sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CRÍTICA: HISTÓRIAS CRUZADAS / Branca salva negras e combate o racismo

- Obrigada por existir, sinhazinha!

Assim que vi o trailer de Histórias Cruzadas (em inglês, The Help), sabia que aquilo lá ia dar chabu. Percebi de cara que a protagonista não era uma empregada negra do sul dos EUA nos anos 1960, e sim uma jovem branca que decide ajudar as negras, registrando suas vozes num livro. Depois vi a entrevista de uma professora, negra, no fabuloso Colbert Report (você pode ver a entrevista aqui, sem legendas, se bem que a decepção no olhar da professora já diz tudo). Depois de ver o filme, que estreia hoje no Brasil, descobri que negras americanas fizeram um site inteiro só pra basicamente falar mal dele. Aliás, se alguém encontrar alguma negra validando o filme, avise, porque por enquanto tudo que li é unânime (em outros posts pretendo relatar o que elas dizem).
Desculpa, gente, mas sou macaca velha. Posso até gostar (muito!) de filmes que tenham o homem branco como salvador do oprimido povo de qualquer raça (por exemplo, adoro Dança com Lobos, Avatar, Mississippi em Chamas, até O Último Samurai), só que sei que é o tipo de filme feito pra 1) convocar o público liberal branco de classe média pra ver uma história edificante; 2) mostrar que o racismo existe mas que nem todos os brancos são malvados ou responsáveis pelo racismo –- por sinal, alguns são super bonzinhos; 3) aliviar a culpa branca. É possível se envolver com um filme desses (quem não derrama uma catarata do Iguaçu quando o lobinho é assassinado em Dança?), e ainda assim manter uma visão crítica. E não sejamos hipócritas quanto as nossas boas intenções: a gente iria ver O Último Samurai se fosse filmado por japoneses e mostrasse o ponto de vista não de um ocidental bonitão que se transforma no melhor samurai ever, mas de um japonês que salva o próprio povo? Esse tipo de filme encontraria distribuição no mundo? Teria sido feito se não fosse com o Tom? Apesar das críticas das americanas negras, Histórias Cruzadas está indo muito bem. Já tinha rendido 150 milhões de dólares antes das suas quatro indicações pro Oscar. O livro de Kathryn Stockett (que em português chama-se A Resposta) já vendeu mais de 3 milhões de cópias. O livro é dedicado não à empregada negra que a autora disse que a inspirou, mas ao avô. Ao avô branco da autora branca, gico.
Há duas capas. A americana tem três passarinhos, nada a ver com conflitos raciais. A britânica é de duas empregadas negras (sabemos que são empregadas por causa de seu uniforme) cuidando de uma bebê branca que é o centro do universo, ou, pelo menos, da diagramação da capa. E os dizeres: “Um livro que é como se fosse uma grande amiga sobre amor feminino que transcende raça e cor”. Tradução pra lá de capenga, eu sei, mas me diga se tem algo na capa que demonstre qualquer coisa transcendendo qualquer coisa?
Nem na capa, nem no filme. Eu acho engraçado ouvir @s fãs de Histórias dizendo que ele é lindo e sensível quando, na realidade, ele é escatológico pacas. (Vem aí um meio spoiler). Posso não gostar nadinha de uma personagem, mas, honestamente, não desejo que ela tenha que comer torta de m****. Ahn, ficou ambíguo. Digamos, torta de cocô (acento tá no lugar certo? Não tô falando da fruta que não é de deus). Nem que ela seja constantemente bullied por causa disso. Nem que todo mundo morra de rir com sua desgraça. Eu, hein? Parece coisa de soldado americano que mija em cima de cadáver talibã. Não tem graça. Pelo contrário: é ultrajante. Pode ser por esse subtexto escatológico nada sutil que não gostei nem um pouco da atuação de Octavia Spencer (Sete Vidas), indicada à atriz coadjuvante, junto com Jessica Chastain (Árvore da Vida), que faz sua frágil patroa branca. Jessica está bem, mas Octavia me pareceu caricata, exagerada, o estereótipo da mammy (a famigerada figura da criada negra cheia de amor pra dar às crianças brancas de quem cuida. Veja E o Vento Levou, que, não por acaso, representa o primeiro Oscar dado a uma atriz negra, Hattie McDaniel, justamente pelo papel de mammy). Mas pra mim a mais fraca de todo o elenco é a heroína branca, Emma Stone (Zombieland, Superbad). E por mais que eu goste da Bryce Dallas Howard (Crepúsculo: Eclipse, Manderlay, A Vila), que faz a vilã-mór, ela não deveria ter aceitado o papel, que é bem degradante. Aí sobra a Viola Davis (Dúvida, Longe do Paraíso), sempre uma excelente atriz. Mas sua personagem me pareceu um tanto vazia, sem desenvolvimento. Por que ela não pode escrever o livro? Ela é escritora. Não dá pra entender por que as negras confiam na protagonista. Suas motivações em contar as histórias pra uma mulher branca não ficam muito transparentes. E tampouco é convincente o que leva a protagonista a querer escrever sobre elas.
Os homens mal existem nesse filme, pois as vilãs são mulheres. Todo o racismo da história dos EUA foi causado por mulheres brancas, não sabia? Pois é. Tem um marido branco que boceja e inventa uma desculpa pra sair dali assim que a empregada pede um empréstimo. Mas tem um outro marido gente boa pra compensar. A gente ouve falar que a Ku Klux Klan (provavelmente composta por mulheres) matou um negro. Compare qualquer marido/namorado branco no filme com o marido negro (que nunca aparece) de Minny. No livro, a personagem diz que muitos homens negros abandonam suas famílias. Pode até ser verdade, mas falar mal de homens negros num filme que faz dos homens brancos gente boa soa racista.
Há muitos pontos não resolvidos no filme. Uma empregada que precisa de dinheiro pra mandar os filhos pra faculdade é presa, acusada de roubar um anel. O que acontece com ela? Não sabemos. Nunca mais se fala nela. E todas as empregadas que quiçá sofram represálias de suas patroas após o livro ser publicado? O filme não se interessa nisso. Está mais concentrado em mostrar a tristeza de uma menina branca por perder sua mammy. Quantas imagens de garotinha chorando pela janela a gente precisa ver antes do cérebro ser comunicado “Estão querendo que eu chore?”. Uma? Duas? Nenhuma? Pois no filme são quatro. Eu contei.Talvez Histórias Cruzadas tenha sua importância porque ele conta, aparentemente pra quem não sabia, que houve (por que o passado?) muito racismo nos EUA. Mas sabe o que seria mais legal? Deixar que essas mulheres negras contassem a história elas mesmas. E sim: infelizmente, numa Hollywood controlada por homens brancos, a palavra apropriada é mesmo deixar.
Mais sobre Histórias Cruzadas aqui

