domingo, 11 de março de 2012

GUEST POST: NÃO DÁ MAIS PRA IGNORAR AGRESSÃO NO PARTO

Ligia escreveu em novembro um guest post sobre violência obstétrica, um problema que atinge milhares de mulheres, e que precisa ser encarado como o que é -- violência contra a mulher. Aqui mais um guest post muito importante.

A Lei 10.778 d
e 24/11/2003 orienta que se notifique compulsoriamente, em todo o território nacional, casos de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos e privados. Ou seja: o profissional da saúde que atender uma mulher com sinais de violência é obrigado a notificar. Juntamente com essa lei, temos a Lei Maria da Penha, que contempla a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Mas temos um grande problema aí.
A Lei 10.778 obriga os profissionais da saúde a notificar casos de violência contra a mulher, quando atenderem mulheres agredidas.
E como é que fica quando são esses profissionais os agressores?
Como fica quando mulheres são agredidas e desrespeitadas dentro de instituições de saúde e, especificamente, no momento de seus partos? Como fica no caso de violência obstétrica?
Muita gente não sabe que isso existe. Outros, consideram que práticas abusivas observadas em situações de parto e nascimento não constituem violência, porque são de praxe. Confundem o que é comum com o que é normal. Outros, ainda, fecham os olhos para a situação, frente à complexidade do problema.
Não dá mais pra fechar os olhos a isso quando centenas de mulheres são desrespeitadas todos os dias em seus partos. E esse é um caminho sem volta. Uma vez que se vê, não dá mais pra fingir que não acontece.
Quando dizemos que a violência obstétrica é uma realidade, estamos partindo de dados confiáveis, científicos, obtidos por meio de pesquisas sérias. O padrão que se vê na assistência ao parto no Brasil é violento. Essa é a realidade. Quem foge disso é exceção. É violência: a ofensa verbal, o descaso, o tratamento rude, as piadinhas, os gritos, a proibição da manifestação das emoções, as violências físicas de todos os tipos, a obrigatoriedade de uma determinada posição, os apelidinhos, a contenção dos movimentos -- como divulgado com cada vez mais frequência entre as mulheres detentas, que precisam parir algemadas --,a humilhação intencional e todo tipo de atitude torpe que, sim, acontece. E com muita frequência. Aqui existe uma página sobre violência no parto, com alguns artigos já publicados que mostram um pouco dessa realidade. O prof. Dr. Gustavo Venturi coordenou a pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado, que mostrou que 1 a cada 4 mulheres brasileiras diz ter vivido situações de violência em seu parto. Pense que, apenas no período de 2008 a 2010, aconteceram quase 6 milhões de partos, apenas nas instituições públicas de saúde, de acordo com o DATASUS. Calcule, então, quantas mulheres podem ter sido maltratadas e desrespeitadas.
Não dá mais pra dizer que isso não ocorre.
Não dá mais pra fingir que não se vê.
É importante que o governo disponibilize um canal oficial de denúncia. É importante que, nesse cenário político favorável à problematização das condições de vida feminina, com uma Secretaria de Políticas para as Mulheres que promete ser atuante, a sociedade civil se organize e mostre sua intenção. É fundamental que cobremos legislação sobre isso, que se possa punir legalmente o agressor.
Se nós comemoramos o Dia Internacional da Mulher, nós também estamos dizendo que queremos que as mulheres tenham melhores condições de vida. Que possam ser respeitadas e valorizadas. Sempre. Em quaisquer situações.
Muitas mulheres precisam ser ouvidas e suas histórias precisam ser conhecidas.
Nós queremos sensibilizar a comunidade para a triste realidade da violência obstétrica, mostrar que está acontecendo muito mais do que se imagina, mobilizar pessoas.
A violência no parto deixa marcas profundas, das quais muitas mulheres não conseguem se recuperar. Mexe com a forma como a mulher se vê no mundo, com sua auto-estima e auto-confiança.
Não podemos aceitar flores e bombons enquanto nos mandam calar a boca e nos ofendem. Uma mulher que passa por isso é uma mulher mudada para sempre.
Então nós, dos blogs Cientista Que Virou Mãe, Parto no Brasil e Mamíferas, estamos divulgando, com a ajuda e apoio de dezenas de pessoas, o Teste da Violência Obstétrica, um levantamento informal que tem como objetivo levantar dados sobre o tema, mobilizar as pessoas, problematizar a questão e levar esses resultados a uma instância que ajude a incluir, nos serviços oficiais de denúncia, a violência obstétrica como forma de violência contra a mulher.
Para participar, é simples. É só preencher o questionário e, ao final, clicar em SUBMIT. Não é necessária a identificação.
Ao final, fica o convite à denúncia, no e-mail disponibilizado pela Parto do Princípio, e o convite à participação em uma pesquisa, essa sim formal e de caráter científico, que visa conhecer como a mulher que foi maltratada e violentada em seu parto vê a ocorrência disso, o que ela sentiu, quais foram as consequências dessas terríveis práticas à sua vida. Não é uma pesquisa sobre números. É uma pesquisa sobre sentimentos, valores, emoções, representações, simbolismos. Faz parte do meu trabalho de doutorado em Saúde Coletiva.
Agradeço às dezenas de blogueir@s que se envolveram nessa ação. Agradeço às dezenas de pessoas que se disponibilizaram a ajudar ainda que não tenham blogs. Agradeço às companheiras Ana Carolina Franzon e Fernanda Andrade Café pela mobilização comprometida e envolvimento verdadeiro nessa iniciativa. E agradeço especialmente a Lola por, mais uma vez, apoiar a causa do combate à violência obstétrica.
Por favor, façam o teste.

84 comentários:

Josiane Caetano disse...

Como sigo muito blogs maternos, nesta semana este assunto foi bastante divulgado, o que foi muito positivo.Como relatei em um dos blogs que sigo, minha mãe foi vítima de uma verdadeira violência no parto do meu irmão, que hoje tem 35 anos:ela teve parto normal, mesmo com o meu irmão estando na posição " em pé" ( não sei o nome científico) dentro do útero. E o motivo disto ter acontecido foi bárbaro: não havia médicos no hospital porque meu irmão nasceu na virada do ano e todos eles estavam em recesso.
Além do sofrimento que minha mãe nunca conseguiu esquecer, meu irmão até hoje tem sequelas deste parto e precisou usar vários aparelhos ortopédicos para corrigir o defeito em sua perna causado por este parto tão violento. E minha mãe tinha convênio médico e tudo, ou seja, isto não acontece apenas na saúde pública. Isto sem falar de outros casos de mulheres que morreram pois demoraram tempo demais para fazer uma cesária.
É ridículo que isto aconteça ainda nos dias de hoje!

Aretha disse...

Lola, obrigada por disponibilizar espaço para a temática da violência no parto no seu blog, vc não sabe o tanto que é importante pra nós, mulheres que fomos mau-tratadas, que isso seja reconhecido e divulgado pra sociedade cívil!
Meninas, parabéns pela iniciativa! vou lá já responder à pesquisa!
Aretha,
www.oquehadeerrado.blogspot.com

Ana Flavia disse...

Eu nao tenho filho, nunca estive gravida, mas deixo aqui duas histórias pra constar que a violencia obstetricia está longe de ser um problema terceiro-mundista: moro na Áustria, onde o sistema público de saúde atende perfeitamente às expectativas do cidadao,quando isso nao envolve a dignidade da mulher no parto:
Caso 1)mes passado, a prisioneira mais famosa na Áustria (uma bela empresária espanhola que teria matado dois ou tres ex namorados), a jovem mulher foi aprisionada estando grávida e pariu no mes passado. Ela nunca pode ver o filho: o mesmo foi retirado de sua presenca antes que ela pudesse ve-lo um segundo sequer.
O advogado dela entrou na justica contra a arbitrariedade e tanto o hospital quanto as autoridades do conselho tutelar nao quiseram assumir de quem partiu a ordem pra o procedimento de privar a mae de pelo menos ter o filho nos bracos um segundo sequer...Durante a gravidez em cativeiro já havia sido decidido na corte em várias instancias que o bebe nao iria permanecer nem um dia sequer na cela. Enquanto o advogado apelava pelo direito da mulher ver o filho, a policia decidiu transferir a prisioneira para outro estado, alegando que o psiquiatra forense responsável pelo caso dela lá mora e o processo fluiria melhor. O menor continua sob a guarda do pai na capital, resultando que visitas rotineiras do pai com o menino foram inviabilisadas.

