sexta-feira, 9 de junho de 2017

MULHERES SÃO CONSUMISTAS?

A Tania me enviou este email:

Primeiramente, admiro muito o seu trabalho e acompanho o seu blog. Tenho uma filha de 3 anos e depois que a minha filha nasceu, abri ainda mais os meus olhos para as questões de gênero, afinal, quero educá-la de uma forma diferente da educação que eu recebi. Sou grata a você por escrever informações tão valiosas para nós.
Tenho um blog materno onde abordo muitas questões polêmicas e escrevi um post sobre consumismo infantil. Lendo sobre o assunto na internet me deparei  com um post antigo em outro blog que me deixou indignada, ao ponto de fazer um comentário.
Sei que você já escreveu sobre o assunto, mas nunca é demais lembrar que as mulheres são vítimas da publicidade.
Dizer que as mulheres são consumidoras compulsivas em potencial é uma afirmação um tanto quanto simplista e  preconceituosa. Dizer que a mulher é consumista por natureza é um pensamento ultrapassado que faz parte do senso comum. A publicidade estuda o comportamento humano e detecta as motivações que levam uma pessoa a consumir. Isso é muito injusto para nós consumidores, que na correria do dia a dia, nem sempre prestamos atenção ao que nos motiva a fazer uma coisa.  As estatísticas mostram que as mulheres consomem mais, porém, esses são dados quantitativos.
Se formos analisar os dados qualitativos, poderemos compreender melhor que as decisões de compra das famílias são delegadas às mulheres, porque são elas que administram os gastos familiares. As mulheres assumem muitos papeis e muitas vezes enfrentam uma jornada dupla, trabalhando e cuidando da família, por isso consomem produtos para elas mesmas e para toda a família.
Velhos clichês sobre
mulheres (e depressão)
Para a maioria dos homens, o único papel que lhes é delegado é o de provedor, e às vezes este nem sequer precisa se preocupar em administrar o seu salário, deixando essa tarefa para a esposa.
Para o mercado, a criança é um consumidor em formação, que exerce forte influência nas decisões de compra da família. A criança ainda é imatura pra compreender as relações de consumo, por isso mesmo é o 'alvo' mais fácil e sofre um verdadeiro bombardeio publicitário. A maioria das mulheres passa muito mais tempo com os filhos do que os homens e acabam sofrendo as consequências desse bombardeio publicitário. Além de racionalizar suas decisões de compra, ainda lhes é atribuída a responsabilidade da educação dos filhos. No meu ver essa é uma carga pesada demais para carregar.
O problema do consumismo é mais grave e profundo do que se imagina e em muitos casos foge ao controle dos próprios consumidores. Na maioria das vezes se transfere a responsabilidade para os cidadãos, sem considerar que todos nós somos assediados pela publicidade em todos os ambientes que frequentamos, inclusive dentro de nossas próprias casas. Pode-se dizer que esse é um problema de ordem ética, econômica e social. 