52 comentários:

Josiane Caetano disse...

Agora fiquei triste mesmo de não ter visto este filme ( difícil ir ao cinema com bebê em casa). Pois, pelo que você escreveu, seria mais um daqueles filmes que a gente assiste só para passar raiva, mas que quase todo mundo que conheço vai achar LINDO e nem vou ter argumentos para falar mal dele.

Frustração Diária disse...

Eu ainda não assisti. E o único comentário que ouvi sobre o filme foi de uma amiga - branca e americana - dizendo que chorou rios assistindo o filme. Bem, se ele PENSOU enquanto assitia eu não sei. Não continuei o assunto por não ter assistido e não ter o que comentar.

Vou assistir, mas pela entrevista da professora, o trailer e sua 'prévia' eu acredito que seja só pra falar sobre os brancos. Triste.

aiaiai disse...

to começando a achar que vou fazer com o cinema o mesmo q joão cabral de mello neto fez com os livros: só vou ver o que já vi e sei q é bom. Ou seja, só vou rever. O cinema atual tá chato pacas, né não?
Já contei q achei Os descendentes horrível? Nem sei se horrível é a palavra...tá mais p constrangedor.

Vou ver o artista ainda hoje, depois eu conto.

Bruno S disse...

Pela sinopse eu tinha achado que o filme tinha boa chance de ser chato e meloso, mas parece que ele tem problemas bem mais sérios que isso.

Quando passar na TV a cabo eu vejo.

Liana disse...

Eu não vi o filme, quando li sobre ele perdi o interesse porque já cansei faz tempo deste tipo de abordagem.

Mas é aquele negócio, tem um bocado de gente com sua porção racista que não consegue nutrir empatia pela história quando contada sob o ponto de vista "outro". Aí eles precisam que alguém com quem eles possam se identificar, neste caso uma mulher branca, interprete e personifique o sofrimento desta "outra" parte. Assim eles vão se apropriando até da dor alheia. Já tá mais que na hora de Hollywood partir pra outra.

Mica disse...

Poxa...estava com vontade de ver o filme, mas agora esvaziei como um balão sem ar.

Vitor Ferreira disse...

A empregada presa aparece depois na prisão lendo o livro para suas companheiras de cela. E eu achei Minny bem diferente da Mammy. Uma era subserviente, a outra era atrevida com a patroagem.
E é um filme bem sobre mulheres. Acho difícil encaixar homens nesses assuntos domésticos, principalmente naquela cultura, e naquela época. Acho difícil as empregadas domésticas que trabalharam lá de casa terem algo a reclamar do meu pai. Certamente as histórias que elas têm são sobre minha mãe.
Pra mim o que o filme mais quis dizer é que há uma dívida muito grande com os negros. Em todos os lugares. E não deveria-se apenas deixá-los contar sua história. O branco tem que se fazer presente e remediar pelos seus erros também, nem que seja ajudando a coletar histórias pra se colocar num livro. Afinal de contas eles ainda são excluídos e marginalizados, na sua maioria.

Júlia Rocha disse...

O facto de continuarem a fazer divisões entre o que é preto e branco só traz mais lenha para incendiar a fogueira das diferenças raciais. Acho que não faz sentido nenhum. Gostei muito deste filme, e acho que a personagem principal é Aibileen, enquanto narradora e autora das suas histórias. Se se olhar bem, a rapariguinha branca não salvou ninguém. Precisou de escrever este livro para encontrar a sua própria querida Constantine que foi, basicamente a sua verdadeira mãe.
Na minha opinião claro, é notório que quanto mais definharmos e dissecarmos tudo quanto existe, as linhas de separação de se cruzam na vida do ser humano nunca desaparecerão.

Lorena disse...

Ainda não assisti Histórias Cruzadas e quero muito, devo assistir esse fim de semana. Ainda assim, já imaginava que a abordagem era justamente essa. Vou ao cinema sabendo o que me espera, pelo menos. Acho que há chances de eu me emocionar com o filme (porque sou manteiga derretida, ainda mais se colocam uma criança chorando), mas entendo perfeitamente porque os negros (as negras, especialmente) não gostaram do filme. E acho que se eu fosse negra, também não gostaria.

MARIA, L.P. disse...

Bah Lola,
Quanta informação...
Vou ver o filme, pra poder fazer uma análise. Mas o que tu adiantou, já deu pra ter uma boa idéia!

Abração!

MoiselleMad disse...

estou curiosa para ver

Adriana disse...

Olha, eu gostei do filme. Como havia dito quando foi mencionado no outro post, não é perfeito, mas vale a pena conferir. Pra mim ele é bem melhor que muitos atualmente em cartaz.

Concordo com boa parte das críticas,principalmente de que pela questão do racismo, que deveria ser o forte, o filme só faz isso mesmo, mostra que pessoas racistas são as vilãs. Além, é claro, do filme ter como mote as "mulheres negras que contam suas histórias", mas isso acabar sendo uma propaganda enganosa.

