segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CONCLUSÃO: NÃO É FÁCIL SER MULHER

Três notícias relacionadas à violência contra a mulher que vi só entre ontem e hoje. 
A marca de roupas Dafiti comercializou em seu site uma camiseta feia pracarai que dava "exemplos de pleonasmo": "subir pra cima, descer pra baixo, hemorragia de sangue, político ladrão, mulher burra".
Lindo, né? R$ 49,90 por uma camiseta que chama mulheres de burras, pra você carimbar na testa o seu machismo. Pra você vestir sua misoginia e sair desfilando por aí! 
Diante das reclamações, a Dafiti explicou que o produto era da responsabilidade de um de seus parceiros, a Eiblu, que foi descredenciada. Retirou a camiseta do ar, pediu desculpas, e afirmou "repudiar qualquer tipo de manifestação de preconceito e discriminação". Menos mal, né?
Pois é. O problema é que uma rápida busca possibilita ver outras camisetas machistas da Eiblu vendidas pela Dafiti. Tipo esta, que pode ser interpretada como fazendo apologia ao estupro:
Esta fala da "evolução das inimigas", indiretamente chamando mulheres de vacas e incentivando a rivalidade entre as mulheres, uma velha estratégia do patriarcado (juntas somos mais fortes):
E esta, em inglês, pede que você seja legal com as pessoas gordas, porque um dia elas podem salvar a sua vida. No desenho, um urso persegue uma pessoa mais gordinha.
Quer dizer, a Eiblu parece ser uma fábrica mascu, estampando os preconceitos de sempre (provavelmente as camisetas racistas e homofóbicas estavam em falta). E a Dafiti comercializa essa porcaria sem saber? Não cola. Não tem isso de "Eu não sabia". A marca obviamente tem que saber o que vende e quem produz o que está sendo vendido (sabe trabalho escravo?). 
Outra violência vem do tipo de "jornalismo" que eu pensei que (assim como o colunismo social) já estivesse extinto. É aquela seção que fotografa mulheres na rua e dita se aquele look está "certo" ou "errado". Porque alguém morreu e nomeou o jornalista Deus pra decretar verdades absolutas sobre moda.
Este print saiu no caderno "Zona Oeste" (mais popular) nos jornais O Globo e Extra
É uma coluna chamada "Estilo", assinada por Lolô Penteado, pseudônimo da jornalista Roberta Ferraz. Não tenho qualquer outra informação sobre a coluna. Nem sei se esse print é deste ano ou de 2014, já que o professor de literatura da UFRRJ, Marcos Pasche, que postou o print no seu FB, havia tratado do tema numa palestra no ano passado. 
De todo modo, a coluna traz duas fotos com o rosto coberto por um desenho, para evitar processos (afinal, você não pode tirar foto de alguém na rua -- ou na internet -- e ofendê-lo; existe uma coisa chamada "concessão do uso de imagem", ou "termo de cessão de direitos para uso de imagem", como qualquer pessoa que já apareceu na TV ou num vídeo sabe). A primeira diz:
"Visão do inferno: Dá vontade de rolar uma Lava Jato na produção dessa lola. Como pode sair de casa com legging e blusa curta? Um crime! E o blazer três números menores do que o dela, estourando o botão? Gente, para completar, a botinha torna o look ridículo. Não queria ser cruel, mas fui. Às vezes, é preciso um choque de realidade". 
E a outra: "Não pode. Se você está naqueles dias em que não está a fim de se produzir, melhor não sair de casa então. Para não dar nisso. Nesse look deprimente, com bermuda apertada e barriga saltando, chinelão 'véio' e camiseta desbeiçada. Acho que nem para dormir sozinha essa produção passa. Eu ficaria com vergonha de mim mesma". 
