em um shopping. Vejo como minha responsabilidade como estilista, e também dos publicitários, mudar essa mentalidade. A mudança tem que começar por aqui. Se um dia eu chegar a ser uma estilista um pouquinho famosa, não vou aceitar garotas magras nos meus desfiles e campanhas.

Beijos!

Mariana. disse...

40/42 só é roupa p gorda se o seu conceito de obesidade estiver pautado pela indústria cruel da moda.

O meu não esta. Eu uso 38 ou 40 (dependendo da forma. aliás, uma coisa que me revolta: os tamanhos não serem padronizados). Definitivamente, não sou gorda. 1,72, pesando 62 kg é ser gordo?! No mundo da moda sim, no mundo real não. Meu pai acha que eu sou gorda. Acho que pq sempre fui magrela ao extremo, até os 14 anos. Agora tenho peitão, pernão, bunda, cintura e os ossinhos não são tão evidentes. Daí, sou classificada como gorda.

Pelo amor, gordo é manequim 48, 50.

Ukiyou disse...

A atitude de Nancy foi interessante. Essas coisas são ótimas para incentivar o diálogo e a discussão de temas assim por pessoas que jamais teriam parado pra pensar.

Mas Lola, não entendi bem esse vídeo "Poses". A premissa parece interessante, mas achei muito mal executada. E a sua idéia dele em poucas palavras me pareceu algo oriundo de uma visão limitada.
As poses são o menor dos problemas das mulheres da indústria da moda.

Não sou a favor do padrão de beleza imposto por ela, mas não acho que as poses das modelos nas fotos deveriam ser chamadas de "patéticas", só por estarem inseridas nesse conceito de beleza magricela. Podia ser uma pose de uma mulher sentada tomando café normalmente, mas a questão não seria a pose, certo?

Mesmo por que as poses das modelos fashion são para formar ângulos com o corpo, formar linhas e direcionar o olhar, e isso só acontece quando se distorce a posição comum do corpo. Não é algo da indústria da moda, isso está nas artes há séculos. E colocar as mulheres paradas na rua imitando poses das fotos não representa nada, pois modelos fotográficas não ficam paradas nas sessões. Elas podem parar por segundos, elas não sofrem com as poses (normalmente). Se for por isso, vamos fazer um protesto contra as escolas de arte, que contratam modelos que posam nus e tem que ficar parados por até 20 ou 30 minutos.

E se for pra reclamar do padrão de beleza, acho que uma mostra de fotos com as mulheres normais nas poses das tops, com uma boa produção, ênfase nas cores, com um bom contraste, seria muito mais eficiente pois não só chamaria atenção para o tema como ressaltaria a beleza natural dessas mulheres, mostrando que a apelação pro corpo esquelético é desnecessária.

Enfim, estou reclamando pois me pareceu uma maneira falha de atacar um problema. Parece que, inclusive, os transeuntes não entenderam nada do que estava acontecendo. A mensagem não passou.

Ukiyou disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Mariana. disse...

p mim o vídeo poses é válido p zuar. também acho hilário o posicionamento das modelos, os caroes, rs. não sei qual foi a intensão da idealizadora do projeto, mas se foi brincar (o que não é menos válido ou menos digno de nota) ela acertou.

L. Archilla disse...

Ia falar o q a Mariana já falou: visto 40-42 e meu IMC é 21,2 (acabei de calcular, haha!). Não chega nem perto do limite de sobrepeso, q é 25. ONDEQUEISSOÉGORDAMEUDEUS?

Qto a estabelecer uma média bem abaixo da média, creio que a indústria lucre com isso, de uma maneira geral. Criando um ideal inatingível vende-se mais medicamentos, alimentos especiais (pra compensar as delícias gordurosas q são lançadas concomitantemente), revistas de dieta, cosméticos, tratamentos de beleza, aparelhos de ginástica e até mesmo roupas, uma vez que, a mulher, frustrada, vai comprar loucamente peças que "emagreçam", "alonguem a silhueta", "disfarcem pneuzinhos", sempre à espera de um milagre.

Obs: alguém aí viu o Miss Universo ontem? O que era aquele desfile de biquíni, gente?? Com exceção de uma ou duas, dava pra contar as costelas das concorrentes! Credo!

Natália disse...

Hahaha 10 essas fotos! ah junk tbeh uma gíria pra popozao

Mariana. disse...

eu vi o miss universo e algumas concorrentes me assustaram pela magreza! o que eram a miss EUA e a miss austrália?! só osso, gente...

não costumava ser assim. misses nunca foram tão modelos como agora. mas fiquei feliz pq ganhou a miss p quem eu estava torcendo, a miss angola. uma das mulheres mais lindas que já vi.

Mariana. disse...

ahh, e essa de IMC só serve p chamar alguém de gordo, alertando para a saúde, como sempre... "fulano, você precisa perder peso, seu imc denuncia q vc está obeso". Meu IMC também está bem abaixo dos 25 (a partir daí você tem sobrepeso) e mesmo assim estou longe dos padrões impostos pela mídia. Alguém com a minha altura, 1,72, deveria, no máximo, pesar 50kg. Bom, nesse caso, claro, o IMC não serve p apontar que essas moças não estão saudáveis (IMC abaixo de 18).