Meus comentários: Concordo com o que você escreveu. Mas, de fato, grande parte das mulheres (e dos homens, óbvio) é consumista. Como já dizia Germaine Greer nos anos 70, nós mulheres devemos deixar de ser as maiores patrocinadoras do capitalismo.
O capitalismo depende das compras das mulheres, e depende também de vender a ideia de que somos consumidoras descontroladas, dessas que se veem em comédias românticas quando alguma loja de sapatos faz liquidação. Sabe, uma moça batendo na outra pra disputar quem fica com o último par de sapatos de salto alto com potencial para deformar seus pés? Não tenho certeza de que na vida real isso existe -- pelo menos não com a frequência que a mídia quer nos fazer crer. E também não sei se isso é exclusividade feminina. Qualquer loja com promoção de forçar pessoas a fazer fila na entrada sabe que os homens tampouco são comportados nessas horas. 
Todos nós humanos somos alvos da propaganda, e estamos sujeitos a sua influência (lógico que enganar e manipular crianças é muito mais fácil). O capitalismo sobrevive transformando produtos que não precisamos em coisas que não podemos viver sem. Cria uma necessidade imaginária para vender de tudo. E, com as mulheres, a propaganda ensina que existe um padrão de beleza, que estamos longe dele (porque é um padrão excludente e inatingível), mas que não há problema -- se a gente gastar muito, conseguirá se enquadrar, ou pelo menos morrerá tentando.
Portanto, a mídia ensina que nós mulheres devemos nos odiar, odiar nossos corpos, nossa aparência, e que seremos odiadas por quem mais importa numa sociedade patriarcal -- os homens -- por não estarmos no padrão desejado. É tudo mentira. Primeiro que dane-se o que os homens acham dos corpos das mulheres. Dane-se não conquistar um homem. Segundo que a esmagadora maioria das mulheres (e homens) no mundo está fora do padrão que a mídia vende, e nem por isso deixa de transar, namorar, casar. É só sair às ruas para ver que pouquíssimos casais parecem pertencer aos comerciais. O que se vê é uma gigantesca diversidade.
O capitalismo sempre está a serviço do patriarcado, e vice versa. Por exemplo: com o fim da Segunda Guerra, os países ricos precisavam mandar de volta a suas casas as mulheres que tinham trabalhado (e gostado) durante a guerra. E, mais ainda: precisavam fazê-las consumir sem parar, para sustentar os EUA, uma potência que só crescia. Para tanto, a mídia passou a veicular a ideia de que uma mulher realizada era aquela que tinha marido e filhos e cuidava do lar com esmero, sempre com a ajuda de eletrodomésticos. A propaganda valorizava imagens de donas de casa que posavam, orgulhosas, ao lado de seus fogões novinhos, geladeiras e máquinas de lavar. Elas estavam sendo patriotas ao comprar aqueles produtos (e também a casa própria). 
Não foi muito diferente em 2001, quando os EUA foram atacados em casa. Qual foi o pedido de Bush Jr. aos americanos (tanto homens quanto mulheres) em seguida ao 11 de setembro? Foi: COMPREM. 
Mudando só um pouquinho de assunto, esses dias ando revoltada porque a televisão da minha mãe, que tinha menos de quatro anos, quebrou. Eu sou da época que TV durava a vida toda, ou pelo menos algumas décadas, pô! Levamos ao conserto e o técnico disse que não valia a pena consertar, que ficaria caro demais, que o negócio era comprar outra e se conformar que hoje as TVs duram três anos em média. 
Três anos?! Como que um trambolho daqueles pode durar tão pouco?! Imaginem os depósitos de lixo que estamos criando: TVs cada vez maiores com prazo de validade cada vez menor.
Fui a uma loja de departamento e compartilhei minha indignação com um vendedor muito sábio que me alertou que não eram só as TVs, não -- que hoje todos os eletros duravam três anos. E ele lembrou que não fazia tanto tempo que algumas marcas vendiam aparelhos com garantia de uma Copa do Mundo para a outra (ou seja, quatro anos!). Isso tudo acabou, disse ele.
Olha, sei que isso tem nome -- obsolescência programada, ou obsolescência planejada, que é justamente fazer produtos que durem pouco para que sejam descartados logo e o consumidor precise comprar outro (recomendo o documentário espanhol Comprar, Tirar, Comprar). Mas gente, três anos?! Que droga é essa? Eu não quero trocar de computador, TV, fogão, a cada três anos, catzo! É caro, é inútil, e causa danos irreversíveis ao meio ambiente. Como permitimos que produtos considerados duráveis durem tão pouco? E quando chegamos a essa loucura dos três anos?
Fugi um pouco do tema, eu sei. A questão é que o capitalismo vende produtos diferentes para homens provarem sua (frágil) masculinidade e para mulheres se alienarem na sua dita feminilidade. Estamos cada vez mais mergulhados no gendered marketing, ou marketing de gênero (brinquedos, por exemplo, estão muito mais divididos por gênero hoje do que há 50 anos). Lançam produtos quase idênticos pintados de rosa (lembram da caneta Bic For Her? Porque mulher aparentemente não pode usar uma caneta comum), vendidos como essenciais pras mulheres. E, pra piorar, esses produtos destinados a nós costumam custar muito mais
Eu faço o possível pra não ser enganada. Pro capitalismo pegar meu dinheiro, tem que suar muito. Mas não sou uma eremita. Também gasto. Só não caio nos golpes que insistem que tenho que comprar aquilo porque sou mulher e mulher não vive sem isso. Eu vivo sem um monte de coisa, até sem celular. E definitivamente sobrevivo bem sem maquiagem e salto alto. 

53 comentários:

Anônimo disse...

Muito bacana e bem escrito o post.