Chato ver meu nominho sendo usado pra isso, mas obviamente não é pessoal e duvido que a jornalista me conheça. "Lola" é um nome fofo que vem cada vez mais sendo usado para ser marca de roupas, cosméticos, cabeleireiros, animais de estimação etc. Aqui, como o pseudônimo da jornalista é "Lolô", suponho que ela use "lola" como sujeito de suas críticas, que nada mais são do que puro "body shaming". Em outras palavras, você pega uma parte do corpo de uma pessoa, quase sempre mulher, e a humilha por isso. Nas duas imagens, vemos uma mulher acima do padrão de beleza magérrimo. Logo, ela nem deveria por os pés na rua, segundo a colunista, porque é "um crime" usar blazer "estourando o botão", ou "bermuda apertada", "barriga saltando". 
O que mais me choca é a ordem de que, se você não quer se produzir, não saia de casa. A rua é pública, não é uma passarela. Mulheres saem de casa por mil e um motivos, e não precisam estar impecáveis, muito menos para agradar homens ou colunistas de moda. Eu sempre lembro de alguma dessas colunas dizendo na minha infância e adolescência que a mulher têm que estar sempre maquiada, bem vestida, cabelo lindo, salto alto, até quando vai à padaria, porque nunca se sabe quando vai encontrar o príncipe encantado (o meu -- se é que alguém ainda acredita nessa asneira de príncipe -- eu conheci num torneio de xadrez, sem maquiagem nem salto alto).
É esse tipo de baboseira que se ensina às meninas desde muito cedo, que as mulheres devem ser decorativas, devem viver em função de seduzir homens. Até na hora de dormir sozinha precisamos estar maquiadas! 
Não preciso nem falar no quanto esta "cagação de regra" é elitista. 
Todo mundo conhece o "ditado" "Não existe mulher feia, existe mulher sem dinheiro", ou, mais direto ainda, "Não existe mulher feia, existe mulher pobre", associando assim, na cara dura, pobreza à feiura. Ai de você, mulher pobre, que não tem grana ou tempo para um banho de loja ou uma academia ou uma cirurgia plástica. Seu destino é ser fotografada sem permissão na rua para servir de exemplo negativo de aparência (e ai de você se você tem dinheiro -- meu caso -- mas tem mais o que fazer além de se render a um padrão inatingível de beleza. Você também será perseguida). 
Mas sabe o que é bacana? É que o segundo look, de uma mulher com camiseta, bermuda ou short e chinelo, é o que eu mais vejo na rua. Aliás, não só na rua, mas nas universidades também. Grande parte das alunas se veste desse jeito, pelo menos aqui no Nordeste, que é quente pacas. E elas se sentem ótimas, confortáveis, poderosas. Óbvio que nem andar "desleixada" as salva de serem assediadas na rua, mas esse é outro assunto.
Só concordo com a última parte do texto da jornalista: "Eu ficaria com vergonha de mim mesma". Sim, estamos com vergonha de você, Lolô.
A terceira notícia é que a TV estatal do Marrocos deu dicas de maquiagem para cobrir marcas de violência doméstica. Em vez de combater e eliminar essa violência que afeta tantas mulheres pelo mundo, a emissora decidiu escondê-la. E não sei se o timing influi, mas também foi totalmente errado: o tutorial foi ao ar no dia 23 de novembro, dois dias antes do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. 
O tutorial de maquiagem, em que a sorridente apresentadora instrui "Depois do espancamento, essa parte do rosto ainda está sensível, então não pressione", foi amplamente repudiada em todo canto. As feministas marroquinas começaram uma petição clamando para não cobrir violência doméstica com maquiagem. E a TV se retratou.
A conclusão bastante óbvia dessas três notícia recentes está no título do post. Não vou repetir o que vocês já sabem. 

