quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SIM, DEIXEM AS CRIANÇAS EM PAZ

Liv assusta reaças

Feliz dia das crianças! Apesar de não ter filhos, eu gosto muito delas. Talvez não tanto como os pastores evangélicos gostam, a ponto de pedirem "moedinhas" pra elas. 
"Intocáveis", obra do cubano Erik
Ravelo sobre ameças a crianças
Reaças, sempre preocupadíssimos com o bem estar das crianças (quem liga pra infância da meninada pobre e negra?), ontem levaram aos trending topics do Twitter a tag #DeixemNossasCriancasEmPaz. Segundo eles, "nossas" crianças correm perigo, não de serem vítimas de balas perdidas ou de morrer de fome, porque isso nem é importante, mas de verem obras pornográficas em museus ou de serem doutrinadas pela "ideologia de gênero", esse terrível fantasma que, se você perguntar pra algum conservador definir, 10 entre 10 não vão conseguir (mas, pelo que li em panfletos, essa ideologia medonha fará seu filho virar menina ou gay -- você decide o que é pior). 
Faz uma semana, a marca Omo lançou um "comunicado urgente para pais e mães", pedindo para "fazerem recall de todas as brincadeiras que reforcem clichês sobre gênero, com o objetivo de ressaltar a importância da experiência e do desenvolvimento das crianças. Meninas podem, sim, se divertir com minicozinha, miniaspirador e mini-lavanderia, mas também podem ter acesso a fantasias de super-heróis, bloquinhos de construção, carrinhos velozes e dinossauros assustadores. E meninos também devem ter toda a liberdade para brincar de casinha, gostar de castelos, trocar fraldas de bonecas e ter uma incrível coleção de panelinhas". A campanha pede aos pais que incentivem "seus filhos a se divertirem sem se preocupar com cores, regras ou padrões". 
Formador de opinião reaça
Este pedido causou enorme indignação a reaças, que deixaram mais de 35 mil comentários no vídeo (algumas dessas pérolas: "Monstros pervertidos", "Omo suja a família", "Ideologia de gênero é puro satanismo", "Omo ensinando seus filhos a serem hOMOsessuais" [sic], "Meu filho vai ter uma incrível coleção de espadas para defender as mulheres e a liberdade, isso sim!"), fizeram campanha para negativar o vídeo e agora estão promovendo boicote à marca.
E ontem foi desferido mais um duro golpe contra a tradicional família brasileira (mas ainda bem que tem o Alexandre Frota para defendê-la!). Uma menina maravilhosa de 5 anos chamada Liv fez um vídeo, "Brinquedos", que já teve mais de 4,7 milhões de visualizações no Facebook. No vídeo, a garota animada e inteligente diz que não existem brinquedos de meninos e brinquedos de meninas -- o que existe são brinquedos de criança, ponto. 
Pra piorar, a mídia esquerdista, que deseja fazer o cidadão de bem engolir goela abaixo a ideologia de gênero, fez uma matéria com Liv (nada mais esquerdista que a Globo, talvez só a Veja). 
Confesso que não tive coragem de ler os comentários. 
Mas por que será que reaças ficam tão enlouquecidos ao ouvirem que crianças devem poder brincar do que quiserem, sem restrições de gênero? É realmente uma mensagem tão revolucionária assim?
Eu nunca me canso de repetir a anedota que escutei numa das minhas palestras. É bem simples: uma escola pública no interior de SP não fazia distinção entre brinquedos. Ficavam todos lá e as crianças podiam escolher à vontade com o que brincar. Um menininho de 6 anos decidiu brincar de boneca, de trocar fraldas, dar papinha. O pai do menino viu a cena e ficou indignado. Perguntou pro filho: "Quequifoi?! Virou gay agora?!"
E o menino, do alto da sua sabedoria, respondeu calmamente: "Não, virei pai". 
Você tem que ser uma pessoa muito ditadora e estúpida para proibir um menino de brincar. E a sua masculinidade deve ser frágil pra caramba se ela pode ser demolida ao ser apresentada a uma boneca.
Eu não peço reflexão a reaças, porque creio que eles já passaram do estágio de qualquer possibilidade de diálogo. Mas me somo ao coro de "Deixem nossas crianças em paz". Deixem que elas sejam livres e não sejam contaminadas pelo discurso de ódio. 