Massss, não estou certa se o filme faz mal à causa negra (tipo o moço negro do BBB que disse "Sou contra as cotas porque independente da cor, todos temos o mesmo sangue"), eu até gostaria de saber, se houver, dos argumentos nesse sentido (ainda não li as críticas das americanas negras, vou procurar), da crítica da Lola só mesmo o "alívio da culpa branca" e o lance sobre os maridos negros.

Já sobre os homens, foi o que eu mais gostei. A mulherada é totalmente protagonista (pro bem e pro mal). O marido bonzinho aparece por 2min ou menos. Enquanto que o personagem masculino com algum destaque (o namorado da jornalista) é bem aquele cara "não sou racista, tenho até amigos negros", "não sou contra o feminismo, tenho até uma namorada jornalista" e ele não é o homem branco bonzinho da história... E eu não queria fazer spoiler, mas gostei também de não haver aquilo do marido prêmio de consolação.

Gostei também de várias outras coisas, por isso penso que consegui abstrair os pontos negativos. Por exemplo, um filme que me irritou foi Avatar (outro filme com um americano boa praça salvando o dia), a Lola viu um monte de qualidades onde eu só enxerguei os defeitos.

Em todo caso fui ver o "The Help" com a intenção de dormir (nem sabia do que era, nem que tava no Oscar, só que seria sobre "a amizade que transcende barreiras") e fui surpreendida. Entendo que muita gente nutrisse grandes expectativas, concorrente ao Oscar que aborda questão do racismo americano, conta a história das negras... mas, enfim, o filme não é ruim, não é chato e ainda acho que quem puder, veja, é melhor que muitos que estão por aí.

LOVE MAKES A FAMILY disse...

Assisti ao filme e gostei muito, embora tenha observado algumas questões como as que você descreveu. Por exemplo, a primeira negra que resolveu falar sobre a opressão vivida nas casas em que trabalhava, era alfabetizada, pois ela costumava sem comunicar com Deus de forma escrita. Pensei que seria maravilhoso a ideia dela escrever o livro! Mas daí elaborei melhor meu pensamento: "era possível ela publicar, uma vez que o filme se passa numa fase perversa do racismo no sul dos USA?" E me veio, então, a possibilidade dela usar um pseudônimo e a jornalista branca ser sua agente literária.
Sim, sim, o filme deixa muitas lacunas, mas eu gostei, Lola. Rsrsrs...Chorei muito com os maus-tratos da mãe com a menina branca...Sou muito chorona em filmes, ainda mais quando colocam criancinhas, rsrs... Me dê um desconto, eu sou super protetora com criança, hehe...Porém, será que gostaria tanto se fosse negra? Eu não sei responder e, por isso, pretendo ouvir as falas das mulheres negras que não gostaram do filme. Elas, com certeza, têm muito a acrescentar.
Anyway, sua crítica foi além do meu ponto de vista, especialmente quando conseguiu observar como os homens brancos foram narrados. Acrescentou e muito minha visão crítica sobre o roteiro. Obrigada!

Simone disse...

Olá, Lola! Venho acompanhando seu blog há algum tempo e gosto muito. Muitos de seus posts dizem coisas com as quais concordo e vários outros me fazem pensar. Tenho, porém, que discordar com o que disse sobre este filme. Sou brasileira e moro nos Estados Unidos - mais especificamente, na Virgínia, um dos estados onde a maioria da população é negra. O filme aqui foi um sucesso. Tenho algumas amigas americanas e negras que amaram a história. E não é como se elas fossem moças bobinhas que "engoliriam" qualquer história. Todas elas fizeram curso superior, uma até mestrado. O comentário delas foi que este é um filme que conta um capítulo triste da história americana e que nos chama atenção para como as coisas mudaram por aqui em tão pouco tempo - e eu compartilho da visão delas. Racismo é algo muito ruim mas que infelizmente existiu e já teve muita força por aqui - mais do que no Brasil, eu levianamente diria. O que me faz dizer isto é que estou num estado onde temos uma população basicamente negra e uma minoria branca - e eu vivo me perguntando para onde foram os morenos. Eu sou uma das únicas morenas da cidade onde moro (bem pequena), acompanhada por alguns "latinos", como eles chamam. E só. Ou seja, isso mostra como negros e brancos realmente não se misturavam até um passado muito recente. Mas hoje, passados uns poucos 60 anos daquela época terrível, em muitos aspectos as coisas estão diferentes neste país, cujo presidente é negro e uma das maiores personalidades da televisão (Oprah), também. Sei que ainda há racismo e que o caminho a ser percorrido é longo, mas eu não vejo Histórias Cruzadas como algo que vá contra o lugar onde é preciso chegar - pelo contrário. Além disso, achei o filme interessante e bem escrito. A cena da tal torta (que parece chocolate mas não é...) poderia sim ser substituída sem prejuízo ao filme. Concordo que foi de mal gosto. Mas tirando uns poucos pecados, acho que Histórias Cruzadas é um filme que ainda compensa bastante ser assistido.

Maria Rita disse...
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Maria Rita disse...

Assisti o filme logo após ler o livro. Concordo que é possível continuar tendo uma visão mais crítica do problema mesmo diante de um enredo sem grandes novidades e que mostra somente parte da história do racismo nos EUA. Discordo da parte que diz que os homens não possuem importância na obra como se isso fosse sequer explicitado durante o livro e em trechos do filme, pois The Help fala sobre a relação das empregadas com as "mulheres brancas" (que segundo a história são piores que os maridos brancos) ... enfim... gosto muito dos seus textos, mas acho que dessa vez deixou a desejar. A história é muito boa e pode sim ser um soco no estômago de alguns. Beijos.