Caso 2): minha cunhada, grávida do primeiro filho aos quarenta anos, teve na sexta feira passada o parto mais horrivel de que se tem notícia na familia: aqui nesse pais, cesarea é evitada a TODO custo. Resultando que minha cunhada já passara uma semana da data esperada e nada de o beber querer sair. Depois de DEZ dias, o hospital resolveu interna-la e decidiu-se pela administracao de medicacao pra induzir a dilatacao necessária. Complicacoes ocorreram e já era tarde demais para uma cesarea, tendo o parto de ser realisado sob o arcaico uso de um parto forcado, um tipo de aspirado (saugglock)além de um corte enorme no períneo. Tanto a crianca quanto a mae nao estao nada bem,por conta de uma conduta de desrespeito às necessidades individuais da grávida em questao.

Rafael Vacini disse...

Oi Lola.
Sou homem e apoio o feminismo, acompanho de vez em quando o seu blog e gosto muito do que leio aqui.
Sou professor e incentivo da forma que posso o feminismo, observo certa resistencia dos alunos, mas sei que aos poucos o machismo vai morrendo.

Uma pessoa me mandou esse vídeo no youtube http://www.youtube.com/watch?v=9tQSOlF9ZZM e disse que é isso que realmente se trata o feminismo.
Me senti ofendido vendo o vídeo e lembrei do seu blog.
SE possivel faça um post explicando o vídeo pq se notar verá que no final do vídeo está escrito "Faça a sua parte" incentivando o assassinato do sexo masculino.

Obrigada

Nayara disse...

Eu acho que o maior problema do parto foi deixar isso sob responsabilidade dos médicos.

O médico aprende na escola a questão ética. A ética médica diz que ele deve ganhar muito dinheiro para ser considerado de sucesso.

Como um médico pode ganhar dinheiro fazendo um parto normal que vai demorar várias horas? Quanto ele teria que cobrar por um parto para ficar horas acompanhando uma mulher?

E como fica a Mercedez Benz, a mansão no condomínio, as férias no Caribe? O médico quer ser como o Antonio Palocci, ele quer ganhar um milhão por mês da forma mais fácil possível. Alguns médicos conseguem fazer parte da administração do hospital e fica fácil "pegar" dinheiro, mas e os que tem que cuidar das pessoas?

Eu vejo que a única solução é tirar a mulher do hospital, tirar a mulher do médico. Gravidez não é doença, não é algo que deve ser tratado.

A mulher tem que ter o parto em casa de cócoras ou dentro de uma banheira. No Brasil é fabricado uma piscina inflável para box de chuveiro, especialmente desenhada para o parto em casa.

http://www.amigasdoparto.com.br/partonagua.html

Nayara disse...

Desde que o atendimento passou a ser hospitalar, feito exclusivamente pelos médicos, em macas horizontais, com as mulheres em posição ginecológica (anti-natural), a classificação ficou óbvia: "Parto Normal" ou "Cesariana". Não havia alternativa. Se a mulher não conseguia dar à luz nessas condições padronizadas, ia para a cesárea.

As condições padronizadas sob as quais as mulheres deveriam tentar o "Parto Normal" eram: separação do companheiro ou qualquer acompanhante, salas de pré-parto coletivas sem qualquer privacidade, impossibilidade de livre movimentação, soro com hormônios para acelerar as contrações e portanto encurtar o trabalho de parto, período expulsivo com a mulher deitada de costas, pernas amarradas a suportes, comandos para fazer força, enfermeiras empurrando a barriga da mulher, entre outras situações que variavam de serviço para serviço. Convém lembrar que em muitos hospitais do Brasil essa ainda é a regra, infelizmente, indo contra todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Nara Faraj disse...

Nayara,

Tudo o que você acabou de dizer demonstra total falta de conhecimento sobre a obstetrícia e demonstra também muito recalque e desrespeito da sua parte em relação a profissão médica.

É verdade que a grande maioria dos partos irão acontecer com, sem ou apesar de a presença do médico. Porém há casos em que a intervenção deste profissional é indispensável. Por isso eles estudam, que é o que você deveria fazer também se almeja estar apta para fazer qualquer tipo de parto.

Acho que escrever informações equivocadas, preconceituosas e desrespeitosas não confere credibilidade aos seus argumentos.

Beatriz disse...

Oi Rafael Vacini

Vi esse video hoje e comentei sobre ele no meu facebook. A garota é absolutamente mal informada, confusa ao citar as fontes, sofrível ao falar... um horror. Mas infelizmente, tem gente q leva a serio. Os parametros das pessoas andam meio baixos, e desinformação reina.

Nara Faraj disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nara Faraj disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nayara disse...

Não apaguei nada, sustento o que disse.

O meu comentário foi deletado.

Isso foi censura do blog.

Infelizmente isso existe, a tal liberdade de expressão é um sonho escrito em algum lugar de nossa Constituição.

Lorena disse...

Lola, obrigada por abrir espaço para esse assunto também no seu blog. Infelizmente, a violência no parto é tão institucionalizada e corriqueira, que muitas pessoas não veem pra quê lutar para mudar a situação. Se a violência contra a mulher já horroriza em qualquer situação, que dirá a violência institucionalizada que a mulher sofre durante o período de gestação, parto e puerpério. Essa situação é MUITO grave e precisa mesmo ser discutida e combatida.

Como já comentei no Blogueiras Feministas (que trouxe um texto sobre o mesmo assunto esse fim de semana), uma querida amiga minha passou por situações de extrema violência e desrespeito em seu parto, há duas semanas atrás. Ela teve sua filhinha num hospital público do Rio de Janeiro e viveu situações dignas de um filme de terror. De ter sido humilhada por enfermeiros e médicos, ter que ouvir sua filha chorar à noite e não conseguir amamentá-la e ninguém se dignar a sequer perguntar se ela precisava de ajuda, ela ter sido impedida de ser acompanhada durante o parto pelo marido, até proteger a bebê de uma barata voadora que invadiu a enfermaria (pra terem uma ideia da situação do hospital) onde ela estava e NINGUÉM fez absolutamente nada... Além de diversas outras situações terríveis. Ela me escreveu essa semana, me mandou o relato do seu parto e a única coisa que eu pude fazer na hora que li foi chorar e me revoltar. A gente sabe que barbáries acontecem com praticamente todas as mulheres grávidas no Brasil, especialmente (e infelizmente) nos hospitais da rede pública, porém não somente. Mas quando acontece com alguém próxima à gente... dói fundo, mesmo. Minha amiga está absolutamente traumatizada com o que viveu. A equipe de """"""profissionais""""" que a atendeu conseguiu transformar um momento único, que deveria ser lembrado para sempre com emoção, numa situação de tortura extrema da qual ela não quer se lembrar, nunca mais.

Como se não bastasse toda a violência física e psicológica que ela sofreu durante os dias que permaneceu no hospital, a cesareana mal-feita e mal-acompanhada a que ela foi submetida trouxe diversas complicações e sequelas. Ela até hoje não se recuperou fisicamente e continua com problemas com a cicatrização, e absolutamente traumatizada, não consegue nem pensar em voltar à maternidade para ser atendida novamente...

Enfim, vou mandar esse guest post para ela (apesar de que ela já é sua leitora, Lola), que muito provavelmente vai querer participar do estudo da Ligia. À essa pesquisa, ela já respondeu, eu mesma enviei para ela.

E eu espero que as pessoas compreendam que violência no parto É violência contra a mulher, SIM, precisa ser combatida tanto quanto as outras formas de violência.

Nayara disse...

Lorena

Se você chama isso de violência eu vou dizer que esse seu relato é o jardim da infância da medicina.

Tenha o seu parto em um HOSPITAL ESCOLA para ver o que é humilhação. Você arreganha as pernas na maca e vem 10 a 15 estudantes enfiar o dedo na sua vagina para entender como é que acontece a dilatação. Isso já aconteceu com 3 amigas minhas.

Agende uma avaliação ginecológica de uma garota de 13 a 15 anos em um HOSPITAL ESCOLA. Pelo menos não faltará médicos, você vai ver no mínimo uns 20 médicos na sala para avaliar a vagina da adolescente. Agora faça a mesma coisa com a sua avó ...... huuuu supresaaaaa... ninguém apareceu.

Lola

O comentário acima também ofende a classe médica, talvez seja necessário deletá-lo devido as diretrizes da censura local.

Teresa disse...