53 comentários:

Anônimo disse...

Mas se o garoto gostar de bonecas e pedir pra mãe usar um vestido da Elza Let it Go, já é pra chamar de Julia e começar a barrar a puberdade com medicamentos.

Concordo. DEIXEM AS CRIANÇAS EM PAZ.

Felipe Roberto Martins disse...

Parabéns Lola - M A R A V I L H O SA - e quem não gostar da coluna de hoje que se dane!!!

escola com partidos disse...

Texto lindo, Lola! Maravilhosa como sempre.

Anônimo disse...

A esquerda tem como foco de luta o fim da família tradicional, pois acredita que seja a família tradicional a raiz da propriedade privada ou seja do capitalismo. Marx e Engels escreveram isto em suas obras. Depois do revisionismo da escola de Frankfurt onde se propõe a revolução cultural via infiltrações e desconstruções, ou seja o velho "vender o veneno na embalagem do remédio" Herbert Marcuse escreveu o livro icônico para a esquerda desconstrutivista "Eros e Civilização" neste livro ele propor que as crianças e adolescentes sejam libertas por assim dizer do que ele chamou de "Lopus grego" ou seja mudar a rezão grega filosófica pela razão hedonista do prazer como ferramenta revolucionaria.E o que Marcuse propõe para esta revolução que visa a desconstrução da famílias tradicional? A erotização das crianças e adolescente.
Bem os adolescentes já vivem em uma sociedade pervertida, basta ver as baixas culturas em que estão inseridos atualmente (Sexualização precoce, gravides adolescente endêmica,letras de Funk e Black music depravadas) agora o alvo deste desconstrutivismo são as crianças.

Anônimo disse...

As crianças nunca estarão protegidas de predadores em nenhum tipo de sociedade patriarcal, seja ela de direita ou de esquerda. Somente o Matriarcado pode efetivamente proteger com sucesso as crianças para que elas estejam totalmente livres de seus predadores, aqueles que arruínam as vidas das mulheres, das crianças e tudo mais que eles tocam, aqueles seres malditos que vocês sabem muito bem quem são.

Anônimo disse...

Lola, sua maravilhosa. Infelizmente os reaças brasileiros enchem o saco com sua falta de inteligência e propagam besteiras virais... Seguimos na luta. Sim, deixem nossas crianças em paz, livres de estereótipos. Abraços e bom feriado!

Anônimo disse...

Não sei se é o teu caso, mas eu li Marx e Engels. De fato, há uma crítica à família em suas obras.
Entretanto, o foco criticado é a maneira com que pais tratavam os filhos, lembrando que, naquela época, crianças trabalhavam muitas horas por dia e eram mão de obra mais barata. Marx e Engels propuseram o fim desse trabalho e o investimento em educação pública, afim de garantir um futuro melhor para elas. Com as mulheres, acontecia parecido. Não possuíam voz e simplesmente obedeciam ao marido. Marx e Engels queriam que elas tivessem mais voz.

Anônimo disse...

Como eu disse; Vender o veneno na embalagem do remédio.

Joana disse...

Vou dividir um pouquinho da minha história com vocês. Tenho apenas um irmão, mais velho que eu. Meu irmão nasceu cego. Totalmente cego, não percebe a luz. Nós colocávamos nossos brinquedos na mesma caixa. Fundamentalistas rasgariam as pregas dizendo ser um absurdo que um garoto cego não tivesse seus brinquedos "de menino" numa caixa separada. Pois não tínhamos e a gente se divertia muito bem assim, compartilhando os brinquedos, bem ao estilo da Liv. Nem brinquedo de menino nem de menina mas de criança. Brincar é saudável e ajuda a formar adultos felizes, criativos, proativos.

Joana disse...

Na boa, pessoa, "família tradicional"? Quem enfiou isso na sua cabeça? Família é família, é o grupo de pessoas onde a sua relação de pertencimento é inquestionável. Se você não tem isso mas tem pai e mãe "de corpo presente", não tem uma família! A única 'tradição' que deveria nortear uma família é o amor. Uma família que se ama acima de todas as coisas, sim, seria um bom modelo de 'família tradicional'. O mundo não é melhor porque o amor não é tradição.