Vitor Ferreira disse...

Adriana, concordo com tudo.

Simone, quanto a cena da torta, eu acho extremamente coerente com o comportamento que uma "criada atrevida" teria. E eu tenho que confessar que no lugar dela faria o mesmo. Eu tenho esse "espírito-de-porco" que às vezes aflora dentro de mim. E ela é importante para o filme, porque é um argumento que elas tinham para que a vilã-mór negasse que o livro fosse sobre Jackson, e não começasse uma caça às bruxas declarada.

A autora assinou sob pseudônimo, então nem ela mesma levou crédito pelo livro. E sem os relatos que ela coletou, ela não teria nada pra colocar no papel. Então eu vejo o livro mais como um trabalho em conjunto. Skeeter era mais uma conexão que as negras tinham com uma editora, pra que seus relatos fossem divulgados. Ela não tinha aquelas histórias para contar.

E sinceramente não vejo nenhuma das empregadas do filme com o perfil Mammy, que é a crítica mais recorrente do filme. Nenhuma delas voltaria correndo pedindo perdão e que fossem aceitas de volta porque não poderiam viver sem dar amor àquelas crianças brancas. Muito pelo contrário. Uma voltou com uma torta na mão, e a outra nunca mais olhou pra trás.

Fabiola disse...

Nossa Lola que bom que vc fez essa review, eu ia te mandar um link sobre White Savior Movies, pois percebi que não se tem nada em português falando sobre isso. Quer dizer quando procurei achei quase nada. Acho que é um tema legal de ser abordado, afinal é mais uma maneira sutil de criação de ideias conservadoras.

The help eu não quero ver, esse tipo de filme so força os velhos esteriótipos e nada trazem de novo.

Ana Torres disse...

Não sei se vou estar sendo racista, mas vá lá: eu li uma notícia de que uma mulher africana morreu na fila (quando a fila debandou ela morreu esmagada na correria) pra conseguir vaga na faculdade pro filho. Isso recente, li essa semana. Fodas pra essas americanas - negras ou brancas. Quando eu fui pra lá ouvi muita merda de negro americano, o preconceito inverso também é muito forte. E, acredite, por mais racista que seja o filme (que eu ainda não vi, mas acredito), é, com certeza, liberal demais pra África do Sul. Discutir Hollywood? Bah, me poupe. (Mas fiquei triste com a baixa qtdade de comentarios deste em relacao aos demais posts.)

Gostei do que a Liana disse. Entendi que é preciso uma personagem branca pra que aqueles que precisam repensar o preconceito se identifiquem.

LisAnaHD disse...

LoLa,
Você viu a entrevista que Viola Davis deu pro Charlie Rose? www.charlierose.com Ela comentou sobre o filme e o papel que ela interpreta e tb sobre a vida dela. Nascida na Carolina do Sul, a família mudou-se para Central Falls, em Rhode Island, qdoi ela ainda era nenê... eram vários filhos pequenos. Bem, a família de Viola era a única família negra morando na cidade. Viola conta como foi crescer --morar e estudar-- lá e apesar de comentar sobre racismo não o fez de forma trágica e nem infeliz vitimando-se(?). Ela comenta que somente através da educação a pessoa pode dar a volta por cima e falar de igual pra igual. Viola Davis é admirável. Vale a pena ler sobre ela.
http://en.wikipedia.org/wiki/Viola_Davis

Qto ao livro, a autora foi processada por uma ex-empregada negra, que trabalhou na casa dos pais dela. Ela acusou a autora de basear-se na história da vida dela para escrever o livro e pediu compensação de 75 mil dólares, mas não ganhou a causa. Ver o filme, não sei... mas ler o livro, sim, eu tenho planos.

Para as pessoas que perderam o ânimo de ver o filme após lerem os comentários da LoLa, isso é bobagem... quero dizer, deixar-se influenciar assim pela opinião alheia seja lá de quem for. A LoLa tem a visão e interpretação dela, mas milhares de pessoas podem ter uma visão e interpretação totalmente diferente... e outras milhares compactuarem com a LoLa. Seja como for, se a pessoa tem vontade de ver o filme, veja e tire suas próprias conclusões. No meu caso é que sou de cinema vez ou outra.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Não vi o filme, mas pelo que vc relata, me parece que é um filme bem condizente com esses tempos atuais de backlash. Ao mesmo tempo que grupos que historicamente sofreram preconceito conseguem ganhar mais espaço, aparecem esses discursos e mensagens querendo insinuar que preconceito é coisa do passado, que o que oprimiu foi o mesmo que libertou. Parece uma resistência enorme de tirarem do branco hétero bonzinho o papel de único protagonista de toda a história.

Ana disse...

Assisti o filme ontem depois de ler seus comentários. Me incomodou muito o tom sentimental do filme. Ficou parecendo que o problema são as patroas megeras e não o sistema em si, quando tem patroas boazinhas é até um prazer trabalhar em péssimas condições. Não sei bem como expressar, mas a imagem que me ficou é de brancos dizendo "obrigado, mammies por tudo que fizeram por nós, não sei como seria sem vocês, por favor, não vão embora, precisamos de vocês, garantimos trabalho pra vocês pela vida toda por uma merreca". Enfim, a abordagem do filme é bem superficial.

Erika Barros disse...

Bom, acho que o filme pode ser interpretado de diversas formas. Para mim é um filme que deve ser visto por todos, especialmente no Brasil, pois a sensação que tive foi de vergonha. Senti um verdadeiro tapa na cara em diversos momentos. Por exemplo, quando mostra o surgimento do "banheiro de empregada", pôxa, isso ainda faz parte da nossa realidade! O tratamento desumano, as humilhações, ainda ocorrem de forma frequente, corriqueira. Os absurdos mostrados lá na década de 60 seguem firme e forte por aqui. Em casa nós tivemos uma empregada que nos criou e me conhecia muito mais que minha mãe; a questão do uniforme, a questão da comida separada, enfim, inúmeros comportamentos por aqui ainda não evoluíram.
Foi assim que interpretei o filme, embora concorde com as críticas feitas a ele.