Quando saiu essa notícia em um blog "progressista"

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2012/02/01/mae-defensora-do-parto-domiciliar-morre-ao-dar-a-luz-na-australia.htm

os comentários foram os mais tapados: quem mandou fazer essa estupidez, lugar de ter filho é no hospital e de cesárea, querem propor um retrocesso na medicina. Imagino que quem prefere o parto domiciliar é pra fugir desses horrores nos hospitais.

Carol NLG disse...

Nayara,
não acho que a questão seja comparar situações horríveis. É horrível pra cada uma, no seu limite.

Em tempo, ainda não tenho filhos. Quando os tiver, pretendo que não seja no país onde moro hoje - a taxa de mortalidade de mulheres no parto passa dos 15%!

Mas sei da história de terror da minha mãe, quando deu à luz à minha irmã mais nova. Foi no Hospital das Forças Armadas, em 1992. Era pra ser um hospital de ponta, mas na época era completamente sucateado. Foi o único parto da minha mãe que não permitiram que meu pai entrasse na sala de parto. Minha mãe entrou em pré-choque, teve infecções mil, quase morreu. Junto com minha irmã. Isso num parto normal. E olha que minha mãe sempre foi bastante resistente a ter filhos em hospital, e esperava até o último minuto pra ir pra lá. Estamos falando em contrações a cada minuto. Comigo e minha irmã mais velha, ela simplesmente chegou no hospital, deu 10 minutos e pronto. Com a mais nova, quase não saiu.

Nayara disse...

Carol NLG

Que país é esse onde a cada 20 mulheres que dão a luz, 3 morrem? Assustador esse índice.

Teresa

A vida é uma responsabilidade da própria pessoa. Se temos o direito de usar um corpo ao longo de nossa existência é nosso dever cuidar dele. A opção de correr risco de vida é nossa e não do Estado.

Se uma pessoa quer praticar esportes radicais onde existe risco de morte, ela tem o direito de o fazer. Se uma mulher se recusa a ter contato com médicos e prefere correr o risco de morte à ser cobaia de médicos, então isso é uma decisão da mulher que deve ser respeitado por todos e todas. A morte é uma opção. Lembrando que todos os dias morrem mulheres e crianças dentro de hospitais antes, durante e depois do parto. Isso não é exclusividade do parto doméstico.

Teresa disse...

Nayara, deixa eu esclarecer: estou defendendo a opção da mulher em ter o seu filho em casa e discordando das críticas ferozes que fizeram do parto domiciliar.

lola aronovich disse...

Gente ótima e querida, daqui a bem pouquinho viajo pra Franca, SP. Lá darei duas palestras: uma amanhã, dia 12/3, às 17 h, na Faculdade de Direito de Franca: "As faces do machismo e a relevância do movimento feminista hoje". E outra no dia seguinte, 13/3, às 14 h, na Unesp de Franca: "Como a mídia engessa as mulheres". Todo mundo que mora em Franca (e vi na wikipedia que há 321 mil dessas pessoas no mundo) está convidado pra ir lá ver a palestra, me presentear com brownies e chocolates, me abraçar, e tirar fotinho comigo (é, eu sei, eu também fico incrédula como tem gente que QUER fazer isso sem ser obrigada!). Ha ha, podem vir!
Eu volto na quarta de madrugada, mas duvido que dê as caras por aqui antes de quarta, meio dia (horário de almoço). Os trolls vão atacar, como é de costume, mas peço que não os alimentem. Simplesmente ignorem esses babacas, ok? E os posts de amanhã e terça são bonitos, mas também são polêmicos. Devem atrair esses cretinos. Já o de quarta não é bonito, mas certamente atrai babaca. Enfim. Não liguem pra eles!

Carol NLG disse...

Nayara, moro na Mauritânia. Fica na África saariana. As condições de saúde aqui são tudo, menos ideais. Eu tenho mais dinheiro que a média da população local (o que não é difícil num país em que o salário médio de um profissional com boa formação é de pouco mais de 100 dólares por mês) e posso pagar pelo atendimento nas clínicas particulares de/para estrangeiros. Mas não xconsigo sonhar em ter filhos aqui. Ficarei por 2 anos, com o compromisso da empresa de que, caso aconteça uma gravidez, eu sou transferida imediatamente pra outro país.

Aretha disse...

Lola, lendo os comentários ví que as pessoas ainda não sabem direito oq é violência obstetrica. queria sugerir um guest post com alguma gestante que tenha sofrido uma cesárea (preferencialmente, pois as pessoas acham que violência obstétrica só ocorre em parto normal) terrível. tem até um relato no meu blog de uma colega, a Thais, que inclusive é enfermeira. Se vc quiser publicá-lo, posso entrar em contato com ela. o post é esse: http://oquehadeerrado.blogspot.com/2012/02/o-relato-da-thais-realidade-da.html

Fernanda disse...

Bah, tema complexo e bem pouco discutido...

No outro post do blog que falava de violência no parto, eu achei difícil de ser verdade.
Bom, como estudo em um hospital escola, ainda acho que é uma crise generalizada de mau atendimento mesmo, especialmente quando é do SUS. De qualquer forma, vou levar a ideia adiante lá na faculdade, acho que vai dar um debate legal!

A propósito, Nayara, é claro que existem sim muita gente ruim se tornando médico e que não tem o mínimo respeito por determinados perfis de pacientes mas...essa mentalidade de que tudo o que acontece de pior na saúde é culpa da classe médica que é dinheirista por natureza é pra matar, viu!?

Lorena disse...

Nayara,

eu não citei tudo que minha amiga sofreu, até porque esse relato é dela, muito pessoal pra eu transcrever aqui. Coloquei apenas alguns exemplos do que ela viveu. E ela fez o pré-natal todo num hospital-escola e, acredite, não chegou nem perto do horror que ela viveu no parto.

é bom ressaltar que parto humanizado não é sinônimo de parto normal ou natural. Até cesareana pode ser humanizada. O problema é que a violência ocorre independente das vias de parto. Eu confesso, sei que estou generalizando, mas não confio mais em obstetra algum. Me desculpe se há algum aqui, mas antes mesmo desse relato da minha amiga, já havia me decepcionado com essa classe. A médica que foi minha ginecologista na adolescência e início da vida adulta foi a primeira a me decepcionar, quando interrompeu as contrações de uma funcionária dos meus pais para que o parto não fosse normal, e ela fosse obrigada a se submeter a uma cesárea. Depois desse dia, nunca mais quis voltar nela.

Eu, se puder, quero meu parto natural domiciliar. Principalmente porque não confio que não vá ser submetida à violência e desrespeito, em um hospital. Só de imaginar tendo meu filho nas condições que minha amiga teve...

Anônimo disse...

Eu tive meu filho na Escocia, a capital das parteiras do mundo. O sistema, na teoria parece maravilhoso: incentivo ao parto normal, sem anestesia, em casa, ou no hospital, na piscina... Na pratica, depois de passados 2 semanas da data, fiu ao hospital para um parto induzido que comecou na sexta de tarde, e terminou na segunda de manha comigo pedindo pelo amor de deus me facam uma cesariana! Detalhe, antes de me levarem para a cirurgia me fizeram assinar um papel que dizia que eu estava OPTANDO pela cesaria, e que estava ciente dos riscos.

Eu acho que cada mulher deveria ter seu filho do jeito que quisesse. Que realmente existisse uma escolha da mae. Nao acho que o parto esta sobre medicalizado. Quem prefere hospital e anestesias (eu, por exemplo) deveria poder ter o filho como quer e se sente mais segura. Sem criticas, sem todo mundo me dizendo como que Eu devo ter o MEU filho!

A escolha eh da MAE, e essa chantagem de que se deve fazer o melhor pro bebe eu acho que eh chantagem da pior. Nao pode ser melhor para o bebe uma mae traumatizada por um parto de um fim de semana inteiro! O bebe precisa de uma mae relaxada e feliz, para cuida=lo com todo amor nesses primeiros dias de vida (e sempre). A opcao eh da MAE sim! De cocoras ou cesaria, eh a mae quem deve dar a palavra final!

Mariana K disse...

É... dos tabus do machismo, o parto é um dos mais fortes, eu acho. Não se fala nele, nem com desrespeito como no caso do sexo, nem com fantasia como no caso do orgasmo feminino... Simplesmente não existe conversa sobre isso, e quem não vai atrás acaba sendo muito vulnerável a todo tipo de violência - afinal, "é assim mesmo que funciona", e se a mulher se sentiu desrespeitada no parto, ela, que na sociedade já é culpada por tanta coisa, já sabe bem o que pensar...