Mariana. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mariana. disse...

ahh, e essa de IMC só serve p chamar alguém de gordo, alertando para a saúde, como sempre... "fulano, você precisa perder peso, seu imc denuncia q vc está obeso". Meu IMC também está bem abaixo dos 25 (a partir daí você tem sobrepeso) e mesmo assim estou longe dos padrões impostos pela mídia. Alguém com a minha altura, 1,72, deveria, no máximo, pesar 50kg. Bom, nesse caso, claro, o IMC não serve p apontar que essas moças não estão saudáveis (IMC abaixo de 18).

Escarlate disse...

Eu que uso 38/40, peito 44, super normal. Mas ainda bem longe do padrão esquelético que se prega. E o Miss Universo de ontem mostrou bem isso: mulheres de mais de 1,75 e bem abaixo dos 60 kg. Os concursos de beleza estão cada vez mais exigentes quanto à magreza das concorrentes.
Alguém viu a Miss Brasil do ano passado? Ela foi desclassificado do Miss Universo pq tinha o "padrão brasileiro": bunda, peito e corpão.

A Nancy ficou muito linda nas fotos, arrazouuu! Acho super válida o "protesto" dela, o texto da campanha é do tipo ofensivo engraçadinho.

lola aronovich disse...

Ana, putz, eu queria um guest post seu sobre a sua experiência na indústria na moda. É uma percepção que todo mundo tem que os tamanhos estão encolhendo, que uma calça 38 hoje era a 42 de ontem. Mas é legal que alguém de dentro da indústria diga isso. Aí vc tb pode explicar algumas coisas. Por exemplo, toda vez que a moda é criticada aqui no blog, vem alguma estilista ou aluna de Moda dizer que existe a preocupação com formas mais realistas, que vcs têm que fazer roupas pra mulheres maiores, fugir do padrão único e tal. E eu acredito em vcs. Não consigo imaginar uma faculdade de Moda que trabalhe apenas com o padrão de beleza. Mas por que isso que vcs estudam e aprendem não se espalha? Por que não reflete no que é vendido, no produto final? Adorei seu comentário, e adoraria se vc pudesse desenvolvê-lo pra ser um guest post.

lola aronovich disse...

Ukiyou, as poses que as modelos têm que fazer / ou fazem sozinhas, de repente, SÃO um problema sim. São essas poses que passam o que é femininidade e o que é masculinidade. Compare as poses de modelos homens com as de modelos mulheres. Compare as poses de meninas e meninos. Compare as poses de super heróis e super heroínas. A pose “sexy”, submissa, passiva, fazendo caras e caretas, é sempre da mulher. O homem é mostrado fazendo coisas, em atividade, ou com cara de poderoso. Vc consegue imaginar algum anúncio de moda masculina com um modelo fazendo essas poses patéticas que aparecem no vídeo? Imagina um homem chupando o dedão, ou cobrindo metade do rosto com alguma coisa, e a boca aberta? Não seria ridículo? Então por que essas poses são aceitáveis pra mulheres? Aí é que entra o vídeo: a diretora quer dizer que essas poses são ridículas. Que são ridículas no anúncio e que ficam ainda mais ridículas no mundo real. As pessoas ficarem chocadas ou sentirem-se desconfortáveis com essas poses é justamente o que a diretora queria. As reações das pessoas dão o tom de como essas poses não têm nada a ver com o mundo real.

Kaká disse...

Essa fotos da Nancy são ótimaaaas!

Flavia Vianna disse...

Lola, eu já conhecia esse ensaio fotográfico da Nancy e rolei de rir com as fotos. Foi um protesto muito criativo e, ao mesmo tempo, divertido.

Me surpreende os americanos acharem o 40/42 tamanho de gordinhos. E meu medo é que a indústria brasileira de roupas siga o mesmo caminho.

A propósito, meu maniquim é 36. Mas houve um dia em que, numa loja, o 36 ficou largo. Se fiquei feliz? Nada, entrei em pânico!

Pri disse...

Claro,é ótimo q queiram produzir ensaios com mulheres fora do padrão imposto pela indústria da moda,agora,isso vindo de uma empresa q até então AFIRMAVA QUE ESSE Ñ É SEU PÚBLICO,então,na hora do desespero esse público serve?Sabe,acho q antes disso,essa empresa talvez tentasse demonstrar respeito,revendo suas declarações e histórico, apresentando uma proposta VÁLIDA, onde provasse q a política da empresa estava equivocada até o momento e q estavam revendo conceitos errôneos,demonstrando sua aceitação de q existem PESSOAS de todos os tamanhos e formas, e q seu público alvo são PESSOAS independente de seus físicos, QUEM SABE teriam algum argumento.
Ainda SE fosse assim, uma proposta desse tipo invalida todo o resto. Além de ser uma campanha ridicula q ataca diretamente quem eles querem cachotear, não é a melhor forma de escolher uma pessoa realmente talentosa para o trabalho, já q popularidade nem sempre significa talento. Claro que não é o caso da Nancy (popularidade e talento de sobra, além de ter capacidade de fazer uma análise verdadeira sobre a intenção de tal empresa,percebendo q o melhor é boicotar mesmo).
Essa NÃO É A FORMA CORRETA de começar algo nunca feito na empresa.Lamento que ainda existam mulheres que criticam a Nancy.