Simone disse...

Vitor, é verdade o que você disse sobre a cena da torta. Eu tinha esquecido que é justamente esse episódio que inibe a patroa malvada de entregar não só aquela que havia sido empregada dela mas todas as outras...

Outra coisa que esqueci de contar no meu primeiro comentário foi sobre a primeira vez que fui ver este filme. Aqui nos EUA ele entrou em cartaz no ano passado, agosto ou setembro, e eu fui na sessão de estreia. O cinema estava lotado de mulheres, muitas negras. Durante o filme, ouvi essas mulheres aplaudindo, rindo e chorando, e o clima na saída do filme era bom.
Acho que mesmo que o filme tenha sido feito para livrar a culpa dos brancos - ou, no caso, das brancas - as negras que o assistem também gostam... Ao menos, as de que tive notícia.

M. Coelho disse...

Lola, você poderia falar mais um pouco sobre o racismo e as mulheres nos EUA, ou recomendar alguma leitura sobre?
Fiquei bastante curiosa sobre o assunto.

Est disse...

Achei interessante o que disse, mas não concordo com alguns pontos:
(Spoilers):
Não teria como a empregada (Aibileen) escrever o livro e publicá-lo por causa do racismo da época que o filme tratava, de modo que, para o filme ser mais consistente, ela precisaria realmente da ajuda de alguém que não fosse negro. Além disso o filme mostra os problemas que eram criados para aqueles que tentavam ajudar os negros, mais um motivo do porquê da necessidade da Skeeter.
Quanto à questão da mínima participação dos homens, o filme mostra quem mais tinha contato com as empregadas e, os homens, sempre saiam pra trabalhar, quem ficava em casa eram as mulheres, típico da época e do círculo social representado. Além disso, o único homem bom do filme é marido da única mulher que vive fora deste círculo (e que também é boa) e tratam bem a empregada, pra mostrar que o racismo era um problema de grande parte da sociedade, mas não toda.

LisAnaHD disse...

LoLa, vc viu isso?
Andaman Islands abuse: new videos reveal Indian police role. -- Jarawa girls told to dance semi-naked for the camera as two videos offer fresh proof of official involvement in 'human safaris'
http://www.guardian.co.uk/world/2012/feb/04/andaman-islands-abuse-new-videos

Nunca li nada e nem ouvi sobre esse povo, busquei aqui:
Andaman Islands
http://en.wikipedia.org/wiki/Andaman_Islands

Infelizmente não há opção em português para o texto acima.

Alex disse...

Assisti ao filme ontem e gostei bastante. Provavelmente alguém já disse isso aqui nos comentários, que estou com preguiça de ler (rs), mas é óbvio o porquê de Abeleen não ter escrito o livro ela própria: alguém publicaria o livro de uma mulher negra naquela época? Não creio. Além disso, na condição de ghost writers as empregadas se sentiram mais confortáveis e protegidas para falar. Enfim, se uma mulher negra ultrapassasse todas as dificuldades para encontrar uma editora pra publicar o livro, certamente recairia sobre ela todo o ódio daquelas megeras brancas hipócritas e falsas cristãs, e do sistema iníquo que daria toda a razão a elas. E não achei Minny muito mammy. Minny não é retratada como uma mulher doce. Ela é muito enfezada. Aliás, "enfezada" combina muito com a forma que ela escolheu pra expressar sua raiva da ex-patroa. Acho que existe uma relação entre fezes e raiva, daí por que o emprego atual da palavra "enfezada(o)". Não achei surpreendente a atitude de Minny. Devemos tratar sempre muito bem aqueles que preparam nossa janta. Há um bom tempo meu irmão fez um curso na Capitania dos Portos de Sergipe para trabalhar em navios mercantes e ele ouvia coisas horríveis dos cozinheiros. Um desses cozinheiros chegava a passar nos testículos o bife que mais tarde serviria ao superior hierárquico que o tratava mal. Esse superior adorava bife a cavalo, que, pra quem não sabe, é bife com ovos. "Não gosta de bife com ovos, então tome, seu f.d.p.", era isso que o cozinheiro magoado costumava dizer enquanto estava executando sua vingança. E ele cuspia no suco do homem, como fez Miss Celie em A Cor Púrpura. Na verdade fazia disso pra pior; só não revelo aqui pra não embrulhar o estômago dos mais sensíveis. Nunca, nunca coma a comida de alguém que você enfezou, até ter a certeza de que a raiva já passou. E a motivação para a protagonista escrever o livro pra mim ficou clara. Ela queria ser escritora e se incomodava muito com a forma como as empregadas eram tratadas. Não é motivo suficiente? Além disso, o assunto "direitos civis dos negros" estava em pauta naquele período. Aliás, foi essa a razão que venceu a resistência das empregadas; no começo poucas queriam falar, mas, depois do assassinato de um negro pela KKK e das repercussões desse episódio, depois, também, da marcha liderada por Martin Luther King, várias mudaram de ideia. Gostei muito do filme. Meia Noite em Paris tem um roteiro mais inteligente, mas isso não tira os méritos de Histórias Cruzadas. Achei bem melhor que os Descendentes, que também é um bom filme, na minha opinião. É muito comum que elementos do grupo majoritário e opressor, indivíduos desse grupo mais dotados de consciência e de bom-senso, ajam para libertar ou contribuir para libertação de grupos minoritários e oprimidos. O ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, que foi o relator do acórdão no processo em que se pedia a equiparação da união homoafetiva à heterossexual, é um hetero que sempre se mostrou favorável aos gays. Acredito que todos os ministros que votaram em favor da causa gay são heterossexuais. Geralmente os elementos dos grupos minoritários só começam a galgar posições de poder, a conquistar direitos, quando elementos mais liberais dos grupos majoritários começam a lhes dar abertura. Histórias Cruzadas retrata isso. E todos, todos somos alvos de preconceito, se não for pela cor da pele, será por outro motivo. Por ser gordo, ou por ser magro demais. Por ser rico ou por ser pobre. Por ser culto ou por ser inculto. Por ser bonito ou por ser feio. Evidentemente o preconceito sempre elege grupos preferenciais. Mas ninguém está livre dele. Histórias Cruzadas mostra isso também.