Anônimo disse...

"Não percam tempo atacando tanques e soldados (Luta armada) ataquem(ocupem) as escolas"
Antonio Gramci.

Anônimo disse...

Joana, a família tradicional que citam Marx e Engels não se refere somente aos laços de sentimento, mas como estrutura de núcleo, tanto faz a formação. Na concepção ideológica deles o núcleo familiar se edifica na propriedade privada, casa, poses, herança tudo e baseado no núcleo familiar portanto raiz do capitalismo segundo os mesmos. O que eles pregavam ideologicamente como meio do fim da propriedade privada era sim o fim da família nuclear tradicional, substituída pelo conceito de "camaradagem" ou seja o coletivismo sob batuta do estado socialista/comunista.

donadio disse...

Aqui a família tradicional: http://www.brasilcult.pro.br/saloes/Estampas_Eucalol/familia02.jpg

É isso que essa turba quer de volta.

donadio disse...

"o que Marcuse propõe para esta revolução que visa a desconstrução da famílias tradicional? A erotização das crianças e adolescente."

Você leu Marcuse, ou só o resumão do astrólogo?

Anônimo disse...

Aprendam de uma vez por todas, pessoas tolas, ingênuas, idealistas, sonhadoras românticas, manipuladas ou mentirosas e totalmente desonestas mesmo:

Conceito histórico de família

O termo "família" é derivado do latim famulus, que significa "escravo doméstico". Este termo foi criado na Roma Antiga para designar o grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e à escravidão legalizada.

No direito romano clássico, a "família natural" cresce de importância - esta família é baseada no casamento e no vínculo de sangue. A família "natural" é o agrupamento constituído apenas dos cônjuges e de seus filhos. A família "natural" tem, por base, o casamento e as relações jurídicas dele resultantes, entre os cônjuges, e pais e filhos. Nesta época, predominava uma estrutura familiar patriarcal em que um vasto leque de pessoas se encontrava sob a autoridade do mesmo chefe do sexo masculino.

Rafael Cherem disse...

Olavete detectado.

Rafael Cherem disse...

Sabe ao menos em qual livro ele escreveu isso?

Rafael Cherem disse...

Parece que essas polêmicas são armadas.Mas se pastores e reacas estão preocupados com crianças podem parar de incentivar voto em gente como Eduardo Cunha

Anônimo disse...

A família "tradicional" que você tanto exalta é um veneno mortal vendido como remédio em tudo que é lugar, cara.

Anônimo disse...

São as feministas que não deixam as crianças brincarem e serem o que desejam.

Aqui no Brasil, as feministas atacaram virtualmente, vandalizaram e pixaram a "Escola de Princesas". Um local onde as meninas bricam de serem princesas e sao ensinadas a ter bons modos e higiene.

Charle Coimbra disse...

"Você tem que ser uma pessoa muito ditadora e estúpida para proibir um menino de brincar".
Pode também ter sido educada em um ambiente de divisão de gêneros desde o nascimento. Como esperar que a pessoa, de um dia para o outro pense de forma diferente? Temos que educar as crianças pra que sejam adultos diferentes de seus pais e também procurar, talvez com pouco sucesso, mas é importante tentar, educar os adultos também em relação a que uma sociedade com divisão de gêneros como a atual talvez não seja a melhor possível.

Kasturba disse...

A lógica da "família tradicional": A mãe não deixa o menino encostar na boneca da irmãzinha, porque cuidar de boneca é coisa de menina, mas reclama que o pai não ajuda com os cuidados do bebê, porque achava que cuidar de bebê é coisa de mulher, esse retrógrado.

Anônimo disse...

Primeiramente havia a ideia de que não deveríamos interferir nas escolhas das crianças, o que eu concordo,depois vieram com a ideia de que deveríamos dar bonecas para os os meninos, daqui a pouco vai ser obrigatório.O problema dessas pessoas é que elas se incomodam com meninos tendo comportamento ditos masculinos, como jogar, séries japonesas de monstros, filmes de ação, etc., se o menino é assim a primeira coisa que eles dizem é: precisamos desconstruir, futuro opressor, estereótipo de gênero, etc.
é só lembrar da Taís Araújo incomodada pq sua filha gosta de boneca

Rodrigo Almeida disse...