58 comentários:

Anônimo disse...

Incentivar a rivalidade entre mulheres? Desde quando é necessário isso Lola? As mulheres competem entre si, aceite isso.
Em relação a piada com o urso atacando a pessoa gorda, é só uma piada,uma piada, apenas isso

Anônimo disse...

mais um vez omens fazendo a vida das mulheres um inferno

e ainda tem mulher q gosta disso

omen, eca

titia disse...

É, realmente não precisa repetir. Dá licença, vou ali entoar o mantra universal que descarrega energias negativas, reequilibra os chacras, desopila o fígado e restaura a paz interior:

Foda-se. Foda-se. Foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se. Foda-se, foda-se, foda-se, foda-se.

Ah, deixa eu só tripudiar um pouquinho:

Estão vendo aí, seus babacas, que existem SIM feministas em países islâmicos e que elas estão lutando também? CHUUUUUUPEEEEEM!

Charle Coimbra disse...

Parece que a expressão "ditadura da moda" é mais real do que qualquer mulher poderia imaginar. A tal Lolô Penteado é uma general (ou juíza) da moda. Do alto de sua autoridade determina o que legal ou não ("Como pode sair de casa com legging e blusa curta? Um crime!", diz ela), chegando a propor a pena de prisão domiciliar pra moça que não esta afim de se produzir antes de colocar os a cara na rua. Além disso, ela é cruel, mesmo afirmando não querer, afinal é seu dever como autoridade. Pra completar, fala em ser preciso dar choque nas que transgridem as regras. Não, não é fácil ser mulher!

Anônimo disse...

Véi.. quem se preocupa TANTO assim com que os outros vestem deveria pegar uma enxada e capinar uns 500 hectares de asfalto, catar minhoca no topo das árvores e procurar estrela do mar no meio do mato. Assim se ocupa e faz/fala menos merda, além de tornar a vida de todo mundo melhor...

Quanto ao tutorial de maquiagem para vítimas de violência domestica: =O

Jane Doe

Anônimo disse...

Titia, aqui em som de funk:
https://www.youtube.com/watch?v=BMhj2wffngU

E vamos mandar 'se fu' geral e irrestritamente.

Anônimo disse...

Fala sério tem que ser cego pra não ver que a imagem da camiseta é montagem

Anônimo disse...

A liberdade vale pros dois lados. Vc é livre para sair de casa como quiser. E os outros têm liberdade para criticar e debochar como quiserem.

Simples assim.

Anônimo disse...

E sobre o julgamento do monstro Elise Matsunaga?

Vai ser cri, cri, cri?

Anônimo disse...

Titia, você deveria escrever um livro e montar um templo desses mantras para as mulheres porque cada dia que passa é um choque.

Anônimo disse...

Na verdade, todas as pessoas competem entre si de certa forma, principalmente na infância e adolescência, quando são mais influenciáveis. No entanto, dizer que mulheres competem entre si como se fosse a mesma coisa que incentivar uma verdadeira rivalidade entre elas é bizarro. Há diferenças aí, sem contar que nem todas (aliás, vale para os homens também) ficam "competindo". Digo isso como mulher, que sempre viveu no meio de mulheres, tive muitos poucos amigos homens na vida. Observo na internet que há muitos "profissionais no comportamento das mulheres", sendo que é muito comum estes "profissionais" serem homens jovens e adolescentes que tiveram pouco contato com elas (normalmente reclamam de serem ignorados). Basta passar um tempo nos imageboards anônimos e blogs de mascus para perceber como gostam de colocar a culpa da própria infelicidade nos outros, principalmente no sexo oposto.

Anônimo disse...

Dá vontade de chorar o Atlântico e o Pacífico quando uma "irmã"se presta a um desserviço desses.O mundo está em coma.Triste!

Anônimo disse...

Chamar todas as mulheres de burras foi apenas uma piada também?

Anônimo disse...

lola, pelo amor de deus, retira a moderação dos comentários, depois q ng comenta nada nos seus posts não sabe pq, isso suprime totalmente o debate e tira a vontade de comentar

se tiver algum comentário abusivo, vc retira, igual fazia antigamente, ou então atualiza mais depressa, por favor, nunca te pedi nada

Anônimo disse...

Não, os outros não tem o direito de abusar do fato de esconder o seu rosto para fazer um discurso absurdamente pejorativo sem sofrer penalidades.

Anônimo disse...