Alex disse...

Para esclarecer: não estou querendo negar a importância da luta de negros, gays e mulheres, enfim, das minorias, na conquista de direitos. Quis dizer que são elementos dos grupos majoritários, principalmente os que têm poder pra isso, que, passando a apoiar os minoritários, começam a lhes conferir direitos e a lhes abrir portas no sistema que costumava a os excluir. Muitos direitos das mulheres foram conquistados com o apoio dos homens de mais consciência e de bom-senso que ocupavam o poder. E o motivo é óbvio: geralmente é quem detém o poder que começa a ceder parte dele.

LisAnaHD disse...

Alex, obrigada pelo tão bem elaborado comentário. As pessoas são dadas a se doer pelos fracos e oprimidos e impetuosamente atacam quem elas veem como opressor simplesmente, sob o ponto de vista delas mesmas... são subjetivas. Há que ponderar, vencer o "enfezamento" e daí sim analisar. -- Desde qdo vi a entrevista de Viola Davis fiquei com vontade de ler o livro que deu em filme.

enfezado/a vem de fezes
coitado/a vem de coito
esculhabar vem de culhões

Eu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eu disse...

E o motivo é óbvio: geralmente é quem detém o poder que começa a ceder parte dele. *(Alex)

Mais ou menos nessa linha, todo direito de alguém recai sobre o dever de outrem outorgá-lo. Todavia, o desejo pelo direito nasce no pensamento do excluído e não no do 'poderoso'. Aí já não se pode saber se o direito é um dever cumprido pelo poder ou simplesmente o resultado da AUTO-INCLUSÃO, isto é, haverá negação do direito pelo poder anterior ao desejo do excluído/sujeito do direito?

Enquanto as mulheres não reivindicaram o direito de votar, elas não votaram. Os homens não lhes deram o direito ou elas não se incluíram no processo político e de votação ao mesmo tempo que os homens?
Mas antes de os homens começarem a votar, quem lhes negava o direito de voto?

O que vc acha, Lisana?

Bom domingo, cumpanheira!

Dai disse...

Tou com a aiaiai. Bem melhor rever imitação da vida, um filme dos anos 50!, ou A cor púpura que esse conservador The help. Acho que o filme coloca "A ajuda", como ajuda mesmo
(co-adjuvante, de segunda, inferior), e naturaliza isso, o tempo todo. Para mais, teci um longo debate com o Vitor no blog dele sobre. Beijos, Lola.

Dai disse...

Outra coisa: pra mim o maior problema não é o fato de uma mulher branca coletar os relatos das negras. Esta poderia ser uma história de pequenas alianças. Bons repórteres contam histórias de personagens que sabem contar boas histórias e o crédito é de ambas as partes. Mas não é assim no filme. As negras nem pareciam ter total consciência de sua opressão antes de serem tocadas pela sabedoria e doçura da mocinha de pele pálida. Achei péssimo e fake.

Vitor Ferreira disse...

Elas tinham, sim. Mas também tinham medo de se rebelar, pois quem as oprimia também detinha o poder. Inocência sua achar que uma diarista negra do interior do Mississippi iria mandar seus relatos para uma editora ou jornal, e eles seriam publicados.
E como eu já disse num comentário anterior, a reporter tambem nao assinou o livro. Tudo foi sob pseudônimo, pois ela também sofreria as consequências.

isabella ☆ disse...

concordo com Alex e Vitor.
acho que seria um tanto quanto surreal uma empregada negra ter um livro falando sobre todos os mal tratos que sofriam das patroas brancas sem um intermediário. sem dizer as consequências seriam mil vezes piores para ela.
acho que a motivação de Skeeter se deu quando ao voltar depois de 4 anos longe fazendo faculdade, viu todas as suas amigas, antes criadas por negras, tratando-as de maneira tão horrível.
eu até entendo o seu ponto de vista Lola, mas acho que se a estória tivesse se dado de outra forma, mas se passando no mesmo cenário ficaria meio... não sei... surreal.
acredito que a intenção era mostrar como a sociedade daquela época REALMENTE funcionou. e não como DEVERIA ter funcionado.


e acho que já disseram, mas a empregada presa pelo roubo do anel aparece depois na cadeia, rindo muito com o livro.

e também acho que a estória mostrava um pouco
(bem pouco, mas mesmo assim notável) o preconceito em relação a mulher que fugisse do padrão esposa/mãe/dona de casa perfeita. Skeeter era a única com educação superior, mas era excluída por não se encaixar no padrão de beleza das demais e não ter marido. Celia era linda e casa, mas era excluída por não se encaixar no padrão esposa perfeita das outras moradoras da cidade.

acredito que apesar de ter causado essa reação em alguns, o filme não causa nenhum desserviço a luta contra o preconceito.
acho inclusive que ele pode tocar aos mais distantes da causa, abrindo mesmo que apenas uma brecha em suas cabecinhas.

Dai disse...