Mas queria saber da sua opinião a respeito das mulheres feministas que criticam os homens desconstruídos. Muitas afirmam que têm de sustentar os namorados que só querem saber de videogame. Outros pagam de revolucionários, mas não colocam um puto dentro de casa.


Se o homem é ambicioso, ele é criticado. Quando não é, sofre críticas também....

Anônimo disse...

só mais outra invenção masculina non-sense sobre as mulheres

Anônimo disse...

o capitalismo tem seus defeitos e o estado existe pra podar esses males do mercado

Anônimo disse...

Geralmente são os caras de humanas hahaha, zoeira! Mas é questão de ser uma pessoa seletiva, se já aceita o cara assim...

Anônimo disse...

"Mas queria saber da sua opinião a respeito das mulheres feministas que criticam os homens desconstruídos. Muitas afirmam que têm de sustentar os namorados que só querem saber de videogame. Outros pagam de revolucionários, mas não colocam um puto dentro de casa."

Meu filho, ser descontruído e ser vagabundo não são a mesma coisa.

Anônimo disse...

O poder é todo nosso. Só caímos no consumismo quando nos permitimos isso. Eu tenho coisas muito melhores para fazer com o meu dinheiro do que gastar com maquiagem.

Meu computador tem 15 anos de idade e meu notebook tem 11. E fazem tudo o que eu preciso.

Nunca tive mais do que dois pares de tênis e só tenho um par de calçados para situações especiais (casamentos, festas de fim de ano, etc).

Anônimo disse...

A mulher deve pagar metade do jantar, metade do cinema, metade do motel, etc. Afinal ela não está aproveitando o encontro também? Pq a parte ruim fica só com o homem?

Anônimo disse...

"A mulher deve pagar metade do jantar, metade do cinema, metade do motel, etc. Afinal ela não está aproveitando o encontro também? Pq a parte ruim fica só com o homem?"

Porque homem é burro e adora contar vantagem.

É como o marido que reclama para os amigos que a esposa gasta demais. Na realidade, isso quer dizer que ele tem dinheiro para que ela gaste. É o famoso humblebragging.

Anônimo disse...

Meu filho, ser descontruído e ser vagabundo não são a mesma coisa.

Ri tanto que espirrei água no computador

Anônimo disse...

Infelizmente, nas culturas monogâmicas, também espera-se que o homem pague presentes. Muitos índios devem trazer carne de caça para as pretendentes. Algumas índias mães solteiras oferecem sexo em troca de alimentos mais saborosos.







Anônimo disse...

como o marido que reclama para os amigos que a esposa gasta demais. Na realidade, isso quer dizer que ele tem dinheiro para que ela gaste. É o famoso humblebragging.

Nunca tinha pensado nisso mas faz todo sentido do mundo, é bem por aí, uma forma do cara exaltar a própria capacidade econômica fazendo bonitinho na frente dos outros primatas

Anônimo disse...

Muitas mulheres pobres, moradoras de comunidades têm de sustentar os filhos e o marido cachaceiro. Esses pudins de cachaça se acham modernos pois "deixam" a mulher trabalhar e ficam chapando o dia todo.

Até posam de liberais quando elas têm sexo fora de casa pois tÊm medo de perder a bebida grátis.

Anônimo disse...

Ninguém diz que ser desconstruído é ser vagabundo.

Mas alguns malandrinhos posam de machos feministas para ficar na jogatina em casa. Enquanto isso a mulher rala no emprego, anda de ônibus cheio, vive mal para sustentar criança de 30 anos.

Uns caras não querem ter protagonismo em casa e usam como arma para ficar na vida mansa.

Anônimo disse...

Tenho nada contra o capitalismo (sério, podem confiscar minha carteirinha) mas na minha vida há muito que tomo decisões de consumo mais conscientes por necessidade mesmo, já que comecei a trabalhar com 13 anos de idade.

Sou uma mulher bastante alta e tenho dificuldade em comprar roupa no Brasil. Sem alternativa, teria que me conformar em usar não o que gosto mas o que serve em mim nessas lojas de fast-fashion, que as roupas são uma porcaria, tudo fruto de trabalho escravo, que se detonam na primeira lavada. Até meus 20 anos foi assim, porque não tinha alternativa, até que inventei de aprender a costurar. No fim, fiz curso de alfaiataria também e sou eu quem faz todas minhas roupas, desde as do dia-a-dia até terninho pra trabalhar, até calcinha e soutien sei fazer.