E sobre todos os homens que assassinam tão fria e brutalmente quanto a Elise Matsunaga suas filhas, esposas, mães, amantes, amigas e até desconhecidas todos os dias?
Vai ser cri, cri, cri?
Por que sempre é cri, cri, cri?

Anônimo disse...

Ser mulher talvez tenha sido o maior erro que eu e milhares de outras mulheres ao longo da história já cometemos. A opressão ao sexo feminino é absurdamente esmagadora e brota de cada viela mental retrógrada, independente da classe social, da etnia e, até mesmo, do sexo do manifestante. A coisa mais dolorosa de ser mulher parece ser ter de calar-se por ser mulher, apanhar por ser mulher, chorar por ser mulher, ser humilhada por ser mulher; mas, na verdade, o pior de tudo é ser submissa e estar a mercê de um misógino, seja esse ator homem ou mulher, e não ter como se livrar da sua situação, ter que esconder, seja com mentiras ou com maquiagem, a marca da violência que você sofre por uma condição que você não escolheu.

Anônimo disse...

Nossa que coisa mais estúpida essa camiseta que incentiva homens a estuprar mulheres depois de estarem bêbadas, isso é nojento demais, é covarde, é criminoso.

E essa apresentadora também viu, toda metida a ''barbie'' ensinando maquiagem para esconder violência doméstica. Que bom que o programa já se retratou.

Leonardo Vieira disse...

Nossa quanta frescura, e so camisetas e uma coluna de moda, sabe se não gostam das camisetas não comprem hora e a coluna de modas fala de moda, ela criticou as roupas e não o físico, pois a jornalista e paga para falar sobre tendência e roupas mais usadas em cada estação, e que não gosta de segui-las e so ignorar.

Sobre o comercial de tv acredito que a intenção tenha sido mostrar como se apaga um hematoma, pois eu acredito que nenhuma mulher queira andar por ai com o rosto vermelho ou roxo, não e tutorial de tv que faz um homem agredir uma mulher, e sim sua má criação e covardia.


So uma coisa a autora desse blog e casada? nossa realmente tem homem para tudo nesse mundo.

lola aronovich disse...

Publiquei o comentário do Leonardo pra ele celebrar seu último comentário aqui neste blog. De agora em diante, vai pro lixo.
Já sabia que o cara era troll, mas não imaginava tanta ignorância. A interpretação do cara é que a gente tá criticando o tutorial de maquiagem porque isso faria homens agredirem as esposas...
Adeus, Leo. Vc não será lembrado.

Ezco Musaos disse...

Caramba, Lola. Esse troll até era "divertido" no início, mas agora perdeu a graça mesmo. Tchau, querido!

Anônimo disse...

ótimo lola, manda esse mascu pra pqp, agora só falta liberar os comentários, pq comentar de pouquinho em pouquinho é dose demais

vamos lá lolaaaaaaaa

Anônimo disse...

De onde vc tirou que alguém tem liberdade ou direito de criticar ou debochar outra pessoa, mesmo deixando a pessoa sob anonimato? De onde vc tirou isso?? Isso é muito estúpido!!!

Anônimo disse...

Ela é casada sim, e se não fosse, eu queria casar com ela!

Ótimo post Lolaaa

Anônimo disse...

Que show de horrores dessa loja virtual, dessa tal ''colunista de moda'', desse programa de tv marroquino e tbm desse mascutroll ''leonardo'' que felizmente vai embora definitivamente, tchau querido!

Anônimo disse...

Finalmente o fracassado do leonardo foi chutado de vez, que alegria.

Anônimo disse...

Acho que o mascutroll leonardo inconformado pode criar um novo fake para continuar vomitando lixo aqui.

Anônimo disse...

A Lola é muito bem casada leonardo seu mascuzinho, já vc como todo mascu vai continuar nessa sua vidinha isolado e rejeitado porque todo mundo tem nojo de mascu.

Anônimo disse...