Por isso que é indispensável esse tipo de divulgação. Estou passando adiante o post, Lola!

Josiane P. W. disse...

Está chegando o dia em que tudo isso será passado. Os japoneses já estão estudando o útero artificial e tem protótipos prontos e aprovados para testes clínicos.

O espermatozóide masculino já pode ser dispensado na fecundação, cientistas australianos fecundaram óvulos com células do corpo. Isso permite que duas mulheres tenham um filho biológico, uma oferece o óvulo e a outra a célula para fecundação do óvulo.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2001/010710_fertilidade.shtml

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http://www.eluniversal.com.mx/cultura/53542.html

Fabrican en Japón un útero artificial

HONG KONG (Reuters).— Científicos japoneses crearon un “útero” para incubar en sus primeros días óvulos fertilizados artificialmente, lo que los ayudaría a crecer casi tan rápido como lo harían en un vientre humano.

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Acredito que em 10 anos será desnecessário o método sexual para fazer crianças. Poderemos ter empresas de produção de crianças, você encomenda um bebezinho, entrega o material genético e depois de alguns meses é só passar e pegar a criança.

Eu disse...

Lola, vou a Franca presenteá-la com umas bananinhas sem açúcar.

Boa viagem.

Bjs

Eu disse...

Eu vejo que a única solução é tirar a mulher do hospital, tirar a mulher do médico. Gravidez não é doença, não é algo que deve ser tratado.(Nayara)

Muito bonito, muito romântico no papel, OK, gravidez não é doença PER SI. Porém, quando engravidamos, nos tornamos vulneráveis a uma série de coisas, inclusive o óbito nosso e/ou do bebê. Doenças crônicas e agudas, danos irreversíveis ao bebê. Concordo que cada uma tem o direito de receber ou não o tratamento que quiser. Mas não generalize não, por favor.

Anônimo disse...

Esses/essas ginecologistas e obstetras do SUS ou das clinicas particulares, não importa, a maioria parece que tá lidando com os cadáveres com quem el@s estudavam na faculdade.

No SUS é ainda pior, pq além del@s machucarem você nos exames, te tratam como se estivessem fazendo um favor. São arrogantes e não respeitam a nossa opinião. Nojo!

Eu nem quero imaginar o sofrimento, o terror que é ter um bebê nas mãos de uns/umas monstr@s dess@s.

NÓS NÃO SOMOS CADÁVERES!

Cássia disse...

Eu ainda não sou mãe, mas conheço tantas histórias assim que o meu maior medo, quando eu decidir engravidar, não é com o parto em si. Mas com a maneira que vão me tratar. Esse assunto é muito sério e todos os envolvidos estão de parabéns por expor essa realidade que, para muitas pessoas, parece um grande exagero.

Eu disse...

Cassia, comece pelo hospital, depois o médico que opere no hospital. Se quiser fazer cesária e laqueadura, escolha um hospital NÃO religioso.

Anônimo disse...

Nunca quis ter filho,depois de saber desses absurdos agora q eu n vou ter mesmo

Sara disse...

É incrivel como falam que nós feministas somos vitimistas, mas fala sério, como aceitar que em um momento em que a propria natureza nos deixa tão vulneravel sejamos tratadas dessa forma.
É inadimissivel que até nesse momento sejamos vitimas de violência, fiz questão de responder ao questionário pq tb tive uma péssima experiência em meu primeiro parto.
Éssa é mais uma luta que nós mulheres temos que travar.

Eu disse...

Eu disse antes, comece pelo hospital, mas corrijo. Comece pelo MARIDO ou PAI da criança. Marido que não está junto, não participa, não leva ao médico, não acompanha, não deve ser pai, IMO.
As que são viúvas de marido vivo então, esquece. Vão fazer tudo sozinhas. Se tiverem mãe forte ou alguém que esteja do lado o tempo todo, vá lá. Não é o ideal...

Maria Valéria disse...

Da ate medo de comentar aqui, por ser medica.porem como nao sou GO/obstetra nao sei como esta a realidade , tanto no sus como no sistema privado.
Dizer que medico só trabalha pensando em $$$ e mentira,eu por ex só trabalho pelo sus, que paga uma merreca, nem por isso trato mal meus pacientes, pelo contrario,amo todos eles e meu trabalho

Concordo que cada mãe tem direito a escolher a via de parto, ate certo ponto. Há algumas situações que contra indicam um parto por via normal ou por cesárea, e contra indicações devem ser respeitadas, visando proteger a saúde da mãe e do bebe.o que ocorre, pelo que observo nos comentários daqui, e que muitas vezes isso nao e expllicado direito para a mãe.e aí complica. Quem se sente seguro a fazer um procedimento, que além de nao ser o que vc quer, nem e explicado por que e feito?!?

Parto em casa e uma polemicA, e o conselho de medicina nao nao da respaldo legal. Quer dizer, se o obstetra quiser fazer, ok, mas se der algo errado, o conselho processa.entao, um debate polemico, complicado, que tinha que ser discutido com toa a sociedade, inclusive com os conselhos de medicina.mas ainda assim, tem colegas que topam fazer o parto em casa

Sou contra o desrespeito ao paciente em qualquer situação, e entendo o traumA que algumS de vocês possam ter contra médicos obstetras.no entanto, acho perigoso generalizar, tipo: parteira e enfermeira e legal e medico e monstro. Toda categoria tem bom e mau profissional.eu mesma já fui bem e mal atendida por colegas médicos, e os que me atenderam mal sabiam que eu era medica.( imagina se nao soubesse).
Mas como nuna tive filhos, talvez nao seja a pessoa mais adequada pra falar disso. Só tive atendimento de ginecologista de rotina, e destes nao tive do que me queixar.

Enfim, Lola, um excelente post, que faz a gente parar pra pensar.amanha mesmo vou tocar nesse assunto com minhas amigas obstetras .

Beijos a todos

Eu disse...

Hmm, gostaria de saber quais as contra-indicações da cesária, se é uma medida de emergência, a priori.

:))

Maria Valéria disse...

Eu,,

Cesariana nao e só medida de emergência.pode ser uma medida escolhida desde o inicio da gravidez em algumS doenças e situações da gestante.como nao sou obstetra, nao poderia postar aqui com segurança sem verificar antes com algum colega meu da área.
Mas te adianto, que o Brasil e um dos campeões mundiais de cesareA,porque a maioria( tanto o medico quanto a paciente) acha mais cômodo marcar uma data e resolver tudo em 1 h e meia do que esperar horas pelo trabalho de parto.
Isso que estou citando, li em publicações do Conselho medicina e ouvi da boca de amigas que foram mães.
Mas se eu estiver enganada, podem me corrigir!!-:)
Bjs

Desa disse...

Um Absurdo isso mesmo! Pode parecer ridículo mas me lembrei daquela cena do filme Kill Bill onde a personagem principal encontra-se em coma num hospital e acorda depois de um longo tempo, enquanto ela ainda dorme ouve-se um enfermeiro "negociando-a" a um homem como se fosse uma boneca inflável! Daí a gente para pra pensar, muitas mulheres devem estar em coma por aí e quem me garante que elas não sejam abusadas, vítimas de piadinhas também?! Isso precisa ser parado, profissionaism da área da saúde devemos lutar para uma saúde pública com qualidade e com respeito ao paciente, que está ali e muitas vezes precisa também desabafar!

Amanda Lima disse...

Eu,
mulheres que tiveram uma cesárea podem ter um parto normal após certo tempo, chama-se Vbac (vaginal birth after cesarian). O risco é a ruptura uterina, mas após dois anos da cesarea, ela é de 0,5%.
E uma das coisas que não entrou aqui é que uma das agressões que uma mulher pode sofrer é querer um parto normal e ser levada pelo médico, com motivos falsos, a fazer uma cesárea.
Conheço vários casos que não são indicações de cesáreas, como cordão enrolado 'bacia estreita'(que só pode ser diagnosticada durante o trabalho de parto), sem contar cesáreas de emergência marcadas para dois dias depois (?) e outras desculpas muito utilizadas por GO's que desrespeitam a vontade da mulher por seus interesses.
tem muita coisa que precisa mudar, e temos que começar logo!

Anônimo disse...

Vou compartilha a minha experiência.

SUS = é uma merda, tem médico que olha para você com cara de nojo e nem chega perto. Uma vez um fdp me olhou a uma distância de uns 2 metros, disse "acho que deve ser" e me enviou para um cirurgião, marcou a cirurgia depois de dizer "acho que deve ser". No mesmo dia marquei consulta particular pagando muito caro.