Vitor, querido, fofo e lindo amigo, não acho que minha avaliação seja inocente, como vc bem sabe, já estou muito sambada da vida para essa pureza toda. É apenas diferente da sua.
É que eu não estou falando nem argumentando aqui que elas iriam (ou deveriam) se publicar nem mandar material para editores nem nenhuma coisa assim do tipo. Só estou apontando que obviamente mulheres feitas e vividas, com toda uma bagagem nas costas, não são tão facilmente manipuláveis para executarem algo pq foram demandadas, assim, do nada, sem nenhuma história prévia de auto-organizaçao.
A minha avaliação é de que não estamos falando de gado tangido, mas de pessoas, e gente cheia de revolta e inquietação e sangue correndo nas veias. O filme elimina qualquer possibilidade de conflito ao harmonizar as coisas do jeito que faz, com todo mundo se ajudando no amor divino pela paz entre os povos. Ninguém irá me fazer engolir que aquelas mulheres oprimidas eram tão opacas e vazias para que fossem, do dia para noite, como é mostrado no filme, depositado dentro delas todo aquele desejo de se rebelarem. Depositado, pq vem de fora, não de dentro. Não dos motins e conchavos, mas da caridade do outro, da outra, que está no grupo opressor. E é dado a elas como um favor, uma concessão. E não é esse o caso. Havia uma centelha ali, sim, independente do olhar misericordioso daquela sinhazinha que, por nobreza, resolve ajudá-las. As revoluções não eclodem da noite para o dia, são fruto de muita, muita mas muiiiita ação na clandestinidade.
A repórter assinar ou não o livro, a meu ver, é irrelevante. Não estamos debatendo autoria, mas protagonismo, como já lhe disse em nossas várias discussões sobre o filme. E entendo que vc não abra mão de sua opinião, que eu respeito, só não concordo. Beijos.

LisAnaHD disse...

Dai,
"Imitação da Vida", em preto e branco, foi lançado pela primeira vez em meados dos anos 30, logo após a publicação do livro. Se vc tiver curiosidade em ver o original, acho que vale a pena.

Cresci ouvindo minha mãe e tias e tia-avó comentando sobre o filme e já vi as duas versões, mais de uma vez.

LisAnaHD disse...

Moema(EU),
Acho que é preciso a contribuição das duas partes: a que quer liberar-se ou adquirir direitos e a que pode dar o apoio e a ajuda necessária. A primeira deve demonstrar e manter intensidade e seriedade no seu propósito; há que haver comprometimento com o objetivo.

Num museu de artes de uma cidade da Carolina do Norte, se não me engano a cidade é Salem (eu visitei o museu) há quadros lindos de uma americana negra que viveu no tempo em que as mulheres brancas tinham empregadas negras... não sei se pelos anos 50 provavelmente. A pintora trabalhou em várias casas e os quadros dela foram todos inspirados no interior das casas que ela limpava. São vários quadros e pelo que entendi é exposição permanente do museu.

Dificilmente esses quadros estariam expostos e a história da artista conhecida caso alguém com força para tal não tivesse apoiado a ideia de manter a coleção de quadros no museu da cidade.

Atualmente mulheres negras americans se recusam a trabalhar como faxineiras ou empregadas domésticas, enqto americanas loiras de olhos azuis, muitas delas atrizes em começo de carreira, são faxineiras. A irmã de Michelle Pfeiffer foi uma que, ao terminar a faculdade, enqto tentava papéis no cinema, deu-se conta de que se trabalhasse como faxineira teria mais/maior (?) flexibilidade no horário dela pra fazer os testes do que se fosse garçonete.

Eu disse...

Lisana, concordo com tudo o que vc disse. Mas fico pensando, no caso desse filme, quem ajudou quem. E quem realmente estava atrás de um direito: as duas empregadas ou a jornalista em início de carreira? De qualquer forma, a ajuda de fora parece vir só quando o desejo já se instalou na cabeça de alguém...
Acho que vou ver esse filme sim, achei o trailer lindo. Mas vou esperar o DVD prá locar. Nâo gosto de cinema mais não. E não pirateio filme na net, rs

Happy week to you!

Eu disse...

Aí nos Eua tem uma profissão doméstica que eu acho muito bacana. A pessoa vai às casas só trocar as toalhas, fazer as camas, jogar o lixo fora, pôr sabonete no banheiro, molhar as plantas dentro de casa, esse tipo de coisa. não cozinha nem faxina, tipo hotelaria, sabe?

LisAnaHD disse...

Vou ler o livro e qdo for pra TV eu vejo o filme. Qto a piratear filme, com o alto preço do cinema e considerando o absurdo que é o salário de atores e atrizes, fica difícil resistir a não piratear. Eu baixei mais de 500 livros que alguém que os tinha no Kindle os colocou na net, na boa. Depois encontrei outra batelada de livros de alguém que botou na net tb, assim na boa.

Bem, não sei dessa profissão a que vc se refere... isso deve ser coisa de cidade onde moram milionários. O que sei é que faxineira aqui não é de trocar cama e nem fazer lavanderia e nem limpar rodapé da casa e nem limpar janelas. Isso tem de ficar esclarecido na contratação pq não faz parte da obrigação da faxineira.

E vc sabe que aqui há tanta mão de obra pra latinos legais ou ilegais porque a população negra americana se nega a fazer determinados serviços: limpeza de casa, colheita na lavoura e tudo o mais que os façam sentir "no tempo da escravidão" i.e. escravidão mental. Um respeitado pediatra neurocirurgião negro, assunto de um filme, foi criado junto com o irmão pela mãe negra, abandonada pelo marido com os filhos pequenos. Ela era empregada doméstica e analfabeta. O outro filho é engenheiro. Dr. Ben Carson é o nome do médico.
http://www.who2.com/bio/ben-carson

LisAnaHD disse...

Moema, estou equivocaca ou vc lê em inglês?
http://afam.nts.jhu.edu/people.html

Eu disse...