Já que o anon pediu vou comentar o julgamento da Elise Matsunaga vou fazer alguns comentários.
O que mais me marcou na época do crime foi que os investigadores duvidaram que ela tinha agido sozinha. Aparentemente uma mulher não seria capaz de desmembrar um homem com tanta perfeição e carregar o corpo sem ajuda. Até nisso duvidam das nossas capacidades.
Espero que ela pegue uma pena bem leve.

Anônimo disse...

As mulheres tem muitas capacidades sim, mas ter capacidade para ser psicopata não é motivo de orgulho para ninguém e é muito triste usar feminismo para defender o indefensável.

Anônimo disse...

A mulher é RESPONSÁVEL pelos seus atos.

Num é porque bebeu e foi pra cama e já é estupro.
Salvo em raras exceções, quando botam algo pra dormir, sei lá.

VOCÊ, MULHER, É RESPONSÁVEL POR VOCÊ. VCS NÃO SÃO PRINCESINHAS INOCENTES.

Se beber e transar é estupro, OS HOMENS QUE BEBEM SÃO ESTUPRADOS TODO DIA POR GAROTAS DE PROGRAMA.

Então mais coerência (acho que tou pedindo demais)

Anônimo disse...

Não acho que seja por isso não,anon do comentário acima.Penso que os investigadores acreditam ser mil vezes uma atrocidade dessas ser cometida por omi do que por mulher.É como se isso fosse estúpido demais pra uma fêmea cometer.Somos mais, Baby!

fernanda melo disse...

Lola você viu a reportagem do fantástico sobre pensão alimentícia? Colocou os homens como coitados e questionou como eles vão pagar pensão presos? Mas não disse que eles evitam vínculo empregatício formal so pra não ter a pensão do filho descontada na Folha de pagamento. Não disse que eles mudam de endereço constantemente pra fugir do oficial de justiça. Não disse que eles passam os bens para o nome de terceiros para alegar pobreza. E colocou as mães como as maldosas que não pensam nos filhos

Anônimo disse...

Comentário monstruoso como o crime. Lamentável.

Marcia disse...

Sobre a Elize, vou ser 'polêmica' e adotar uma tese feminista liberal para defesa: ela não cometeu homicídio, mas sim legítima defesa.

Entretanto, certamente, ela será condenada. Homens criaram o código penal, e por milênios, literalmente, homens fizeram e aplicaram as leis da legítima defesa. Ou seja, normalizaram como defesa exclusivamente os termos que permitiam a um homem se defender uma agressão, que geralmente acontece no espaço público, entre homens que não são da mesma família. Não há na construção da legitima defesa no ocidente o ponto de partida da violência doméstica, que é a principal forma pela qual as mulheres se envolvem em situações de vida e morte. Aquilo que é supostamente técnica e direito neutro, no fundo, é a universalização de comportamentos sociais mais frequentemente masculinos.

Nós estivemos fora do espaço político que faz as leis por tantos séculos, que nossa vivência e formas de sofrer não são politica e juridicamente relevantes. E, mais, toda o sistema de controle sobre a feminilidade pune com mais rigor qualquer mulher que se 'atreva' a infringir a lei.

Se o direito fosse neutro e imparcial em relações as mulheres, cometer um homicídio contra o marido não seria agravante por motivo torpe, seria, no mínimo atenuante, se a agressora provar o cenário de violência doméstica (que envolve violência física e psicológica). Mas o direito não é neutro. Um homem pode matar outro homem para se defender, e não será punido. Um mulher ameaçada pelo marido, em situação de violência doméstica indireta, se matá-lo, receberá punição exemplar com pena agravada.

Anônimo disse...

Certamente os investigadores do caso nunca assistiram a Nekronantik II!
Não dou razão a Elise como não dou razão a qualquer outro ser humano que tem a coragem de agredir a outro psicológica ou fisicamente. No entanto, imaginem como o casamento deve ser difícil, tanto para ela quanto para o marido, para ela se prestar ao papel de assassiná-lo.

titia disse...

Leonardo Vieira enfim não poluirá mais o blog! Só um minuto que eu vou abrir o champanhe e soltar o som que a 19:23 recomendou e que é perfeito pra homenagear a despedida do Leozinho.