Agora, se me perdoem a intromissão. Lola e leitores, estou começando agora a conhecer o blog, e o
"GUEST POST: MINHA FILHA QUER SER MISS! ONDE FOI QUE ERREI?" me deixou com várias dúvidas e opiniões, que achei pertinente à esse post tbm.

Essa mãe, apoio completamente, essa supervalorização do padrão deve ser combatida imediatamente e nunca apoiada.

Sei que os concursos de beleza se baseiam em algo completamente equivocado, mas, não penso que a melhor forma disso é apenas não participar e não querer que participem.

Penso que, assim como em profissões onde mulheres são desvalorizadas ou valorizadas pelas razões erradas, existe uma forma de mudar isso. E começa com mulheres que não "atingiram o padrão (palavrinha que me irrita essa)" desafiarem e irem em frente, assim como Nancy no post. Claro que mulheres que se propuserem a isso serão chacoteadas, humilhadas, ofendidas e ridicularizadas, pois as pessoas acham que não são o público alvo de concursos de beleza, e sentem-se no direito de agredir.

Não sei se estou conseguindo me expressar, não sou acostumada a comentar em blogs, comecei agora.

Mas, pensem comigo, se em vagas para esses concursos, existirem proporcionalmente todos os tipos de mulheres, principalmente em concursos onde se ganha por popularidade (assim como Nancy o fez), creio que será o primeiro passo para a sociedade mudar seus conceitos, e enchergar mulheres que antes se escondiam, e que agora provam que beleza é relativa, mas a capacidade de ver o mundo de forma critica nada tem a ver com isso.

Penso que, além de mostrar ao mundo que não somos um pedaço de carne, que não somos objetos para erotização, devemos provar como é absurdo apenas um tipo de mulher ganhar concursos de beleza, a chamada mulher perfeita.

Isso mudaria completamente a forma como esses concursos são elaborados, e o aspecto físico seria o de menos para se avaliar a candidata. Quem sabe, às finais dos concursos, teriam menos pessoas esperando gafes quando mulheres respondem questões importantes, e mais pessoas aguardando a importante visão de uma pessoa que não apenas decorou respostas para um concurso, mas que está no concurso por pensar assim e almejar mudanças em uma sociedade machista.

Leva tempo, mas é possível. Com o tempo, a sociedade começa a enchergar como não tem sentido na forma como esses concursos agem. Isso levaria a uma espécie de extinção concursos de beleza, já que isso não seria mais motivo para avaliar se uma mulher é mais mulher ou melhor que a outra somente por ser "padrão", da mesma forma que seria ridiculo um concurso de macheza para ver o quanto um homem é "homem", completamente dispensável.

Espero que tenha conseguido me expressar..

Abraços

dialecticbeans disse...

Ola Lola,
É incrível mesmo essa postura que muitas lojas adotam de nao produzirem numeros maiores. Lojas como Guess, Mango (loja da Penélope Cruz), nao vendem numeros maiores que 8!!! E olha que o 8 deles é basicamente um 4.
Enquanto isso, o governo do Canada lança campanhas para combater os distúrbios alimentares pq o numero de adolescentes morrendo por causa de anorexia aumentou drasticamente... Muito triste este cenário...
Um abraçao Lola!
Ka
dialecticbeans.wordpress.com

Lara Spagnol disse...

Voltei, mas é que a questão do vídeo Poses me incomodou um pouco. É fato que as poses que aparecem em editoriais não são parecidas com o real, porém, um editorial se pretende real ou tem a ver com uma criação ficcional? Um desfile de moda representa a roupa, como a conheceremos na loja, ou um conceito que é guia para uma determinada coleção? Acho que a questão é justamente esta. A pose é uma interpretação, a modelo que posa assume uma personagem num contexto fictício, que é o editorial de moda. O que se vende no editorial não é a roupa, é justamente a ilusão, a fantasia. Talvez aí esteja o motivo de as poses serem absurdas e causarem estranhamento quando deslocadas de seu contexto original (como é o que ocorre, por exemplo, quando se faz o contrário, deslocando cadeiras ou rodas de bicicleta para dentro de um museu).
Quanto a não haver homens em poses estranhas ou absurdas, talvez isso tenha a ver também com o fato do tratamento do público masculino como consumidor. Especulando, talvez o homem seja julgado como menos consumidor de fantasia e mais consumidor de utilidades, por isso a roupa colocada em seu local de uso (o terno pro trabalho, o tênis prá corrida, e etc).