Com os mesmos sessenta reais de pano vagabundo semitransparente que eu gastaria comprando uma "brusinha" na Marisa faço umas 4 blusinhas show de bola que cabem lindamente no meu corpo, na cor, modelo e tecido que eu quiser. Gente, é muita independência, vocês não imaginam a liberdade que é querer uma roupa, ir lá e simplesmente fazer. Sábado tenho um casamento pra ir, adivinha quem fez a roupinha do zero em uma semana? Euuuuuuu! E não cheguei a gastar 100 reais nela (os panos são baratos, vestido e forro mas comprei uns cristaizinhos pra enfeitar que no fim saíram mais caros que os tecidos que usei).

Máquina de costura básica, que já serve pra um monte de coisas, não é cara, os materiais não são caros, curso de corte e costura tem em qualquer esquina, aprender modelagem é a coisa mais fácil do mundo se você costura só para seu próprio gosto e você se sente livre demais não dependendo da boa vontade de modelistas coreanos que acham que qualquer coisa acima de 44 é plus size e metem o pau no preço sem entregar qualidade nenhuma.

E de quebra você ainda pode ganhar uma profissão bacana que te permite trabalhar em casa. Não é meu caso, tenho uma carreira e só costuro para mim mas se um dia a coisa apertar já tenho pra onde correr sem ninguém precisar me dar emprego.

Empoderamento é liberdade e dimdim no bolso, o resto é conversa.

Anônimo disse...

Mas vc tem razão. A mulher tem que dividir as contas, assim como o homem deve dividir a criação dos filhos e tarefas domésticas.

Anônimo disse...

Ótimo texto, me fez refletir sobre muitas coisas. Nós somos influenciados sim, mas ainda temos o poder de modificar esse esquema através de nossas atitudes. Por isso tomar consciência é o primeiro passo.

Anônimo disse...

Caramba! Que timing perfeito! Estava pensando sobre isso esses dias! Quero trocar o meu celular (ele já não atende mais as minhas necessidades) e por isso estou pesquisando um novo modelo. A cada dia tem um novo modelo, todo o ano as empresas tem a obrigação de lançar um modelo novo e já nem sei de onde vão tirar novidades pq o mercado já está ficando saturado. E nisso fico me perguntando se há realmente a necessidade de trocar de celular todo o ano, de ter sempre a última novidade. E sinto tb que há uma questão de ego e complexo de inferioridade envolvidos nisso. As pessoas precisam comprar para mostrar que podem. Karine

Julianatsume disse...

Cada vez mais acredito que ~ o homem desconstruído~ é a versão da esquerda do ~ homem de bem ~

Julianatsume disse...

Cada vez mais acredito que ~ o homem desconstruído~ é a versão da esquerda do ~ homem de bem ~

Anônimo disse...

Para a anon de 14:27

Melhor é o casal nem ter filhos, assim serão menos gastos e menos problemas. Crianças choram, enchem o saco, são chatas, bagunçam a casa.

Um casal que divida as contas vive melhor do que outro em que somente uma pessoa traz dinheiro.

No caso do poliamorismo, se 3 pessoas dividirem o aluguel sobra muito mais grana.

O problema é ter filho pois criança é destruidor de dinheiro.

Anônimo disse...

Muito cara desconstruído gosta de posar de moderno e crítico do capitalismo. Ficam fumando maconha o dia inteiro e se preparando para a Revolução pelo facebook.

Enquanto isso, a mulher tem de trabalhar muito para poder sustentar a maconha do marido malandro....

Anônimo disse...

O que aconteceu? Os comentários estão fazendo sentido.

Eu tinha escrito:

"Para a maioria dos homens, o único papel que lhes é delegado é o de provedor"

E morreu.

Tchau Tania.

Mas após mais de vinte comentários ela ainda está viva. Incrível!

Anônimo disse...

A ceerveja "grátis" é tão boa que muitos machistas se desconstroem e bebem de "graça" Às custas do trabalho da mulher.

O Capitalismo mudou o comportamento de muitos homens. Antes eram dominadores, hoje muitos são viciados em cerveja e videogames. Tendo essas duas coisas, apoiam todo o sonho da mulher feminista, desde que ela banque a casa.