Ok, voltei. 19:54 precisamos mesmo ensinar as mulheres a mandar um foda-se pros machistas e babacas. Vamos todas juntas sair por ai espalhando o "foda-se" pelo mundo.

Cão do Mato disse...

O conceito de legítima defesa parte de um pressuposto de proporcionalidade. Ninguém (nem mesmo um "homem opressor que fez as leis para benefício próprio") pode alegar legítima defesa se, ao "se defender", deu 50 tiros na outra pessoa. Elise Matsunaga é um monstro. Premeditou o crime e o cometeu com requintes de crueldade. Se estivéssemos num país sério, passaria o resto da vida na cadeia ou seria condenada à morte.

Anônimo disse...

a) A rivalidade entre mulheres é incentivada pelo machismo que é passado em novelas e filmes.

b) O machismo imbecil está escondido nesta piada

Marcia disse...

Cão do Mato, por quê é proporcionalidade, e não medo ou sentido de ameaça? O que está dentro do conceito de proporcionalidade? E os juristas precisam levar mais a sério a capacidade de abstração. Nem todo mal precisa de consciência expressa para ser realizado. Muito da opressão que as mulheres sofrem, veja só, é feita na melhor das boas intenções das instituições.

Elise matou o marido com um tiro, e um apenas. Despedaçou o corpo (e sim, eu também acho tudo isso terrível, mas não estou convencida de que ela teve prazer sádico com o ato) para ocultar o crime, confessou quando pressionada. Não vejo, nem de perto, esse monstro que tantos pintam.

Com relação a busca pela terceira pessoa, o promotor a faz por que há evidências de um terceiro dna masculino na cena do crime. Ou foi contaminação dos investigadores, ou pode ser mesmo que exista uma terceira pessoa. E, veja só: a monstra da Elise não o denunciou. Por que?

Anônimo disse...

(Viviane)
Marcia, quando eu vi que a promotoria defende as qualificações de "meio cruel" e "motivo torpe", eu também pensei imediatamente no machismo. Obs.: sou leiga em Direito, vou falar apenas uma opinião.
Como qualificar como "meio cruel" se o homem morreu na hora e foi esquartejado depois de morto?
Pior ainda, só é "motivo torpe" por ser uma mulher. Quantos homens matam pelo mesmo motivo e não recebem esse agravante?
Mas discordo de você sobre a legítima defesa. O crime pode não ter sido premeditado, mas a frieza dela em ocultar o corpo, e fazer tudo aquilo com uma filha bebê dentro de casa, me deixa com dúvidas. Enfim, ainda bem que não sou jurada desse caso!

Anônimo disse...

Aqui vc se auto contradiz.no caso tem de pagar após 😉

Anônimo disse...

Tudo nesse comentário é grosseiramente equivocado. A começar pelo fato de que são os homens, e nao as mulheres, que recebem penas mais elevadas, estatisticamente. No mais, a legítima defesa é um instituto jurídico que permite o uso da força para fazer cessar violência atual ou iminente. Um homicídio meticulosamente planejado jamais poderia enquadrar-se como legítima defesa, precisamente porque não se contrapõe a qualquer ato imediato ou iminente de violência e, por conseguinte, não se presta a repelir agressão alguma. A condenação de Elize não envolve, portanto, uma suposta exclusão arbitrária de certas formas específicas de autodefesa da legislação penal, mas sim a incompatibilidade conceitual da própria conduta da homicida com o termo "defesa", que por definição exige uma agressão inicial a ser repelida. Isso deveria ser óbvio a qualquer um com o mínimo de capacidade analítica. Por fim, a mera existência de vínculo matrimonial entre autor e vítima não constitui qualificadora do crime de homicídio.

Anônimo disse...

Corrigindo: a existência de vínculo matrimonial não constintui "motivação torpe", mas agravante genérica, aplicável a ambos os sexos. No caso de Elize, o motivo torpe se deu e razão do assassinatô ter sido motivado pelo seguro de vida da vítima, do qual a homicida era beneficiária. Por fim, a prova de eventuais agressões do marido configuraria sim circunstância atenuante da pena, mas nada disso jamais foi provado no caso de Elize.