Não que a moda (e o consumo e a publicidade como um todo) não seja cruel. Eu concordo que seja. Mas muito também por vender uma ilusão inatingível - como é o que mostra o post e o debate dos comentários - do que por retratar mulheres em poses absurdas.

Lara Spagnol disse...

(Sim, eu sei que por trás dessa concepção de mulher fantasiosa e homem prático há um machismo arraigado. O que quero dizer é que não considero por si só as poses-padrão, pois sei que há exceções, como cruéis com as mulheres.)

Thiago Nogueira disse...

"Coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra pra ser formosa?" (Roberto Carlos)

ana disse...

Lola, estou me sentindo honrada com o seu convite! Vou escrever sim um texto sobre a indústria da moda e as muheres reais. Te envio ainda essa semana!

E outra coisa: em resposta a um comentário acima, Ukiyou: as modelos sofrem, sim, com as poses nas sessões de foto. Pergunte para qualquer modelo. Eu já posei para um ensaio de moda, informalmente, para um amigo que é fotógrafo. E sofri MUITO com a direção de fotografia. Não é só ficar parada durante 2 ou 3 segundos. Cada foto sai em vários takes. Você tem que ficar parada em posições nada confortáveis, na ponta dos pés, com as costas arqueadas para trás... enfim. Fora quando a foto não fica boa, e precisa fazer outra. Só que as modelos ganham para isso, e as profissionais com certeza se acostumam.
E concordo com você no sentido de que as formas do corpo são exploradas em posições inusitadas pela arte desde sempre, e que isso não é exclusividade da moda atual. Estes ensaios são artísticos mesmo, não atingiriam seu objetivo conceitual se mostrassem mulheres em posições cotidianas.

Letícia disse...

Nossa que bom que achei seu blog, alguém postou no twitter e entrei.
Adorei a ousadia da Nancy, eu queria muito ser assim desencanada com meu meu peso.
Eu sempre tive problemas em ser gordinha, nem vou estender o assunto, é aqueles todas nós sabemos. Problema é que de uns tempos pra cá a coisa começou a piorar. Comecei a ficar paranóica, a pensar nisso o tempo todo, a me sentir inferior a todo mundo. Há um ano e meio mais ou menos, nem sei como direito, desenvolvi, com o perdão da palavra, essa merda de bulimia. Vai contra tudo o que eu penso, sabe, não sou uma garota bobinha e influenciável, não ligo para o peso dos outros, não sou de escolher pessoas pela beleza mas de mim eu me cobro muito. E sim, eu emagreci bastante, foi ótimo. Mas agora depois de muito tratamento tô voltando a sair com meus amigos e isso implica em comida + bebida e não dá para vomitar. Aí eu engordo. Aí eu me sinto péssima novamente e me tranco em casa e fico me matando. Além da paranóia, agora tenho pressão baixa, tonturas, meus cabelos caem, e eu me sinto culpada pelo fato de sair e me divertir e não por tudo pra fora depois.
Enfim, desculpa o desabafo, eu só queria agradecer mesmo por pessoas como vc que preciso muito pra criar alguma auto-estima. =]

Calíope disse...

Lola, nunca consegui me conformar com a política ditatorial da moda. Sempre fiquei putérrima, digamos assim, por me enquadrar em seus malditos padrões. Cansei de ouvir comentários sobre minha magreza, meu cabelo liso, minha pele sem espinhas, meus olhos verdes.. Sempre se esqueceram de me dizer os elogios que realmente pesam pra mim: minha nota em gramática, a redação fodástica que escrevi, os desenhos que penduro pelas paredes do meu quarto... Odeio os padrões e sempre que o assunto vem à tona, me lembro de uma propaganda do Boticário. Uma em que aparecia muitas vezes a mesma mulher, como se ela fosse várias; sempre coma a mesma roupa, com o mesmo cabelo - cortado estilo tigelinha - enfim, tudo igual em um mundo monocromático. Repentinamente, uma dessas mulheres se deparava com um loja O Boticário. Ela compra um batom. Ela o prova. Ela sai na rua e TCHA-RAN, ela se destaca! "A moda diferencia a beleza" ou alguma frase de impacto nesse sentido. Quando vi a propaganda, criou-se uma luta interna no meu eu: a propaganda era linda e cem por cento convincente (porque se usou de um método de discurso perlocucionário), mas demolia meu argumento de que a moda padroniza conceitos, prega ideologias. Procure a propaganda, se não conhecer, é linda mesmo.

Drixz disse...

Aqui na Suécia, normalmente tem bastante desses tamanhos. Mas outro dia vi numa loja uma coisa que achei super legal. Tem uma seção inteira para tamanhos maiores e eles não fazem diferença entre grávidas ou gordinhas, colocam "grandiosa". Mas como o meu sueco não é muito bom, não sei se é pejorativo ou não, mas em português até que ficaria legal.

bruna disse...