Não muito tempo atrás, feministas se escandalizavam com a "escola pra princesas", mas tudo bem agora levar seu filho pra um museu e isentiva lo a tocar num homem nu.

Joana disse...

Bons modos e higiene se aprende inclusive dentro das casas mais humildes desde que o mundo é mundo. Se existe uma coisa desnecessária é essa tal escola de ostentação que nada tem a ver com brincadeiras. Levar filhos e filhas para doar brinquedos em orfanatos quase ninguém quer, né? Lá, crianças costumam ter falta de todo e qualquer brinquedo enquanto a reaçada não partilha porque prefere mimizar sobre "aaaaiiiin, brinquedo de menina, aaaaiiiin, brinquedo de menino" em vez de se lembrar que muitas crianças passaram o dia de ontem sem brinquedo algum.

Joana disse...

Pessoa... O que você vem fazer aqui? Quando tiver filha, trabalhe para a Sílvia Abravanel ganhar mais do que você e realize seu sonho de ser princesa através da sua filha.

Joana disse...

Pare o mundo que eu quero descer! Quem se incomoda com meninos sendo meninos? O que incomoda de verdade é menina sendo menina: menina que gosta de artés marciais, de futebol, de séries japonesas de monstros e filmes de ação. O que você descreveu não é um menino típico, pode ser a preferência de qualquer criança. Vírgula, na casa de fundamentalistas não pode, não.

Michele disse...

Nossa que triste essa obra "Intocáveis ", qndo eu penso o quão vulneráveis são as crianças, me parte o coração. O feminismo deve abraçar e muito a causa infantil, pra mim é a única forma de tratar vários problemas na raiz, inclusive o machismo. E não é só a questão de gênero, sou muito a favor tbm da criação sem violência, fico muito triste qndo vejo mães e pais falando com orgulho que batem nos filhos. Me espanta ver mulheres que tbm sao mais vulneraveis à violencia colaborando com esse tipo de coisa, nao enxergam que é um ciclo.
Quanto às questões de gênero ainda é complicado. Confesso que tenho medo de comprar um brinquedo considerado muito feminino e meu filho sofrer bullying. Mas claro que se ele me pedir o tal brinquedo eu dou sem problemas. O que eu tenho feito é focar nos brinquedos educativos e tento não reforçar estereótipos. Fico contente de ver que ele se interessa mais por coisas da natureza do que por carrinho e super herói. Não que gostar de carrinho seja ruim, mas não quero que ele pense que ser homem é SÓ ISSO, essa é a questão. De resto observo os gostos dele, não incentivo e não reprimo nada. A gente tem que deixar a personalidade da criança se manifestar e respeitar seus gostos.

Anônimo disse...

Hahahahah hahahahah!!! Dá-lhe, Joana!!

Anônimo disse...

A sociedade já deixou as crianças brincarem do que quiserem.

Em geral, meninos preferiram carrinhos. E meninas preferiram bonecas.

Mas aí chegarem as feministas e disseram que isso na realidade é opressão patriarcal. Ou seja, as feministas lutam contra a liberdade achando que liberdade é opressão.

titia disse...

O problema é que os sim, os brasileiros médios no geral são estúpidos e totalmente inseguros da própria sexualidade, a tal ponto que se sentem ameaçados por um menino brincar de ser pai com uma boneca. E enquanto chiam sobre uma mãe sem noção ter levado a filha a uma exposição com nudez mas sem nada de sexual envolvido, defendem estupradores, tem peninha de abusadores que esporram em desconhecidas no ônibus e vivem falando em 'comer' novinhas. Esse é o brasileiro médio, infelizmente: estúpido, sexualmente covarde, totalmente mal resolvido com a própria sexualidade, com tendências pedófilas e misógino. A única esperança são as gerações futuras filhas de mães feministas.