Anônimo disse...

Leia a denúncia. Ele ainda estava vivo no momento em que foi decapitado. O motivo torpe, por sua vez, era a intenção de receber o seguro de vida do marido, somado aos bens dos quais a filha era herdeira e a genitora, enquanto detentora da guarda, desfrutaria. Por fim, o crime foi sim premeditado, e inúmeras circunstâncias demonstraram isso. Cito, como exemplo, a aquisição de cano reserva para a arma que foi empregada no crime, o que possibilitou a troca da respectiva peça do armamento e dificultou a perícia.

Anônimo disse...

Fernanda melo, e depois desse drama todo a maior pensão que vi na reportagem era 200 reais.

Anônimo disse...

Gezuz, esse post todo é um momento "que ano é hoje?"
ver que ainda tem gente que vive de falar merda da roupa alheia, piada que só o seu tio babaca acha engraçada (e ver que tem gente que ainda acredita na ladainha do "é só uma piada"), e sem comentário pra maquiagem, tem que estar com a cabeça muito fundo na merda pra achar isso ok.

Anônimo disse...

A promotoria defende que ele ainda tava vivo quando ela começou a esquarteja-lo. A defesa diz que não.

Anônimo disse...

Se a mulher beber tanto ao ponto de não poder consentir, é ESTUPRO! Nada que vc falar vai mudar isso.

girlane martins disse...

Olá Lola. Adorei o texto. Senti falta de comentar sobre a GORDOFOBIA..Quando acompanhava esse tipo de folhetim na adolescência sempre observava que as colunistas atacavam a vestimenta das mulheres gordas como forma de dizer á nós: se for gorda, redobre sua atenção nas roupas e esconda seu corpo o máximo que conseguir...
Muito triste, não tá fácil não.. Me identifiquei quando você falou no NORDESTE, porque já assisti especialista de moda comentando: 'No nordeste, as mulheres tem um gosto de se vestir peculiar, se são gordas ou magras, vestem roupas apertadas e curtinhas". Num completo preconceito xenofóbico, querem julgar tudo diferente do padrão sulista do Brasil, esse é o padrão elegante de ser mulher, ...ridículo.

Edu Sergio disse...

Omen. Kkkkk

Anônimo disse...

Eu adooooro ver uma mulher "fora do padrão " que usa as mesmas roupas que as que" estao dentro "hoje mesmo vi uma gordinha, tipo eu,com um micro short,camisetinha mostrando o braço mocotó.Ela entrou no buzu com uma segurança singular. Sambou na cara do conservadores, hipócritas e misoginos. Meu troféu pra ela.Amei.O Empoderamento estava estampado na atitude dela.Show.Cada dia mais vai ter mulheres de todos os tipos e estilo sambando na cara da society.


Anônimo disse...

01:26, vou confiar que você fez o comentário na boa fé. Então, eu também já pensei "noooossa, que absurdo, quer dizer então que mulher pode falar que foi estupro só pq bebeu e resolveu transar?". Até que fiquei sabendo de casos que o cara forçava a transa quando a moça tava DESMAIADA de embriaguez. Não o alegrinha "vou mandar mensagem pro grupo do trabalho". Mas claramente sem condição NENHUMA de consentir. E nesses casos é sim estupro de vulnerável.

Anônimo disse...

Ahhh sim!!! Li alguém aí em cima falar daquele monstro, a Elise Matsunaga!!

Afinal de contas, né, o marido dela não ficava jogando na cara dela que ela era prostituta né? Ele não falava que era o homem da casa e deixava claro quem mandava ali, né??

Bater nela?? Jamais!!!!!! Ele a considerava um anjinho na terra!! Amantes? Não, ele jamais teria uma amante e muito menos trocaria a Elise por outra mulher!!! Fidelidade ao extremo!!!