Incrível o ensaio da Nancy. Vou trabalhar com ele em sala de aula amanhã com minhas alunas adolescentes Lola. Prestes a prestarem vestibular, os alunos observam as mudanças no corpo: como se já não bastassem os hormônios em ebulição, a alimentação muda porque eles comem muito fora em virtude da quantidade de aulas, o sono muda, o que altera o metabolismo, fora isso há ansiedade, cobranças, escolha da profissão, enfim..... Alguns emagrecem, outros engordam, mas o "sobrepeso", que nem é tão sobrepeso, é um elemento que vira um fantasma na vida principalmente das meninas ( Que tem que estar lindas né, como se toda a enorme responsabilidade já não bastasse). Então, muitas estão passando com um iogurte por dia, o que nem de longe supre as necessidades de quem está em fase de crescimento. Se há 5 anos via as meninas malharem a ponto de desmaiar, hoje as vejo apostarem quem come menos em uma semana e achar isso o máximo. Vejo muitas alunas impressionadas com blogs que se acham muito modernos e trazem propostas de por exemplo passar um ano sem comprar e sair todos os dias linda de casa. Ora, este pensamento não critica o consumo a qualquer custo, muito pelo contrário uma vez que ela patrocina outras ( vê lá: chama-se um ano sem zara). Como a geração é a da imagem, a Nancy prestou um grande favor ao utilizar cenografia e poses irônicas da indústria da moda. Fará toda diferença para as minhas alunas.

Rubens disse...

Muito boa a atitude da Nancy acho importante ter esse contraponto.E ela é linda, aliás há tantas mulheres "cheinhas" que são lindas e dão banho nas magras...

Sobre o projeto do "poses" é preciso distinguir as coisas:

Uma coisa é angulatura, que forma a linha (e é pensada para fazer contraste com o fundo, usando os espaços em branco)

Outra coisa é a expressão que é exagerada de propósito para dar enfase.Não se escolhe aquelas caras de peixe morto por escolher

Outra coisa é a posição submissa, essa sim valeria a critica, já que ela é proposta assim justamente para passar uma mensagem implicita ao publico alvo.

Mas é preciso ser um professional da área pra fazer essa distinção, criticar pra tirar sarro por si só perde qualquer efeito de diálogo

Rebecca disse...

Oi Lola =)

Eu confesso que jpa tinha visto as fotos da Nancy e achado super justa a motivação!

Viva a diversidade né, gente! Não dá pra se sentir bonita só se você for alta, magérrima, de olhos claros e cabelo liso.

Desde que isso não condene sua saúde, qual o problema de vestir tamanhos 40/42/44? Eu acho uma beleza muito mais realista do que por mulheres que pesam 50kg numa passarela. Enfim... Vamos torcer para que essas transformações continuem ocorrendo ;)

Adoro o blog, Lola! Mais uma vez, você está de parabéns!

Ana Gabardo disse...

Acho ótimo essas críticas pras lojas que vendem mini-roupas.
Já participei de desfiles (de penteados e cortes de cabelo, não de roupas) e mesmo assim foi um sufoco. Porque mesmo usando manequim 40, vestir os figurinos é complicado. Em um desses desfiles uma menina disse "Agora eu uso 38, porque estou gorda. A agência vai me dar uma bronca". E eu fiquei pensando "Wtf, essa menina tá gorda?!"
Autoestima em baixa é uma coisa. Se olhar no espelho, usando manequim 38 e se achar gorda beira à loucura.

Rê_Ayla disse...

ADOREI o q essa Nancy fez - compartilhando com as amigas já.

lola aronovich disse...

Calíope, querida, gostei muito disso que vc disse: “Sempre se esqueceram de me dizer os elogios que realmente pesam pra mim: minha nota em gramática, a redação fodástica que escrevi, os desenhos que penduro pelas paredes do meu quarto...”.
Mas, sobre o comercial do Boticário, se é deste que vc está falando, lamento não ter a mesma opinião.


Que legal, Ana, escreva sim! Fico aguardando o guest post! Não precisa ser pra já já já...

Vanessa A. disse...

Bruna, sobre esse blog, "Um Ano sem Zara", ele não tem nada a ver diretamente com a marca. Eu o acompanho e a ideia da dona dele, a Jojo, era parar com o consumismo desenfreado que ela própria tinha pra sair do vermelho, o slogan do blog até é "ajudando mulheres a serem felizes com seus armários" ou coisa do tipo. A ideia é ótima, de que vc não precisa comprar loucamente pra acompanhar a "tendência" e ela dá ótimos truques de transformação de roupas (eu mesma já usei a dica de usar vestido como saia diversas vezes!)

O blog tá na moda sim, mas ela sempre faz questão de frisar que cada uma tem que se respeitar. Há outros blogs muito mais prejudiciais pra cabecinhas adolescentes.