E pra mascuzada chiando, sim, a família dita tradicional é uma merda. Não só uma merda, mas um grande e fumegante monumento de merda fermentada estragando a vida de todo mundo ao redor. Digo isso porque sou filha de uma família tradicional, e isso foi uma merda. O dia mais feliz da minha vida foi quando meus pais se separaram e minha família não era mais "tradicional".

Anônimo disse...

O termo FAMÍLIA foi pela primeira vez empregado pelos romanos, para designar uma unidade social onde O CABEÇA GOVERNAVA as mulheres, as crianças e os escravos. Pela lei romana, ele era investido de direitos de vida e morte sobre todos os outros. Famulos significava escravo doméstico, e FAMÍLIA é o número total de ESCRAVOS pertencentes a um homem.

Shulamith Firestone, "A dialética do sexo"

Anônimo disse...

Anon das 16:52: O problema não é meninas escolherem ou preferirem brincar de boneca e meninos de carrinho. Mas isso é preferencia ou imposição? as preferencias só podem ser essas, nunca o contrario?
Claro que tem o direito de escolher e preferir. Mas escolhas e preferencias vão se desenvolvendo ao longo do tempo, da vida né? À medida em que o indivíduo vai crescendo, amadurecendo, sendo exposto a várias opções. Não acho que comprar unicamente roupas rosas e empurrar exclusivamente bonecas, coisas de princesas e panelinhas a um bebê do sexo feminino, que acabou de nascer, a crianças pequenas que não tem senso crítico, seja favorecer "escolha". Isso não é escolha, é imposição, direcionamento (estão escolhendo coisas para aquela criança).
Você não pode falar de "preferencias" e "escolhas" quando o indivíduo tem acesso ou é exposto repetidamente a uma coisa só. E se mais tarde essa menina não quiser brincar de boneca, preferir jogos, carrinhos, miniaturas? Vai poder exercer sua preferencia, escolher, ter o direito de brincar com o que gosta?

Concordo em gênero, numero e grau com a titia sobre o brasileiro médio. Esse pessoal acha que dar armas de brinquedo, estimular jogos violentos etc vai "garantir" que o filho não "seja gay" no futuro. Ou que dar uma boneca a um menino vai fazer com que ele "vire" homossexual ou permitir que uma filha jogue futebol vai fazer com que ela no futuro, sei lá, não queira casar ou "vire homem". Quanta burrice, associam, misturam coisas que não tem nada a ver entre si, não sabem de nada, entende nadam de sexualidade. Sinto um cansaço enorme, ultimamente, inclusive, tenho deixado de falar e conviver com pessoas que ficam repetindo esse tipo de coisa, não tenho paciência mais. Argh!

Paulo Guarnieri disse...

É incrivel como uma crinacinha tem mais sabedoria que a maioria dos adultos na socieade. Criança não nasce burra, torna-se burra. Aprende com a cultura burra em que vivemos.

Anônimo disse...

Que quadro lindo! Senti até saudades aqui! Emocionante! Obrigado!

J.M. disse...

"A sociedade já deixou as crianças brincarem do que quiserem.

Em geral, meninos preferiram carrinhos. E meninas preferiram bonecas."

Não, masCUZÃO, a sociedade não deixou e continua não deixando crianças serem livres para brincar do que quiserem. Esse padrão é imposto antes mesmo do nascimento da criança, na decoração do quarto, na cor das roupas, etc. Que liberdade de escolha é essa, seu lixo? E mais, que parte do

"Meninas podem, sim, se divertir com minicozinha, miniaspirador e mini-lavanderia, mas também podem ter acesso a fantasias de super-heróis, bloquinhos de construção, carrinhos velozes e dinossauros assustadores. E meninos também devem ter toda a liberdade para brincar de casinha, gostar de castelos, trocar fraldas de bonecas e ter uma incrível coleção de panelinhas"

você não entendeu?

Joana disse...

E... E copiar isso aqui mudou a sua vida em alguma coisa ou a de alguém? Quem está preocupado com significados que, na verdade, não significam? É só para dizer que homens mandam? Não serviu nem para gerar lulz. Respire fundo e tente outra vez, pessoa.

Rafael Cherem disse...