Vemos homens levando filhos para passear na pŕaça, vemos homens apoiando a mulher sair com as amigas. Mas na verdade, os malandros gostam mais de dinheiro fácil do que de machismo.

Anônimo disse...

Infelizmente muitas mulheres são inimigas do Feminismo por terem vantagens na sociedade capitalista. Elas recebem presentes, são sustentadas, ganham carros. Algumas enchem o bolso mesmo. Por isso aceitam o machismo. Tudo por conta do dinheiro.

Anônimo disse...

A sociedade só ama mesmo o dinheiro.

Muito homem se diz , mas se puder ser sustentado pela mulher aceita receber ordens na boa. Tudo para ganhar dinheiro mole.

Muita mulher aceita levar chifre para não perder a vida de conforto. Algumas odeiam trabalhar.

A cada dia o dinheiro comanda o ser humano.

Anônimo disse...

Se eu conhecer uma mulher que me banque eu apoio o Feminismo, kkkkkk

Trabalhar é uma merda, se as mulheres vão chifrar, pelo menos que me deixem ter um conforto. Tô nem ae

Alan Silva disse...

Gente agora mesmo um muleque de uns 10, 12 anos baixou as calças e segurando o bigulim na frente de uma mulher, falando "é disso que você gosta né vagabunda sua puta, você gosta de rola né, chupa sua vagabunda" eu dei um grito no muleque e umas pessoas me criticaram falando que ele é somente uma criança e não sabe o que está fazendo.
Gente eu estou revoltado com isso, deste pequeno eu sempre fui ensinado a respeitar as mulheres, e ver isso me deixa p/da vida.
ORGULHO DE SER DE EXTREMA DIREITA MILITARISTA CONSERVADORA

Anônimo disse...

Esses muleques nem tÊm educação, os pais são uns frouxos, uns bananas.

Não tenho filho para não baixar a porrada, minha irmã era uma peste, meu pai um otário que apoiava-a, a desgraçada.

Minha era fanática por perfeição, achava que devia ser certinha. Eu fiquei com medo da vida, com medo do mundo, com medo de virar boiola, com medo de amar.


Minha família foi uma desgraça, mas agora meu pai tá velho e tá com medo de morrer sozinho, eu só falo sobre casa e dinheiro pois meu pai é burraldo.


Nem tenho amigos pois sou meio perfeccionista como minha mãe, acho que todo mundo deve ser perfeito.

Reclamo do trabalho, mas enrolo para cacete. E ainda me acham bom trabalhador.

Anônimo disse...

Fugindo do assunto do tópico, mas igualmente importante, gostaria de saber a opinião de todxs com relação esse caso que tende se tornar muito mais frequente... estaria a ideologia de gênero engolindo a luta feminista ? A pauta de uma luta engolindo a pauta de uma outra ?

http://usatodayhss.com/2017/connecticut-transgender-sprinter-andraya-yearwood-wins-two-state-titles-amidst-controversy


"Para (quase) todos os efeitos, Amadi Yearwood é um garoto de 15 anos. Mas, por se identificar como uma garota (e adotar o nome de Andraya), ele foi autorizado a competir na categoria feminina em um torneio escolar estadual em Connecticut, nos Estados Unidos. Em sua primeira competição na nova categoria, em abril, acabou vencendo as oponentes com facilidade nos 100 e 200 metros rasos.

Em Connecticut, as leis antidiscriminação fazem menção à “identidade ou expressão de gênero”, o que torna difícil às escolas evitar situações como essa. A regra permite que Andraya, que passou a se identificar como garota há cerca de um ano, participe de competições contra meninas. Antes de iniciar o Ensino Médio, Andraya competia no time masculino.

Andraya ainda não iniciou o tratamento hormonal e não passou por qualquer intervenção cirúrgica. Biologicamente, ele não difere de outros garotos de quinze anos. E garotos costumam correr mais rápido do que garotas. De acordo com estudos comparativos, homens têm de 30% a 50% mais capacidade física do que as mulheres."

"as verdadeiras meninas da corrida foram tão pressionadas ao silêncio e à submissão que temiam até mesmo expressar seu desagrado em relação à concorrência sendo descaradamente manipulada contra elas. Kate Hall, a estudante que tirou o segundo lugar, mas de fato ficou em primeiro lugar, chorou e confessou estar “frustrada”, mas depois acrescentou: “É assim que é agora”. “Eu realmente não posso dizer o que eu quero dizer, mas não há muito o que eu possa fazer sobre isso”, ela murmurou abatida"

Anônimo disse...