Verdade, Lisana, quem me falou dessa profissão que eu esqueci como chama mora em Malibu. Eu não desço filme na net porque tem que deixar a noite toda baixando e por medo de pegar virus. Só desci um filme indiano, Os 3 Idiotas. Eu tô lendo o Mito da Beleza na net mesmo. Nem sei se é pirata ou não. Versão no pdf em português da Rocco. Vejo muito pouco filme hoje em dia. Adorei o Source Code, grata surpresa.

Eu disse...

Leio sim, Lisana. Legal o link. Eu tô fanzoca da Michele Obama. Espero que ela entre nesta lista da John Hopkins
University.

Lorena disse...

Finalmente assisti o filme. E não sei se foi por conta das críticas que eu já havia lido... Mas nem me emocionar ele conseguiu (nem a menininha chorando). O filme não é ruim, tecnicamente falando. As atrizes que fazem as empregadas, principalmente Viola Davis, estão ÓTIMAS. Espero mesmo que ela ganhe o Oscar, seria mto bom ver a Academia dar um Oscar de melhor atriz a alguém que foge completamente dos estereótipos de ganhadoras desse prêmio. Fora que seria a segunda mulher negra a ganhar. A história é interessante, com certeza assistir a filmes com o racismo como temática é sempre difícil, indigesto, deprimente... Já o é pra mim, que sou branca quase rosa, imagina então para quem é negro. Que o diga a minha namorada. Enquanto eu, incrivelmente, não derramei uma lágrima (apesar do sangue ferver de raiva em várias cenas), ela chorou praticamente o filme todo. Até agora não sei se ela gostou ou não, porque o filme acabou e a menina estava muda, ficou mal mesmo. Eu imagino o quanto ela se identificou com aquela história (por ter vindo de uma família pobre, que viveu situações parecidas)... Mesmo sendo uma realidade distante da minha história, me senti muito mal por constatar que não mudou muita coisa para as mulheres negras, pelo menos aqui no Brasil. Conheci e conheço empregadas domésticas (negras) que passam, ainda hoje, por muito do que foi descrito no filme. E tenho umas posições mto fortes, que podem soar até contraditórias, em relação a contratar empregadas e babás para a minha família. Sou contra e não farei. E assistir a esse filme me fez ter mais convicção ainda sobre isso.

Quanto ao filme em si, sinceramente, achei a história da menina branca querendo contar sobre a vida difícil das Mammys uma coisa MUITO forçada. Sei que o filme é baseado no livro, e que as histórias são, supostamente, reais... mas não sei o quanto daquela "boa vontade" era mesmo vontade de ajudar os negros. Não num lugar racista como o Mississipi da década de 50. Ainda assim, acho que a história das mulheres merecia ser contada, óbvio. Só não acho que esse filme seja bom o suficiente nem para concorrer ao Oscar, quem dirá para ganhar. :S Mas ultimamente eu não estou achando nenhum dos indicados bom o suficiente para o Oscar, então pode ser que o problema seja meu! rsrs

Lorena disse...

Ah, li agora os comentários... E concordo que A Cor Púrpura é mil vezes melhor que The Help e, quando o filme acabou, eu fiquei me perguntando porque diabos ele não ganhou o Oscar, enquanto esse tem tantas chances de ganhar! Spielberg foi ignorado pela academia, Whoopie Goldberg numa interpretação um zilhão de vezes (hoje estou hiperbólica) melhor do que a de Ghost, também ignorada... Oprah irreconhecível, Denni Glover de dar medo de tão mal... todos relegados pela academia. E um filme tão forte, genuinamente importante, sobre o racismo do Sul dos EUA e sobre como resgatar a auto-estima dos negros, pelos próprios negros, teve 11 indicações ao Oscar e não levou NENHUMA.

Eu confesso, no final de The Help eu senti falta de uma Miss Celie, de uma Shug Avery, ou de uma Sophia, mulheres oprimidas mas que encontraram EM SI e em sua comunidade, força pra mudar a situação. Muito bem lembrado, Dai.

Dai disse...

LisanaHD,
Obrigada pela dica. O filme todo está no Youtube (imitação da vida, anos 30), pois é de domínio público, se não me engano é de 1932. Mas acho a versão dos anos 50, reelaborada pelo Douglas Sirk, bem mais punk. Beijos!

Aichego disse...

Eu nao ia ver o filme, mas vc me deixou curiosa. Acabei de ler um livro bom, sobre a historia de uma menina africana sequestrada em sua vila e levada à força para uma terra estranha (AMerica do norte). É um best seller canadense, mas que vale a pena demais: The Book of Negroes. Gostei, apesar de muitas criticas.

LisAnaHD disse...

Aichego,
Caramba! o livro só tem elogios! dando água na boca pra ler...

Natasha disse...

"E não sejamos hipócritas quanto as nossas boas intenções: a gente iria ver O Último Samurai se fosse filmado por japoneses e mostrasse o ponto de vista não de um ocidental bonitão que se transforma no melhor samurai ever, mas de um japonês que salva o próprio povo? Esse tipo de filme encontraria distribuição no mundo? Teria sido feito se não fosse com o Tom?"

Herói: http://www.imdb.com/title/tt0299977/ já ouviu falar? Tremendo sucesso aqui, nos EUA e acredito que em muitos outros países ocidentais também.

Anônimo disse...

natasha, tremendo sucesso em cinema alternativo/com um público específico não é tremendo sucesso nos mesmos moldes de "o último samurai", um blockbuster.

acho que o último filme oriental q eu lembro de ter feito mesmo sucesso foi o tigre e o dragao, q foi pra oscar de filme estrangeiro (mas é em parte americano e dirigido por um cara radicado nos estados unidos há anos, famoso por filmes americanos).
depois dele teve memorias de uma gueixa (q é americano, falado em ingles, dirigido por um americano)

heroi e o cla das adagas voadoras não fizeram tanto sucesso quanto esses outros.