Médico particular = os que recusam convênios e atendem apenas particular costumam ser ótimos, porém os que atendem convênio nem sempre são bons. Eu já ofendi uma médica inútil com quem consultava particular, foi meio feio.

Essa questão do parto no passado, eu lembro que vi alguns objetos históricos de parteira. Um deles era um suporte de madeira com o encaixa para os pés, onde a mulher em trabalho de parto encaixava os pés para ficar de cócoras de forma mais confortável com uma boa abertura.

Outra coisa parecida tem nos Andes, os Incas tinham os lugares, tipo templos, para o parto, onde havia uma cadeira de pedra onde a mulher apoiava os pés e as costas para fazer o trabalho de parto sem fazer força nas pernas.

Imagem: Equador - marido segura a esposa pela frente, parteira conduz a criança
https://secure.flickr.com/photos/marcosg/3774710755/

Imagem: Incas - marido segura a esposa por trás, parteira conduz criança
http://www.rcmorales.com.ar/rcm/publicaciones/imagen/5_crit_en_el_antiguo.jpg

Imagem: Chile - marido apoia mulher que fica de joelhos, parteira conduz criança
http://www.stony-hill-madison.com/servlet/the-1076/Matias-Gonzalez-Chavajay--dsh--dsh-/Detail

Imagem: Egito antigo - parto de cócoras
http://elmundovistoconojosdemujer.blogspot.com/2012/01/mujer-dando-luz-ayudada-por-las-diosas.html

Imagem: Modernidade japonesa - waterbirth vassel
http://elmundovistoconojosdemujer.blogspot.com/2012/01/waterbirth-vessel-parto-natural-y.html

Anônimo disse...

Tatiana,

ía responder a Nayara,mas a Nara Faraj falou por mim. É horrível ver leigos falando bobagens.

Anônimo disse...

Ok..vou dar exemplo de violência contra mulher na hora do parto.Fatos reais.

Plano de saúde - Cassi. A futura mãe está com fortes contrações e grita..um grito preso, reprimido e ainda assim ouve do médico.

- Cala a boca! Na hora de fazer você gostou né? (violência emocional)

SUS - médico é acordado no meio da noite p fazer um parto. A enfermeira toma o cuidado de só chamá-lo quando o bebê já está "coroando". Médico puxa bebê de qualquer jeito e lhe quebra o pescoço. Bebê morre. Laudo: foi acidente.A mãe é submetida então a cesariana pra retirar o resto do corpo.

são infinitos casos..convesem com estas mulheres..as do serviço particular provavelmente se queixaram mais de terem tido vontade de ter parto normal e foram praticament forçadas a uma cesariana.

Eu disse...

Amanda, como assim? Cordão enrolado não pode fazer cesárea? Se é emergência, não vejo como não fazer a cesárea. Deixa morrer mãe e feto?

Eu tive meu segundo filho 3 anos depois do primeiro, com outro obstetra.

Eu disse...

PS.: essa da ruptura uterina eu não sabia. faz sentido. Eu tenho medo mesmo são das hemorragias na mãe e da anoxia cerebral no bebê.

Maria Valéria disse...

Ser sem GO, sei que somente UMA cesareA anterior nao contra indica que o próximo parto seja normal.
DUAS cesáreas anteriores, contra indicam que qualquer outro parto posterior seja normal, pelo risco de ruptura uterina.
-:)

Beca Bricio - Mulher que pariu disse...

Lola, eu simplesmente fico muito agradecida pelos teus posts sobre violência contra mulher. Principalmente sobre a violência obstétrica.

Obrigada mesmo.

Vou compartilhar mais uma vez.
Beca Bricio - www.mulherquepariu.blogspot.com

Maria Valéria disse...

Outra coisa: concordo com quem falou que nao e só no Brasil que tem aberrações.
Ano retrasado, uma amiga que mora nos USA me ligou desperada.
Ela gravida de 3 ou. 4 meses, a a medica radiologista que fez o ultra som dela( nem era o obstetra que seguia, era a radiologista!!) disse que com certeza o bebe tinha algum problema de retardo mental e aconselhou minha amiga a abortar( lá o aborto e legalizado).
Totalmente anti ético e desumano.
Como nao sou da área, tentei tranqüiliza- lá por telefone, e falei pra ela procurar o obstetra dela o mais cedo possível.( o que ela fez, e seu medico disse que o bebe era perfeito e nao tinha nada de errado).uns 4 ou 5 meses depois o bebe nasceu, perfeito!!!
Falei pra minha amiga que ela tinha que ter levado o filho pra mostrar pra medica do ultrassom, dizendo' ta aqui o filho que vc me mandou abortar'
Sei que isso nao foi uma violência relacionada ao parto, mas deve ter sido horrível pra minha amiga ter passado quase meio ano angustiada só porque uma medica idiota resolveu falar bobagem, fazer exame errado e se intrometer onde nao foi chamada.

Anônimo disse...

Uma amiga só procura ginecologista homem porque diz ser melhor tratada por eles, eu já tenho vergonha de me mostrar para um estranho, mesmo sendo médico. Tem muito médico safado nessa área de ginecologia, porque ele não fez urologia? Pinto não quer ver né.

O problema desses médicos e médicas é que eles se acham os sabe tudo sobre a vida e a morte. No fim são todos uns interesseiros que só querem saber de cobrar caro e fazer um serviço porco.

Eles te exigem exames sem fim se for particular, se for pelo SUS não pede exame nenhum. Por particular o médico recebe comissão, pelo SUS o governo não libera exames.

LisAnaHD disse...

OFF TOPIC
The Translation Workplace - descobri ontem, buscando por CAPTCHA, caso alguém se interessar
http://www.proz.com
observe lá pelo meio da página em
"The latest translation questions asked via KudoZ":

Anônimo disse...

Eles te exigem exames sem fim se for particular, se for pelo SUS não pede exame nenhum. Por particular o médico recebe comissão, pelo SUS o governo não libera exames.

pensei que pedissem mais exames a quem tem plano de saúde.

Eu disse...

Nossa, Maria Valéria, aqui talvez fosse diferente. tá certo que quem faz olaudo de ultrasson é médico mas nunca aconselha a cliente, porque esta não é seu paciente. Será que ela escreveu sobre o retardo no laudo? tudo errado, hein?

Ligia Moreiras Sena disse...

Quero agradecer mais uma vez à Lola pelo grande apoio à causa contra a violência obstétrica.
Li todos os comentários aqui, até o momento, e gostaria de me ater em duas questões.
Primeiro: é realmente uma crença generalizada o fato de que a violência obstétrica acontece com mais frequência nos partos normais. Mas isso não representa a realidade. Muitas mulheres são encaminhadas para a cesárea sem qualquer tipo de recomendação real, e isso também configura uma violência. A violência de se decidir pela mulher, de se apossar do corpo dela sem qualquer tipo de informação ou argumentação. Temos que lembrar que a cesárea, do qual o Brasil é um dos campeões de audiência, muitas vezes é agendada previamente por conveniência médica. Outras vezes, um parto se transforma em cesárea também por conveniência médica. Quem teve filhos em datas comemorativas sabe bem disso... E a cesárea agendada pode levar a uma série de outras situações, como dificuldade na produção de leite, baixo peso ao nascer, entre outros.
No entanto, não dá pra generalizar dizendo que a situação está assim porque o parto foi delegado aos médicos. Muitos médicos estão na luta contra a violência obstétrica, embora sejam coibidos pelos conselhos ou sofram discriminação. Outros, ainda, procuram agir de maneira respeitosa, ainda que as instituições praticamente lhe imponham um ritmo de trabalho que não seja favorável ao respeito ao parto.
Mas a minha opinião particular é que a violência obstétrica diz mais sobre valores individuais e qualidade da formação profissional do que sobre instituições. O que quero dizer: um profissional bem formado, com noções claras de ética, não agiria de maneira violenta ou desrespeitosa. Assim como um indivíduo com sólidos valores de empatia, compreensão, solidariedade, também não agiria de maneira cruel. Um médico, um enfermeiro, que agem de maneira cruel, violenta, desrespeitosa ou tiveram problemas de formação, ou têm problemas relacionados a valores humanos, ou ambos. E esses profissionais podem estar no SUS ou na rede particular. A pesquisa está revelando isso, inclusive...
Mas independente da origem do problema, se é uma questão de valores, de formação ou financeira, a questão é: isso não pode mais ser aceito nem tolerado. É necessário e fundamental que tenhamos um canal direto de denúncia, para que o profissional possa ser responsabilizado e incriminado.
Aproveito para agradecer as mais de 1000 respostas, até o momento, ao questionário.
Esperamos conseguir mobilizar diferentes instâncias e conseguir mais atenção a essa questão.
Abraços
Ligia

Anônimo disse...

e quais são os maus tratos a mulher q vai parir??? vcs só tão falando do sistema!!!!!! cadê a violência?