Descobri que tenho um probleminha na coluna, mas isso me abalou pois descobri que não era perfeito.

Viajei na maionese achando que seria o maior fera nenem.


Gosto do blog pois posso falar com gente antirracista. Nos outros blogs está cheio de bolsominions malditos.

Não tenho amigos, fico direto no computador, quero desligar , mas nem tenho lido nada, só navego na web.

Anônimo disse...

16:09 - parabéns judite butler, vc tá feliz?

e se a gente expor ou criticar isso estaremos sendo "transfóbicas"

leis antidiscriminação servem pra proibir apenas a discriminação, não pra proteger "gêneros" inexistentes, o pior é q por causa de uma merda dessas toda a luta legítima das feministas, dos gays e das lésbicas passam a ser descredibilizadas, q nojo

o transativismo é um verdadeiro cavalo de troia, e infelizmente a maioria dos "progressistas" (tipo a dona desse blog) compram essa ideologia sem pestanejar, é triste

parabéns judite butler, vc tá feliz?

Anônimo disse...

(Viviane)
Anon 13h54, adorei a ideia de costurar as próprias roupas. Embora eu não saiba, sou de uma família de costureiras e aprendi com elas como avaliar a qualidade e o preço das roupas. Também pode ser uma forma de geração de renda.

titia disse...

Quando precisei comprar uma calça jeans, fiquei chocada de ver os preços. Calça feminina a mais barata era 90 reais em lojas do centro, comércio modesto. Calça masculina era 40, 50 e eu só pensando "esses sujeitos acham mesmo que só por ser mulher eu sou trouxa de dar 100 paus numa calça jeans?". Cara, gastei muito a sola dos sapatos pra enfim achar uma calça feminina com um preço decente (40). Ou seja, além de toda a manipulação, propaganda, obsolência planejada e obrigação de consumir pra toda a família, os produtos destinados às mulheres ainda são mais caros - sem necessariamente compensar em qualidade. E quem tem tempo pra ficar batendo perna e fazendo pesquisa pra achar produtos melhores ou mais baratos quando precisa trabalhar, cuidar de filho (e de marido bebê várias vezes), de casa, fazer supermercado, pagar contas, etc.? Ah, meu amigo, dizer que mulher é "naturalmente consumista" assim é muito fácil!

Anônimo disse...

Sim. E quanto mais você cuida bem das suas coisas, mais a durabilidade delas.

Anônimo disse...

Várias tribos indígenas não são monogâmicas, na verdade só a minoria delas o são. E os homens precisam oferecer o que eles têm sim, é a biologia, pássaros mostram qual tem as melhores penas os cervos quais tem os melhores chifres e os humanos quais são os mais sarados entre outras características vantajosas para a fêmea.

Anônimo disse...

"Meu filho, ser desconstruído e ser vagabundo não são a mesma coisa" - Véi, essa foi fantástica ;-D

Sobre divisão de contas - Sim, contas devem ser divididas assim como a pilha de louça e a fralda cheia de m**** do moleque.

Sobre o texto - bem interessante.
Não vou mentir . ADORO fazer compras! Mas sou financeiramente responsável e faço de tudo para consumir de forma responsável também. Não ligo se não tenho o último celular/tablet/tv/whatever - compro um novo quando o velho estragou e não tem mais reparo. Acho mega perigoso para o meio ambiente esse consumismo desenfreados, que esgota recursos essenciais e gera uma quantidade imensa de lixo.
Consumo responsável deveria ser uma bandeira de todo cidadão.

Sobre propaganda e a influência dela - hmmm... acho controverso
É sim uma arma poderosa, mexe sim com a nossa cabeça - comigo por exemplo, eu sou mega insegura com meu corpo e me sinto pior quando quando vejo aquelas mulheres photoshopadas sem nenhuma manchinha ou gordurinha. Morro de vontade de fazer cirurgia cosmética (confisquem minha carteirinha e me queimem), mas não me considero um zumbi sem cérebro que vai atrás de qualquer coisa e gasta o que não tem pra comprar o último creme anti-idade.

Colocar a culpa da falta de controle sobre a própria vida nas propagandas é delegar a culpa e fugir das responsabilidades.