Não acho que crianças devam ser expostas a sexo,pedofilia e violência:Afaste-as da bíblia.

Anônimo disse...

Quando eu era criança os brinquedos eram tidos como unissex, exceto bonecas que representavam bebês. Ainda assim, não era incomum ganhar carrinho, arma, Playmobil, o Lego que existia na época mas que tinha outro nome, com milhares de peças de todas as cores e anunciados para meninos e meninas brincarem juntos e sem a menor dúvida não havia esse predomínio absurdo de rosa e lilás em brinquedos, objetos e roupas para meninas. Também era a coisa mais normal do mundo meninos e meninas brincarem juntos de cozinha, casinha, loja e o que desse vontade.

Se vocês procurarem por aí, há uma série de sites com scans de jornais e revistas brasileiras das décadas passadas. Reparem nas propagandas de brinquedos. Meninos e meninas eram retratados juntos, isso tanto em um Pega-Vareta da vida quanto videogame.

Não estou entendendo muito bem esse encaretamento do mundo, sinceramente.

Nice Facundo disse...

Como sempre a direita e sua necessidade de ter ponto de referência pra poder se achar. Sempre precisa se sentir com exclusividade pra poder saber que estão bem. Se 2 mulheres e uma criança se sentirem uma família, a família tradicional se perde e acha que deixou de ser família porque outro modelo também passou a ser família. São tão rasos que pra eles, família é apenas um homem, uma mulher e filhos dentro de uma mesma casa, mesmo que a relação entre eles sejam conturbadas, ainda assim seriam melhores que os outros só porque tinham o modelo padrão.Penso que qualquer dia desses essas pessoas vão andar com roupas do mesmo modelo e cor, porque roupas com modelos e cores diferentes não serão consideradas roupas.

Anônimo disse...

Descobri a origem do seu trauma psicológico, Titia: a separação dos pais. Mais uma prova de que a família tradicional é a base da sociedade e da saúde mental dos filhos.

Anônimo disse...

Parabéns Donadio! Até que enfim vc encontrou uma imagem do Brasil perfeito, onde cada um sabia seu lugar na sociedade e cumpria seu papel sem reclamações e sem a zona que é hj.

Anônimo disse...

Cara, leia novamente o último parágrafo da titia. É o contrário, estupido. Ela diz que a separação dos pais foi a melhor coisa é a família dela deixou de ser "tradicional"

Anônimo disse...

Pois é né Anôn? Que chato, não é mais assim né? Que peninha de você (só que não). Acostume-se ou como dizia minha avó: enfia o dedo no cu e rasga!

titia disse...

Pois é, 01:33, ter uma família tradicional foi extremamente traumático pra mim. Mas felizmente meus pais se separaram e aqui estou eu! Trabalhando, fazendo cursos de aperfeiçoamento profissional, planejando o mestrado, aprendendo com o blog da Lola, sempre tentando melhorar, saindo e me divertindo nas horas vagas. Se minha família ainda fosse tradicional eu poderia estar como você: faculdade eternamente trancada, sem emprego, ganhando mesada, chorando pra mamãe comprar o novo iPhone, não saindo de casa nem pra comprar um pão, passando o tempo todo na internet acompanhando obsessivamente blogs que eu odeio e stalkeando gente de quem eu não gosto, olha só o horror! Família tradicional nunca mais. Dá merda na cabeça. Cria mascus.

titia disse...

01:36 só não esqueça que, se o Brasil ainda fosse como naquela época, você estaria trabalhando de sol a sol sem pagamento, jogado numa senzala pra dormir feito animal e levando chicotada no tronco. Aí, essa parte podemos trazer de volta: a mascuzada fez merda a gente manda eles pro tronco.

Anônimo disse...

Titia como e sua relação com seu pai?

titia disse...

Minha relação com meu pai é boa, anon. Depois de uns 20 anos ele finalmente entendeu que eu não era bibelô, era gente, e passou a me respeitar como tal. Aliás, não só a mim quanto aos meus irmãos. A partir daí reconstruímos nosso relacionamento e hoje nós nos damos bem, nos respeitamos, eu o amo e ele me ama, nos desentendemos de vez em quando - o que é perfeitamente normal, já que pessoas são diferentes - e nessa vamos levando.