Anônimo disse...

Um obstetra que acompanha uma gravidez já mostra se é respeitoso, responsável, ético e tudo mais. São 9 consultas ou um pouco menos, particular ou pelo sus. Outra coisa que ninguém aborda é o índice de infecção hospitalar. Isso é importantíssimo. Um hospital com índice alto ou não divulgado é furada, quer cesárea quer p.normal.

Amanda Lima disse...

Eu,
cordão enrolado não é indicação de cesárea, por que os bebes brincam com o cordão desde o sexto mês, se enrolando e desenrolando diversas vezes até o parto. E o bebe não pode ser 'enforcado' pelo cordão, já que não respira pelas vias aéreas antes de nascer...
E o que eu falei com relação a emergencia é que tem muito G.O que faz ultrassom e diz "mãezinha, vamos ter que fazer cesarea por que tá com o cordão enrolado e pode acontecer alguma coisa, não dá pra entrar em TP, é urgente. Vanos marcar pra dia tal."
Peraí, se é urgente tem que ser feito na hora, e não depois de 'x' dias, quando o médico tiver um horário na agenda!
Tem muito médico picareta por aí, que induz mulher a cesárea mesmo que ela não queira, só para 'terminar aquele assunto' em uma hora e meia e não ter que esperar algumas horas pelo trabalho de parto completo.
O problema, que já está se manifestando, é o número gritante de bebes que nascem antes do tempo (com cesarea agendada, sem entrar em trabalho de parto) tendo que ficar em UTI pois o pulmão ainda não está bem desenvolvido pra respirar sozinho, sem contar bebes com baixo peso ao nascer e problemas respiratorios graves, como asma, bronquite e afins causados pela imaturidade dos pulmões.
Isso sem contar o risco gigante de infecções em ter nove camadas da sua pela cortadas.
A cesárea salva vidas, mas quando ela é necessária (bebe pelvico, sofrimento fetal, pós datismo - passar das 42 semanas) e outras razões REAIS que levem a cirurgia, enão invenções médicas para que possam viajar no carnaval, operando todas as mulheres na semana anterior.
Recomendo a quem se interessar pelo assunto o facebook e twitter da Dra. Melania Amorim, referencia nacional em parto humanizado e respoeito a mulher.

Dani Cano disse...

Esse é um tema bem polêmico, até porque para debatê-lo é necessário ter conhecimento científico. Claro que não só o científico, mas como disse a médica acima, tem vários casos em que o parto normal/natural é contra-indicado. E isso não pode ser uma escolha da gestante nesse caso.
Mas tirando esses caso, sou super a favor da gestante ser livre para escolher a maneira como pretende parir.
Eu passei por 3 obstetras até encontrar a que gostei. Todos queriam que eu fizesse cesária, mas não cedi. Jovem, sem nenhum problema de saúde eu queria ter meu parto normal.
Não foi o parto mais humanizado do mundo, até porque p/ eu ter meu marido do lado tivemos que pagar uma vegonhosa taxa para o hospital. Fiquei naquelas camas que te deixa muito desconfortável e a médica fez episiotomia, a meu ver sem necessidade.
Mas o ambiente era calmo, poucos profissionais, meia-luz e sem passar frio.
Outra coisa que achei horrendo foi a enfermeira que foi levar meu bebê para amamentar. Ela levou minha filha no meio da madrugada, simplizmente me entregou a criança e saiu. Não ergueu a cama, não me ensinou a segurá-la corretamente.... nada. Amamentei minha filha emborcada porque não tinha um apoio nas costas.

Já soube de várias agressões nos partos: minha irmã é enfermeira e trabalha no SUS. Até mesmo no hospital de referência em parto humanizado ela já viu muita falta de respeito para com a gestante.
Acho que um canal para denunciar esse tipo de ato é mais do que bem vindo.

Maria Valéria disse...

Quanto a feriados prolongados e festas de fim de ano,varias amigas ginecologistas me disseram que desistiram de ter consultório e só trabalham no sistema publico. Por que?? Porque se vc for ginecologista, e quiser ter ' o direito' de tirar uma semana de ferias ou viajar, vc nao pode.e nao adianta indicar e apresentar um colega de sua confiança que fará o parto caso vc esteja ausente, porque a paciente nunca mais vai querer passar com vc.( já ouvi isso de inúmeros amigos GO ' s , juro por deus)
Entao, medico e um ser supremo que simplesmente nao tem direito a ferias, festas de fim de ano ou mesmo um espaço pra ficar com sua familia( perdão, medico né deveria ter familia)
Se e assim, nao sei por que existe medico de plantão. Plantão e pra isso, pra substituir o medico que nao pode estar presente no momento que vc quer.ou se a paciente nao aceita que seu GO indique um colega de sua confiança pra fazer o parto na sua ausência?? Bem, algo esta errado.
Por isso os altos índices de cesáreas nas festas de fim de ano que foram mencionados.
Acho que ambos os lados estão errados,, nesse caso.: o medico de que e conivente com esse tipo de situação , e agenda cesarea pra poder viajar,e a paciente, que exige que seu medico seja um deus, presente 24 Hs/ dia, 7 dias/ semana, sem pausa pra respirar e ter vida própria.
Polemico, né??
Nao foi por acaso que escolhi área clinica e nao cirúrgica, e nAo foi por acaso que optei ser funcionariA em vez de autônoma-- para poder ter vida própria.
-:)
Bjs a todos
Ps:EU, vc esta certíssima. Radiologista nAo tem que se meter em indicar aborto, somente em dar o laudo. Se ela suspeitou de retardo mental, algo tão grave, deveria ter ficado quieta e aconselhado minha amiga. A procurar seu GO o mais cedo possível.
Nao sei se ela escreveu isso no laudo!!! Se escreveu, daria processo, mas minha amiga e super a paz, sabe???...
Mesmo o GO dela , no caso de o laudo estar correto e ser retardo mental, tem que dar a noticia com cuidado. E quanto a indicar aborto?? Bem isso a uma decisão que cabe a mulher , e em alguns casos o marido, a mais ninguém. O medico nem pode interferir nisto!!
Lembro que chorei ao ouvir o que a minha agora falou: que ia entregar pra deus e jamais abortar, porque se nascesse com problema ela ia amar o filho do mesmo jeito.!!!-)
Felizmente, o bebe nasceu perfeito.
Bjs.

Thais Machado disse...

Sou aluna de medicina e profundamente partidária da discussãolevada aqui pela autora do blog.
pena que somos poucos a ver criticamente essa situação na formação do profissional médico e de enfermagem.
Numa tentativa de fazer este trabalho destaco a iniciativa deste blog:
http://reflexoesdointernato.wordpress.com/author/caism/

Angélica disse...

Gente,

essa história de parir algemada é verdade?

é o horror! o horror!

é o horror sobre o horror!

Amanda Lima disse...

Maria Valéria:
concordo contigo que médico, como ser humano que é, tem TODO o direito a tirar férias e a ter feriados. Mas não precisa, por isso, antecipar partos!
Os casos que falei são de pessoas conhecidas que, com 37/38 semanas foram levadas a cesárea por causa do carnaval e páscoa, respectivamente.
Um bebe pode nascer entre 37-42 semanas, e isso dá mais de um mês de prazo! Então, o médico não precisa 'indicar' a cesárea antes do feriado, é só dizer pra paciente que, se ela entrar em TP durante esse periodo, chame o colega tal ou vá para o hospital tal. Caso contrário, faz-se o parto quando a mulher entrar em TP, que é quando o bebê está pronto para nascer!
Eu quase fui submetida a uma cesárea desnecessária por 'bacia estreita' com 38 semanas. Detalhe, o calculo do G.O estava errado e minha filha teria nascido de 36 semanas, tecnicamente prematura. Larguei o G.O do plano e fui parir no SUS, onde ela nasceu, de PN, com 38 semanas e 2 dias (isso 15 dias após a data da cesareana marcada pelo meu ex-médico).
Vendo diversos depoimentos, vejo que tive um atendimento ótimo no SUS, e só por que escolhi um hospital humanizado e fiquei bastante tempo em casa, por que, caso contrario, teria sofrido todas as violencias institucionalizadas descritas por milhares de mulheres!