Outra opinião que vai me levar para a fogueira - o capitalismo ganha muito com a semiescravidão da mulher, mas não é nem de perto o pior problema que enfrentamos. Nem a sua queda significa o fim do machismo e da exploração feminina.

Jane Doe

Anônimo disse...

18:20 FODA-SE vc e a sua pseudo-ciência

Maria N. disse...

Eu não sou muito consumista, geralmente consigo guardar mais de 50% do meu salário todos os meses. Compro roupas uma vez ao ano, não compro maquiagem e faço meu próprio desodorante (com apenas 4 ingredientes!). Quero aprender a fazer outros produtos de higiene/beleza e também produtos de limpeza = menos plástico e lixo no mundo, também menos dinheiro financiando essas indústrias e propagandas que só querem me fazer sentir mal comigo mesma para gastar ainda mais. Resisto gastando o mínimo possível e investindo o que sobra.

Anônimo disse...

Eu tbm sobre o trabalho

M.M

Anônimo disse...

É anon 16:09 infelizmente isso vai ser a regra de agora em diante, e não como sempre temos que ficar caladinhas.... assim como esse caso, há algum tempo existiu o caso da levantadora de peso trans, que copiarei um trecho da matéria... Como iremos competir fisicamente como mulheres que biologicamente são homens ?. realmente é uma arapuca na qual nós caímos lindamente... o que fazer agora ?

"A atleta Laurel Hubbard, que é uma mulher transgênera de 39 anos, venceu a competição no dia 20 a competição de levantamento de peso feminino na Australian International, em Melborune. Ela representou a Nova Zelândia.

Ao levantar 268kg, ela quebrou quatro recordes nacionais no processo. E ficou 19kg acima da segunda colocada, a medalhista Iuniarra Sipaia, de Samoa. Anteriormente, a australiana Kaitlyn Fassina conquistou a medalha de bronze com 223kg.

Várias atletas discordaram da decisão e disseram que ela teria vantagens e que o resultado não é justo. Tanto que a atleta cis Tracey Lumbrechs, que anteriormente levou medalha de bronze nos Jogos da Commonwealth, caiu para uma classe de peso mais baixo para evitar a competição. "

Anônimo disse...

E dps só a esquerda escreve fanfic...

Anônimo disse...

"Outra opinião que vai me levar para a fogueira - o capitalismo ganha muito com a semiescravidão da mulher, mas não é nem de perto o pior problema que enfrentamos. Nem a sua queda significa o fim do machismo e da exploração feminina. "

Entendo o que você quer dizer Jane Doe. Os problemas são muito complexos e acaba que a único empoderamento que funciona e se adequa a realidade de mundo e século em que vivemos é de trabalhar e gerar renda de alguma forma, o que condiz com o mundo capitalista.

Mandy disse...

Ontem comprei um sutiã, "apenas" 40 reais. É roubo demais! Eu n saio por ai comprando tudo q vejo pela frente, celular por ex, só compro outro quando quebra.

Aprendet a costurar é uma ótima ideia, principalmente pra quem ta gorda como eu, ai q metem a mão mesmo, tudo custa os olhos da cara.

Anônimo disse...

Homens sempre nos fazendo calar a boca e nos ferrando,seja homem ou mulher trans. Absurdo mulheres trans disputarem qualquer coisa fisicamente com mulheres, são mais fortes, é óbvio q vão ganhar.
Vão sempre vencer e se gabar de suas habilidades, roubalheira!

Anônimo disse...

''Gente agora mesmo um muleque de uns 10, 12 anos baixou as calças e segurando o bigulim na frente de uma mulher, falando "é disso que você gosta né vagabunda sua puta, você gosta de rola né, chupa sua vagabunda" eu dei um grito no muleque e umas pessoas me criticaram falando que ele é somente uma criança e não sabe o que está fazendo.
Gente eu estou revoltado com isso, deste pequeno eu sempre fui ensinado a respeitar as mulheres, e ver isso me deixa p/da vida.
ORGULHO DE SER DE EXTREMA DIREITA MILITARISTA CONSERVADORA''

Mais um humorista involuntário.

Anônimo disse...