Arranjar outra e deixá-la na rua mesmo com ela ter ajudado com tudo no casamento???? Isso está fora de cogitação!!!!

Hipocrisia mandou lembranças!!

Anônimo disse...

Se fosse uma camisa misandrica, mascus como você diriam que é obra das feministas que querem exterminar os homens.
Sai daqui, mascu!
Vai chupar um pênis que você tá precisando ficar "bem comido"

Marcia disse...

Anônimo das 12:17, capacidade analítica eu tenho. Tanto que disse que não há na atual dese da legítima defesa forma de defender Elise, e esse é o machismo da questão. Você só confirma minha tese ao dizer que as ações delas não se enquadram na legítima defesa como a entendemos. Não vi no seu argumento fundamentação contra os argumentos da especificidade dos homicídios entre homem e mulheres na relação conjugal.

É o problema do direito moderno, ele é patriarcal. Tomou como neutro a perspectiva masculina do mundo, perspectiva que tem na sua essência a dominação do feminino pelo masculino.

No mais, li a acusação e li sobre os argumentos da defesa. Para a defesa, baseado em laudo posterior ao primeiro, do próprio IML, o marido já estava morto quando seu corpo foi despedaçado. Isso será provado no julgamento. Não sabemos a verdade ainda, e acho que tampouco a saberemos... mas o juri irá se pronunciar sobre o caso.

Viviane, seu argumento é coerente com o que entendemos como legítima defesa hoje. Meu ponto todo é que só temos esse entendimento por que ele é o clássico conceito construído por homens, para julgar homicídio feito por homens contra homens. Se a diferença de sexo ou gênero importa, esse conceito só conta meia história sobre a legítima defesa.

Mas aqui, pelo menos, podemos achar o que quisermos achar. Obrigada pelo comentário! estou estudando essa crítica feminista ao direito penal agora, gostei de testar os argumentos por aqui.

Anônimo disse...

(Viviane)
Fico feliz em poder ajudar, Marcia!
Sobre a hipótese de que o crime foi para receber seguro de vida e bens, como apontou o anônimo, acho pouco crível, já que, além de ser legalmente casada e ter uma filha em comum, Elize tinha provas do adultério - ela havia contratado um detetive para segui-lo. Bastava pedir o divórcio, o qual, ainda que fosse litigioso, provavelmente seria decidido a favor dela. Ela pode ter matado por legítima defesa ou vingança, mas por dinheiro eu não creio.

Anônimo disse...

Não duvido que você tenha capacidade analítica, mas há certa confusão nesse seu argumento. Vejamos: você pretende que um conceito seja aplicável a situações que são com ele conceitualmente incompatíveis, isto é, que contradizem própria definição do termo envolvido, e culpa o patriarcado pelo alcance supostamente restrito das definições em análise. A meu ver, seria como pretender que os termos "homicídio consumado" se aplicassem a condutas criminosas que não envolvem morte, e culpar o patriarcado por não reconhecer "outras formas de homicídio", ou ainda, por "restringir a definição de homicídio para contemplar somente as violências sofridas pelos homens". Percebe a inconsistência desse tipo de crítica? Ela parte de uma falta de rigor na análise dos conceitos.

O que você chama de "atual tese da legítima defesa" é tão somente um desdobramento da própria definição do termo "defesa", que pressupõe uma agressão a ser repelida. O emprego da força que não sirva para tal propósito será no máximo uma vingança (supondo que Elize tenha em algum momento sido violentada pelo marido), e o Estado não reconhece a vingança como uma forma legítima de autotutela.

Me parece que essa sua crítica não dinstigue com clareza os conceitos de "defesa" e "vingança", e por esse motivo reputa que o último deveria ser abarcado pelo primeiro. Empregando as definições apropriadas, o que você está a defender na realidade é que o Estado deveria reconhecer a vingança em favor das mulheres como forma legítima de autotutela. Acho questionável.

No mais, homens também praticam atos de vingança, de modo que não me parece ser correta essa sua crença no sentido de que tais atos constituam formas de autotutela tipicamente femininas.