E sobre esse papo todo de auto-aceitação, escuto sempre que tô gorda, sim, eu visto 48, tenho 1,72m e 96 kg, mas quando pesava 70, também me taxavam como gorda, ou seja, não há critério, só o de diminuir ou ridicularizar. Já me odiei muito cada pedaço do meu corpo, mas agora prefiro focar no que posso fazer com ele. Minhas unhas são feias/curtas? Mas ainda consigo deixar as pessoas arrepiadas quando as passo na nuca delas. Minhas barriga é flácida? Ainda sinto cócegas. Meus pés são grandes? Posso correr até onde eu aguentar. Meu olho é torto? Ainda vejo um monte de gente bonita por aí.

Liana disse...

Demais a provocação da Nancy. Eu já havia lido sobre essa American Apparel e quando vi o site com foto de uma modelo muito jovem, aparentando ser menor, nua em pose pornô com cara de dopada fiquei muito chocada, e ainda tem uma parte infantil no site, as crianças entram e veem aquilo. Podre mas é o que faz sucesso.


Tem um video* da Feminist Frequency que é feito pela Anita Sarkeesian e que fala sobre a American Apparel. Vou babar o ovo dela aqui, ela é ótima, faz vídeos de excelente qualidade com um viés feminista sobre sexismo na mídia, desde tv aos comics. Vale muito a pena dar uma olhada no canal dela. Já fizeram um post sobre ela lá no Blogueiras Feministas.

* http://www.youtube.com/watch?v=y5YEDawFYI4

Sobre o "Poses", quando eu vi não fiquei pensando no ponto de vista de quem trabalha com arte, das modelos, das publicações etc. Eu entendi que aquilo ali representa o estranhamento da mulher comum diante de algo tão esdrúxulo, tão fora da nossa realidade(as tais poses super artísticas, tão hiper dentro de um über contexto mega criativo) que só o ridículo da imitação seria fiel o suficiente para retratar esse sentimento que jaz dentro de nós ao folhearmos aquelas revistas "de moda" com suas modelos em poses bizarras e supostamente bonitas em termos estéticos. Acontece que nem todas veem beleza naquilo mas ainda assim compram e fica uma coisa meio esquizofrênica, daí o "Poses". Bem, foi isso que eu senti quando assisti.

Vanessa A. disse...

E sim, minha maior dificuldade é comprar roupa, só acho nas lojas que trabalham com tamanhos """"especiais"""". Queria aprender a costurar pra fazer minhas próprias roupas, mas me falta tempo (e nem venham me falar que tempo a gente arruma pq tô ocupado de 6h às 1h da manhã do dia seguinte hahaha) enquanto não aprendo, vou tentar fazer alguns vestidos numa costureira que vou promover a minha estilista particular em pouco tempo.

Honra teu ocio disse...

LOLA
ajude a denunciar este site,
que faz apologia ao racismo, pedofilia e homofobia, além de outros absurdos:
http://www.silviokoerich.com/

Caio Ricardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Liana disse...

Já denunciei esse site, pela terceira vez.

lola aronovich disse...

A maior parte das pessoas que pede pra denunciar esses sites/blogs racistas, misóginos, homofóbicos e cheios de ódio são pessoas querendo divulgar os tais sites/blogs. Não raro, são as mesmas pessoas que tocam esses sites/blogs asquerosos. Faz uns trinta dias, eu pedi (mas só aqui nos comentários, sem colocar num post ou no Twitter, pra não divulgar muito) pr@s leitor@s denunciarem o blog desse Silvio Koerich (que é um mascu que sumiu quando aconteceu o massacre de Realengo; ele fechou o blog em agosto, mas dizem que os Sanctos, que também são mascus, o reabriram ou hackearam, e fazem isso pra deixar mal os "Guerreiros da Real" dos quais são inimigos. Sinceramente, não vejo A MENOR diferença entre um grupo mascu e outro. São todos misóginos, racistas e homofóbicos). A Safernet não faz absolutamente nada, e o site da Polícia Federal sequer responde os emails. Um mês atrás, conseguimos tirar o blog do Búfalo do ar, mas apenas porque algumas leitoras o denunciaram ao provedor, que era o Wordpress. Mas logo o blog voltou. Inclusive, recebi um email deles dizendo que agora eles estavam hospedados num provedor internacional, impossível de ser denunciado/criminalizado. E disseram que vão destruir minha reputação. E me chamam de vadia e tudo mais. Enfim. Já que parece que a internet é uma terra sem lei, e que não dá pra tirar esses blogs criminosos do ar, minha sugestão é deixá-los falando sozinhos. Eles querem repercussão! Um blog de ódio que não é falado não tem motivação pra continuar.

Mayara disse...

podem me matar mas eu sou magra (1.52m e 40 kg) e sinto preconceito ao contrário viu..... acham que eu tenho anorexia bla bla bla.... hehehe
e qdo eu era nova meu sonho era ser modelo sim.... mas enquanto eu era menor meus pais nao deixavam, acabei casando e engravidando cedo com 18 anos, mas foi a melhor coisa que eu fiz, sou muito feliz com minha filha e queria sair de casa logo mesmo! beijos

... disse...

Enquanto vocês ficam aí escrevendo besteiras a pilha de louça vai só aumentando.