Essas pessoas (homens ou mulheres) que mantem relacionamentos por intere$$e no fundo trabalham muito duro sim. Pois é duro estar com alguém que não gosta por dinheiro, ter relações sexuais com essa pessoa então, que nojo! Para mim, um dos piores trabalhos que existe nesse mundo é dormir com alguém que não gosta por dinheiro e ainda se sujeitar as limitações que o/a provedor/a impõe.

Anônimo disse...

Fiquei com vontade de aprender isso. Eu tenho muuuito peito, as blusas e camisas ou ficam ridículas torando no peito (já passei vergonha com botão estourando) ou eu preciso comprar tamanho maior e daí ficam largas. Tô cansada de dar dinheiro pra essas lojas de roupa vagabunda e preço abusivo e não ter uma roupa que caia perfeitamente.

Bella Soares disse...

Cada post que eu leio é só pra me dar vontade de imprimir e colar na testa pro mundo todo ver e eu me lembrar do que tá ali cada vez que olhar no espelho.

Anônimo disse...

Gordinha que costura aqui! Faço côro com a anônima que aprendeu a fazer roupas para si mesma, fui por esse mesmo caminho e por motivos bem parecidos. Marisa, Renner, C&A, tudo roupa porcaria feito por gente em condições análogas à escravidão, vive aparecendo matéria sobre isso na mídia mas as pessoas continuam comprando e especialmente as linhas plus size são de uma qualidade gritantemente inferior, roupa descartável basicamente. Não cheguei a fazer um curso propriamente dito, herdei uma Singer da minha mãe, comprei uns panos, umas revistas e comecei a fazer. As primeiras vezes obviamente que não ficaram maravilhosas mas você vai pegando o jeito. Modelagem plus size é complicada porque não tem um corpo plus igual ao outro mas existe revista disso, baratinho, compra em banca de jornal. Tá cheio de vídeo no Youtube ensinando também. Com 3 metros de pano você faz coisa que até Deus duvida e por um quinto do valor comprado em loja e foi uma coisa que você fez, do seu gosto, pro seu corpo, na sua medida, ninguém precisou ficar 16 horas trancado em um porão em condições sub-humanas pra você comprar aquela roupa que vai desmanchar depois de algumas lavadas. Fora que dá uma satisfação muito grande você ver o resultado do que fez, saber que foi você quem fez e até ganhar um dinheiro com isso vendendo para pessoas que passam pelo mesmíssimo problema. Fazer roupa é como fazer uma atividade qualquer, uma hora por dia, uma hora e meia por dia, você vai ficando cada vez melhor e as coisas saem mais facilmente em menor tempo. Não é difícil não. Manda bala, mulherada!

Anônimo disse...

Só pra completar, vamos supor que você é daquela que gosta mesmo de um tipo de blusa. Gosto muito de blusa com manga até o cotovelo e transpassada, modelo envelope, valoriza tremendamente o corpo das gordinhas. Depois que você cria o seu modelo, recorta tudo bonitinho no papel e guarda, acabou! Essa é a parte mais difícil. De resto, é como se você estivesse fazendo sempre a mesma blusa todas as vezes e uma hora você começa a ficar boa nisso. Você vai pegando as manhas. Muda um detalhe aqui e ali, usa tecidos que sobraram de roupas passadas, bota um enfeite, um botãozinho, uma gola, quando você vê aquele mesmo modelinho de blusa serviu para muitas outras e sem ficar com cara que tá repetindo roupa (pra quem liga). Mais livre que isso só quando a gente anda pelada em casa.

donadio disse...

Olha, pode haver exceções, mas... geralmente o imbecil que fica em casa bebendo ou jogando enquanto a mulher trabalha não é um "desconstruído", é só um machista old style.

Rafael Cherem disse...

Tangente ao tema:O consumo de música ruim é maior entre mulheres.Pq?

Anônimo disse...

Rafael Cherem, com base no que você afirma isso? Por favor, poste a pesquisa com critérios que classifiquem uma música como ruim e a razão de supostamente ser ouvidas pelo público feminino.
Que eu saiba, o mercado musical se segmentado mais por fatores sociais, econômicos e regionais que por gênero (exceto, talvez, o pop). E música "ruim" pode ser algo muito subjetivo. Uma funkeiro pode achar metal uma música ruim; um headbanger geralmente detesta funk. E o mais engraçado é que ambos tem público majoritariamente masculino.
Sua colocação, sem dados e embasamento teórico ou empírico algum, são achista. Elabore mais.