Eu disse...

Excelente, Amanda. Eu também só fui pro hospital quando começaram as contrações (primeiro parto). Assim mesmo, fiquei 6 horas lá, gritando e esperando. Até que o bebê entrou em sofrimento. Eu me arrisquei. Arrisquei meu filho. Mas tive confiança nos médicos todos, inclusive o obstetra, que era o chefe da obstetrícia do hospistal.

Meu segundo filho nasceu com data marcada, como já disse, sem problema algum. Só teve uma hipotermiazinha.

Não dá prá ser uma perfeição qualquer parto que seja, porque já é uma situação desagradável em si mesma. O jeito é minimizar as possibilidades de dano irreversível. O resto a gente releva...

Ariane disse...

Lola, acompanho o seu blog há algum tempo, e amo todos os posts. O último que mais me chamou a atenção foi sobre a violência obstétrica. Vou relatar como foi meu parto.
Fui mãe com 17 anos, engravidei sem planejar, mas eu escolhi ter minha filha. Durante o pré-natal fiz o acompanhamento pelo IAMSP (minha mãe é professora), uma droga de pré-natal, a consulta durava 5 minutos, não recebi nenhuma orientação, sobre nada, absolutamente nada. Sempre ia sozinha, e pela minha imaturidade não soube lidar com a situação.
No meu último mês de gestação, a médica que me acompanhava (é, nem olhava pra minha cara) entrou de férias e nenhum outro profissional médico assumiu seu lugar.
Então, o IAMSP me encaminhou para a maternidade da cidade. Nessa maternidade são atendidos pacientes do SUS, convênio e particular.
Fui atendida por uma excelente profissional, que me tranquilizou, ficou comigo mais de uma hora, fazendo exames e avaliações. Depois de uma semana dessa consulta entrei em trabalho de parto. Não tinha noção de como seria, o que poderia acontecer, tinha muito medo, muito medo de morrer, ou da minha filha morrer, medo de fazer cesárea. Enfim, acho que isso é muito comum, mas falta muita orientação antes e durante o parto.
Nessa maternidade não era permitido acompanhante, eu acredito que não pela vontade dos profissionais, mas pela estrutura física do ambiente. Foi muito ruim estar sozinha, mas eu percebia o esforço dos profissionais em me acalmarem. Era um hospital escola, e uma aluna me acompanhou. Ela me ajudou muito, me tranquilizou. Felizmente, a médica que estava de plantão foi a mesma que tinha me atendido uma semana antes. Todos os procedimentos, toques, eram explicados e sempre pedia minha autorização para a realização deles.
O parto ocorreu na posição de litotomia (deitada de costas) e evolui da melhor maneira possível. Minha filha nasceu saudável e logo que nasceu consegui amamentá-la, foi muito lindo.
A equipe o tempo todo me tratou com muito respeito. Infelizmente, já ouvi relatos reclamando do parto nessa maternidade.
O único ponto ruim foi ter ficado sozinha, sem algum familiar por perto. E mesmo depois que minha filha nasceu ficamos em quarto coletivo, sem direito a acompanhante.
Depois de uns dois anos, fiquei sabendo que a maternidade estava com um projeto para poder acomodar os acompanhantes, e estava em discussão também, como prepará-los para o momento do parto. Hoje não sei como esta a situação.
O que eu posso dizer é que sim, pode-se ter uma boa experiência pelo SUS, eu tive. Por mais medo que eu estava, fui muito bem acolhida, e via nos profissionais o esforço para darem o melhor.
Quero muito ter outro filho, de parto natural se possível, se meu corpo permitir. Acredito que o melhor tipo de parto é aquele que é bom para a mãe e para a criança (sou a favor do parto natural, sem sombra de dúvidas, mas se há a necessidade de fazer uma cesárea, esta deve ser feita)
Sei que essa não é a realidade para a maioria das mulheres, e o mais triste é que a situação da violência vai ainda perdurar por muito tempo. Mas devemos continuar a combatê-la, todos os dias.

@LaLo disse...

Sou homem, e por isso, gostei do artigo. Nunca pude imaginar que é assim que acontecia.... Muitos maridos deveriam ler isso!!

Abraços Lola

Anônimo disse...

Muito interessante o post!
Mas acredito que antes de ficar falando algumas besteiras... As pessoas deveriam procurar saber o significado das palavra utilizadas... Emergência é bem diferente de Urgência...
Circular de cordão pode ser sim indicação de cesárea... Uma vez que pode levar o concepto a sofrimento fetal, e até mesmo anóxia! Realmente, o bebe ainda não respira dentro do útero materno... Porém, é através do cordão umbilical que ele recebe oxigênio e nutrientes...
Concordo que aconteça sim violência obstétrica! Sou contra!!!!
Acredito que boa parte dos problemas relacionados ao Parto Normal estão associados ao pré-natal. Mulheres que são preparadas para o parto normal, recebendo informações com relação ao tempo que o trabalho de parto pode durar... das contrações... Tudo isso ajudaria para melhorar a situação de assistência ao parto pelo SUS...
Bom informar também, que hoje as mulheres em trabalho de parto tem direito de ter um acompanhante...
Vamos debater! Sim!!! Mas vamos o fazer com as informações e sem falar asneiras.

Anônimo disse...

Muito interessante o post!
Mas acredito que antes de ficar falando algumas besteiras... As pessoas deveriam procurar saber o significado das palavra utilizadas... Emergência é bem diferente de Urgência...
Circular de cordão pode ser sim indicação de cesárea... Uma vez que pode levar o concepto a sofrimento fetal, e até mesmo anóxia! Realmente, o bebe ainda não respira dentro do útero materno... Porém, é através do cordão umbilical que ele recebe oxigênio e nutrientes...
Concordo que aconteça sim violência obstétrica! Sou contra!!!!
Acredito que boa parte dos problemas relacionados ao Parto Normal estão associados ao pré-natal. Mulheres que são preparadas para o parto normal, recebendo informações com relação ao tempo que o trabalho de parto pode durar... das contrações... Tudo isso ajudaria para melhorar a situação de assistência ao parto pelo SUS...
Bom informar também, que hoje as mulheres em trabalho de parto tem direito de ter um acompanhante...
Vamos debater! Sim!!! Mas vamos o fazer com as informações e sem falar asneiras.

Maria Valéria disse...

Amanda,
Concordo com vc!!! Nenhum medico deve marcar data pra cesareA ou antecipar parto pra poder viajar.

Mas, como disse no comentário anterior, a paciente tem que saber aceitar que seu GO tenha ferias, sem fazer beicinho e dizer ' entao vou trocar de GO Pq o sr me vai me abandonar na hora do parto e nao aceito fazer o parto com outro go' pq na pratica, e o que meus amigos go' s dizem que acontece.( corrijam me se eu estiver enganada)
-:)
Certo???
Basta o medico indicar outro de sua confiança pra fazer o parto, caso ele precise se ausentar.
E indicar uma pessoa de sua confiança pra tratar seu paciente na sua ausência, bem, vc nao indica qqer um né??? A nao ser que vc seja maluco...
-:)
Beijos.

Eu disse...

Maria Valéria, uma saída prá esse problema é ja perguntar antes se o obstetra vai tirar férias/feriado na data/época prevista do parto, certo? Aí, se forem datas complicadas e ele disser que não estará, é hora de escolher outro obstetra e seguir o pré-natal com este.

Eu disse...

Completando: eu não sou adepta de ser atendida por qualquer obstetra que não me conhece, que eu não conheço numa hora como esta.

Maria Valéria disse...

Eu:

A saída seria boa se nao fosse pelo seguinte:

O ano tem. 12 meses, certo? E vc, obstetra tem N pacientes.
Ou seja, todo mês fatalmente vai ter uma de suas pacientes dando a luz.uma ou mais.

Se o medico quer tirar ferias em dezembro, nao poderia iniciar o pre Natal de ninguém que engravidou em fevereiro ou marco, por ex???As mulheres engravidam e dão a luz em todos os meses do ano, se for assim o medico nunca pode tirar ferias ou um fim de semana sequer.

Sua solução só seria boa se fosse feito como vc falou, combinando antes: o sr vai tirar ferias no mês que vou dar a luz?? Entao agradeço, mas prefiro fazer com outro dessa vez Pq nao me sinto segura assim.
E nao ficar de cara amarrada e dizer ' nunca mais passo com vc só Pq vc nao vai estar aqui qdo for o meu parto'

-:)

Eu disse...