Cherry disse...

kkkkkkkk

inteligente, espirituosa, crítica e linda!

lola aronovich disse...

Nossa, três pontinhos! Como vc é criativo! A gente nunca ouviu essa... hoje.


Mayara, sabemos que magras também sofrem ofensas e preconceitos. Aguarde um ótimo guest post sobre o tema.

J. Machado disse...

fui inventar de entrar nesse site mascus que falaram nos comentarios e tive o desprazer de ler textos fazendo apologia a pedofilia e ver fotos de meninas inocentes em poses provocantes. Lola, ja q vc disse q quem pede pra denunciar quer mais é fazer repercutir a coisa, é melhor deletar o comentario onde traz o link, pra não dar audiencia. Apesar das experiencias de vida e da mídia veiculando tanta coisa ruim, fico triste em ver tão de perto a mente corrompida de tantas pessoas e pior: vc vê que todas elas fazem essas coisas sem um pingo de remorso. Triste...

Somnia Carvalho disse...

Lolissima, muita coisa pra comentar nao?

- a ideia do guest post da ana e otima! fiquei curiosa para ler tambem!

- eu tenho um odio danado de comprar roupa no brasil... ao menos na suecia meu tamanho sempre foi 40 e aqui exatamente com o mesmo peso eu preciso comprar 42. As vezes 44... meo! e eu que sempre fui a mais magricela do mundo!

- tambem adorei a ideia de um post sobre preconceito contra magreza... ja falei muito disso, mas na escola eu sofri tanto quanto minhas amiguinhas gordas. Sem contar que sofria qualquer uma que não fosse loirinha, pequenina, de cintura fina e bum bum maior, com proporcoes "certas" e rostinho bonitinho...
Desenvolvi parte de minha personalidade tentando refutar o preconceito dos colegas em sala... Ser a olivia palito, o pau de virar tripa, pau de cutucar onça, magreça, tudo o tempo todo era taooo cansativo que minha unica saida era...

estapear os moleques! na cara! literalmente falando... e eu nao to brincando... rs

ou seja, eu me tornei uma pessoa muito,mais muito mais agressiva para tentar nao ser agredida...

Denise disse...

Lola,

O tamanho médio das mulheres Americanas é o 14 que eqüivale ao 46 do Brasil. E não é fácil achar roupas para alguém de número 14 ou acima. Meu caso é acima no momento e não é mole... Já perdi a vontade ou o prazer de comprar roupas.
Enfim, no Brasil nem vou tentar. As coisas aqui já estão absurdamente caras (outro dia vi um sapato lindo... 183 reais!?!), achar roupa para alguém de manequim 48 só em casa especializada para gordo.
Deprimente.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

A maioria das mulheres que conheço tem algum probleminha na hora de comprar uma roupa, principalmente calça jeans.
Sempre tem pano sobrando em algum lugar ou faltando em outro, como se pra ficar bem em uma calça, a pessoa tivesse que ter as medidas exatas que tal estilista imaginou.
Parece que nós é que temos que nos adaptar as roupas e não elas a nós.

Patrícia ♥ disse...

adorei aqui!!

estou seguindo..
retribui??

beijos
http://momentosdapathy.blogspot.com
http://pathyoliver.blogspot.com

Danielle disse...

lola,sei que não tem nada a ver com o post,e,provavelmente vc já viu essa notícia.
mas enfim,achei um absurdo os ataques que estão sendo feitos a nova miss universo só por ser negra,como esse :

http://odia.terra.com.br/portal/diversaoetv/html/2011/9/miss_universo_2011_e_vitima_de_racismo_nas_redes_sociais_191926.html

Mari Lee disse...

Achei o máximo.
Mas ela não é gorda!

Blythestock disse...

ñ é uma crítica, mas a Nancy parece usar um manequim maior - creio q ainda estou mais magra q ela e uso 46, q aliás é terrível de comprar, a maioria das lojas de departamento trabalha até o 44 e ainda assim, um 44 chapado... mesmo meu tamanho é complicado, pq serve no bumbum mas aperta as pernas... o.o
sempre me disseram q nos EUA/UK era mais fácil comprar tamanhos maiores, inclusive conheço 3 sites com peças lindas, mas os preços + envio + impostos pesam muito... não q essas peças "especiais" sejam baratas no Brasil.

lola aronovich disse...

Tô sabendo, Danielle, e tô indignada com os ataques racistas à nova Miss Universo. Amanhã (que já é hoje) vou publicar não um, mas dois posts sobre o Miss Universo -- um sobre o concurso em si, e outro sobre o racismo.


Somnia, querida, se o bullying ajudou a te tornar a pessoa maravilhosa que vc é, então ele não foi de todo ruim!

ana_alice disse...

tem gente que não gosta de ter uma seção especializada nas lojas de departamento, mas eu até gosto. garimpar roupa grande nas outras araras é tão frustrante.
só acho chato quando certas estampas e modelos não são disponibilizados na seção plus size.

ahhh "lojas para gordos" são absurdamente caras, é até paradoxal já que a maior parte das pessoas com sobrepeso é mais pobre (por isso tem uma alimentação ruim e não tem dinheiro e tempo pra academia)

Rê_Ayla disse...

Não te a ver com o post, mas eu PRECISO compartilhar com o maior nº possível de pessoas!

Viram que o Papa foi denunciado, nesta terça, ao Tribunal Penal Internacional por cometer crimes contra a humanidade (acobertar pedofilia)?

http://lifeisdrag.blogspot.com/2011/09/papa-denunciado-por-pedofilia.html

darkgabi disse...

sério q 40/42 só é vendido em lojas especializadas em tamanho grande?? a nancy deve ser mt baixinha pra ser tamanho 40/42, pq eu sou magra [mas atlética: 1,70 e 65kg] e uso 40/42! [sabe as ancas? então..]

fiquei horroizada. pq eu li ali em cima e pior q o meu exemplo, é o da mariana. gente, q mundo deturpado.

e já q comentaram de IMC... essa parada é a maior roubada DA HISTÓRIA! pq o cálculo considera o seu peso bruto e não a percentagem do seu peso q é massa gorda e a que é massa magra. qlqr um q pratique esporte tem um imc mais elevado... os atletas profissionais seriam pessoas obesas!

Paula disse...

Pontos para Nancy! Eu tinha visto o site da votação com as fotos dela no dia que a @Dani Montper colocou lá nos comments do "Cheinhas de Si".

Tou curiosa pra ler o guest post da Ana sobre a indústria da moda e tb sobre preconceito contra magreza!

Adoro isso aqui! :))

Beijo, Lola!

Rê_Ayla disse...

Darkgabi, verdade. Esse negócio de IMC é furada! Meu IMC mesmo aumentou com trabalho muscular mais pesado, pq músculos pesam mais q gordura. Estou com as mesmas medidas q tinha aos 20 (só q passei dos 30), e com IMC maior e peso maiores (e né, atleta q pretendo aumentar ainda mais peso e IMC... sou obesa!)

Ana Paula disse...

Lola

Adorei o post e concordo com tudo. Só quero fazer um parenteses: o tam 40/42 do Brasil não equivale ao 12 do americano. Eu moro aqui e qdo cheguei aos EUA, pesava 52 kg (tenho 1.66 m). Vestia no Brasil o 38/40 (que já estava se tornando cada vez mais frequente pro 40 pq parece que no Brasil as roupas tem ficado cada vez menores). Em termos de P, M ou G, eu usava M ou G pq, mesmo sendo magra, eu sempre tive um pouco de peito (42 era meu sutiã). Qdo cheguei aqui usava calças tam 2/4 e blusas XS (extra small). A modelagem americana é muito , mas muito maior que a brasileira (amo isso!). Depois de engravidar e ter minha filha, peso 60 kg e uso tam 8/10 aqui nos EUA. De jeito nenhum eu entro nas minhas calças 40 do Brasil (nào passa nem do joelho). Nem numa 42 que comprei na minha ultima visita ao Brasil!!! Não sei qual o equivalente pro tam 8/10 mas 12 não é 40/42 de jeito nehhum.

Samantha disse...

Lola,

Complementando o comentário, de fato o size 12 nos EUA não corresponde ao 42 no Brasil.

Comprei recentemente umas calças size 12 nos Estados Unidos que me serviram extremamente bem. Eu tenho 1,59 de altura e peso cerca de 80 quilos. De jeito maneira nenhuma alguém com meu peso e minha altura veste 42. Pelas roupas que eu tenho, o 12 nos EUA seria o 46/48 no Brasil, dependendo da modelagem.

Também discordo da informação de que o size 12 seria difícil de ser comprado em lojas. Em Nova York, qualquer loja de departamentos possuem números que vão do 0 até o 16. XL também existe em todas as lojas, inclusive as de marcas como GAP, Nautica e Ralph Lauren.

O que é difícil de comprar são roupas de marcas como Gucci, Dolci e Gabanna, mas isso é em todo o lugar. Essas, além da modelagem ser micro e própria para anoréxicas, não existe tamanho maior que o 44.

Minha tia, que tem 1,68 de altura e pesa 50 KL, usa normalmente o manequim 36 de roupas normais. dessas roupas de grife, ela chega a usar 42, para você ver o tamanho dos modelos e a noção de peso que as mulheres precisam ter para vestir isso. Nem quero imaginar o peso que alguém precisa ter para usar um Gucci 36.

Caio Ricardo disse...

Até tirei meu comentário com o link do tal blog para depois não falarem que só postei para dar visibilidade a ele.

Anônimo disse...

"O size 12, afinal, é a média das mulheres americanas. Ainda assim, só costuma ser vendido em lojas especializadas em tamanhos grandes"

Lola, moro nos EUA e tamanho 12 pode ser encontrado em lojas de departamentos facilmente. Aliás, minha mãe e eu compramos roupas na mesma loja mesmo com a diferença nos nossos tamanhos: ela veste 12 e eu tamanho 2.