Se o medico quer tirar ferias em dezembro, nao poderia iniciar o pre Natal de ninguém que engravidou em fevereiro ou marco, por ex???

Sim, Maria Valéria, acho essa decisão muito apropriada, do ponto de vista da parturiente, principalmente quanto ao fim do ano e carnaval. O obstetra é ginecologista também, não há de faltar paciente. E claro que uma grávida pode consultá-lo a qualquer tempo.

Se o obstetra opera num bom hospital e é bom profissional tb, ele pode ser escolhido numa próxima gestação. É incrível que no Brasil as futuras mamães não escolham a época do parto. Nos outros países vejo essa preocupação.

Valentina, uma mulher que fala disse...

Estou chocada!

Anônimo disse...

para escolher a época do parto então a mulher tem de escolher quando engravidar, certo? Alice

Maria Valéria disse...

Conversei com uma amiga GO. E mela disse o seguinte:

Perfeita a sugestão. Da EU.se acertar se o medico vá estar disponível ou na durante o parto, para a paciente poder optar com quem seguir.
Ocorre que como minha amiga falou, o lance e desde o comeco jpgar limpo!!!

Já dizer logo de cara se estará disponível na época do parto.acontece que tem muitos que largam a paciente na mão pq nao jogam limpo desde o começo.
E nao só por causa de ferias, mas por terem outros compromissos, como consultório e mais de um emprego, por ex.
Sou da mesma opinião dela, que tem que jogar limpo.

Quanto a programar data pá engravidar, acho complicado, uma vez que as mulheres estão engravidando cada vez mais tarde, a taxa de fertilidade diminui, e aí nao vai ser possível que ocorra exatamente na época que vc quer.

Acho importante ressaltar que mesmo sendo vc que vai fazer o pre Natal e o parto, e interessante deixar combinado e o telefone de outro colega pra poder atender a gestante caso vc nao esteja disponível.

Bjs

Isa disse...

Assisti esse vídeo agora no youtube e acho que vem a calhar com o tema. http://www.youtube.com/watch?v=qiof5vYkPws&feature=youtube_gdata_player

O parto pareceu tão bonito e tranqüilo, tão diferente do que estamos acostumad@s...

Eu disse...

Maria Valeria, quanto a largar a paciente na mão, só podemos fazer o seguinte: detectar qualquer descaso, bem como abuso, chacota, desconsiderações tais como atrasos, faltas nas consultas e já ir procurando outro. E outra, REFERÊNCIAS. No meu caso, a referência era o plano de saúde ligado a empresa em que trabalhava, o hospital e depois o médico, de preferência chefe da obstetrícia. O do meu segundo parto não foi chefe, mas foi um amor, mãos de parteiro mesmo.

Nessa hora vale muito a pena contratar um plano que cubra o hospital que se escolhe ANTES de ficar grávida, é lógico.

Bjs


:))

Eu disse...

Quanto a programar data pá engravidar, acho complicado, uma vez que as mulheres estão engravidando cada vez mais tarde, a taxa de fertilidade diminui, e aí nao vai ser possível que ocorra exatamente na época que vc quer.
(Maria Valeria)

Sim, esse é o objeto da crítica de uma dissidente do feminismo em outro post recente aqui.

Minha primeira gravidez foi agendada por um maravilhoso ginecologista/obstetra. Como eu casei mais tarde tb, ele me aconselhou a esperar só 6 meses depois do casamento prá engravidar, porque se houvesse problema, iria levar mais tempo prá identificar, tratar, etc. Foi o que eu fiz,:))
Mas eu poderia ter escolhido outra data prá ele nascer, não custaria nada...rs

Eu disse...

Essa consulta a que me referi foi pré-nupcial.

Anônimo disse...

exato, alice, acho até leviano desconsiderar que a maioria das brasileiras é pobre e não planeja gravidez porra nenhuma.

Eu disse...

Anônimo disse...
exato, alice, acho até leviano desconsiderar que a maioria das brasileiras é pobre e não planeja gravidez porra nenhuma.(Anônimo)

Falta de planejamento familiar não é atestado de pobreza, viu? Antes fosse. Tenho uma parente grávida, sem plano de saúde, que poderia inclusive ter se filiado um bom plano e esperado a carência. Agora vai dar entrada na emergência do SUS quando chegar a hora. E seja o que deus quiser.

Anônimo disse...

minha mãe fez todo o prenatal e acompanhamento da última gravidez com um obstetra que já a preparou para ser assistida por outro médico, caso ele, o médico da minha mãe, não estivesse disponível por qq motivo e foi dito e feito... o médico que a assistiu se chama(va) Márcio, nome escolhido pra minha irmã.

eu fiquei grávida em fevereiro e dei à luz em novembro no dia e hora que senti as devidas contrações, nada programado pra tal dia, e se meu obstreta não estivesse disponível tb havia sido combinado com outro médico... e meus relatos um aconteceu faz 48 anos e o outro 41 anos. Alice

Eu disse...

Alice, então vc e sua mãe tiveram dois obstetras acompanhando suas gravidez? não é uma má ideia. Mas se consultar a gestação inteira com um obstetra e ter com outro...não acho legal não, só se conhecer o outro tb. O médico que vc escolheu já estava de caso pensado?

Anônimo disse...

Não tivemos dois obstretas nos acompanhando durante toda a gravidez, mas estávamos preparadas para outro obstreta fazer o parto e foi o que aconteceu com minha mãe. O obstetra dela não estava disponível e dr. Márcio fez o parto e minha irmã é Márcia.
Alice

Erres Errantes disse...

Minha mãe conta que quando eu nasci um funcionário (não sei se era médico ou enfermeiro) errou a vei do braço dela na hora de aplicar uma injeção, e isso a deixou com sangue escorrendo pelo braço. Minha mãe se queixou disso e o funcionário disse:
"Dê graças a Deus de sair viva daqui".

Quando minha mãe teve minha irmã ela também foi desrespeitada. Ela estava no meio de um parto normal muito difícil, até que num dado momento minha m~e gritou chamando por Deus. Nesse momento um médico apareceu à porta da sala de parto, e a médica que estava com minha mãe chamou o médico: "Venha aqui, fulano, porque eu já estou sem paciência."

Esses casos ocorreram há muitos anos (31 no caso de minha irmã e 25 no meu caso), mas infelizmente de lá pra cá não houve melhora alguma no trato com as gestantes e parturientes.

Abraço,
Rosa.

Anônimo disse...

Concordo!!!!!

Raphael disse...

Dei uma lida e acho que o problema se resume a uma coisa: Falta de compreensão dos dois lados.

Médico: Um fato é, o corpo é realmente teu. Mas se der algo errado, a culpa é do médico. Não tem essa de "ela quis assim e sabia dos riscos". Qualquer coisa que ocorrer, a culpa vai ser do médico e pronto. É o dele na reta. E com a indústria de litígios que há hoje em dia não pode dar mole. Muitos também são sobrecarregados e cobrados por superiores que visam sanar déficits ou maximizar lucros, fazendo o médico ter de preferir a praticidade.
Um exame de toque pode doer, não é legal, mas não há o que possa ser feito. Dor existe, faz parte da vida, e médico não é mágico.
É chato residentes terem re-examinar para aprender, porém, medicina é uma ciência altamente empírica, melhor tu passar pelo incômodo do residente de "fuçar" do que anos depois haver complicações ou até mesmo morte de futuros pacientes por inabilidade.

Paciente: Médicos trabalham por longas horas, e repetem os mesmos procedimentos durante horas, dias e anos. Em sua rotina puxada, eles já veem tudo tão trivializado que não contemplam que para o paciente aquilo é algo estranho. Eles simplesmente ligam o automático com o que já fazem com a mesma facilidade que respiram, ao mesmo tempo que que a sobrecarga os trás stress e eles acabam sendo grossos sem perceberem. Faz parte da vocação da medicina alguma empatia, infelizmente, atraídos por prestígios e salários, as únicas qualidades realmente selecionadas são a memória.
Nos meus tempos de juventude pensei em ser médico, mas como apesar de ser um pouco aspie tenho juízo, deixei pra lá, pois comigo apesar do paciente ficar inteiro, a criança iria chorar e a mãe não ia ver. Infelizmente a maioria só pensa em lucros e prestígio e não avalia sua vocação. =(