A relação do meu pai com meus irmãos - uma moça e um rapaz - também melhorou um bocado quando ele entendeu que os filhos eram gente, não brinquedo pra ele brincar de casinha. Minha irmã vivia brigando com ele, batendo boca, os dois nunca se entendiam e hoje eles são muito amigos. Meu irmão morria de medo dele quando era criança, nem mesmo dirigia a palavra ao pai se ele não falasse primeiro, quando meus pais se separaram meu irmão o evitava a todo custo e hoje ele mora com o pai.

E meu pai só mudou desse jeito porque ele e minha mãe se separaram e ele viu que os filhos ficaram felizes com a separação, não deprimidos. Que nós três desabrochamos, ficamos melhor emocional e psicologicamente quando ele se afastou. Ou seja, a família tradicional foi uma merda pra ele também. Por querer fazer o papel de "pai" de família tradicional ele foi uma merda de pai, incapaz de construir uma relação de afeto e confiança com os filhos, passou décadas sofrendo porque não o amávamos (dica: quando você é um babaca violento que enche seu filho de tapas por qualquer coisa e o trata como lixo, tenha certeza que ele não te ama) e queríamos distância dele a todo custo. Ele passou um dia dos pais sozinho porque os filhos morriam de medo dele. Se não fosse essa merda de família tradicional, com papai sendo o provedor feitor de escravos que pode praticar violência física e psicológica com os filhos à vontade e chamar de "autoridade de pai", ele não teria que passar a maior parte da vida sofrendo por ser incapaz de fazer os filhos amarem-no.

Ou seja, mascu: família tradicional é uma merda pra todo mundo, até mesmo pro amo e senhor papai. Quer dizer, se papai for um ser humano normal que quer construir laços afetivos com os filhos, não um machista de merda que só quer espalhar DNA por aí como os mascus comentando aqui (e ainda bem que eles não conseguem sequer trepar). Família tradicional é apenas a receita do patriarcado pra que todo mundo seja infeliz e tente compensar a infelicidade emocional comprando um monte de porcarias que se estragam em três meses pra que os otários tenham que comprar outras. A separação dos meus pais, o fim da nossa 'família tradicional' foi a melhor coisa que poderia ter acontecido pra todos nós, pra mim, meus irmãos, minha mãe e inclusive pro meu pai. Todos nós, inclusive o meu pai, ficamos muito mais equilibrados e felizes depois de romper com esse modelinho ridículo e tóxico de família.

Portanto, mascuzada, peguem sua noção de família, sua moral e seus bons costumes e os enfiem no meio do rabo. Com areia e com as cortesias do meu pai, conservador, religioso, casado pela segunda vez, que alegremente abriu mão de todos os privilégios patriarcais pra se tornar um bom pai pros filhos e um bom padrasto pro enteado, e que não abre mão da boa relação com a gente por nada. Chupem essa manga com caroço, engasguem e chorem.

Anônimo disse...

Boa, titia!! Certeira como sempre!!

Anônimo disse...

Eu e minha irmã somos bem próximos em idade, sou cerca de um ano e meio mais novo do que ela. Brincávamos com os mesmos brinquedos. Eu gostava de bonecas, de casinhas, de desenhar roupas..., e ela gostava de carrinhos e de dinossauros e era melhor do que eu em atividades que envolviam velocidade ou força física. Não gostava de bonecos de luta, por não me identificar comportamental nem fisicamente com o estereótipo. Também nunca gostei de figuras salvadoras, portanto, de super-heróis. Morávamos em uma vila militar e eu, que não tinha amigos, brincava na rua com as amigas da minha irmã, me relacionava melhor com elas do que com os outros meninos. Sofri um baita preconceito por causa disso, aonde eu fosse os meninos me insultavam com palavras que eu não sabia o que significavam (relacionadas à homossexualidade). Alguns pais orientavam os seus filhos a não ter contato comigo, e eu cheguei a ser agredido fisicamente algumas vezes.

Anônimo disse...

anonimo das 00:46, isso é mais comum que vc imagina.
também passei por coisa parecida na infância.

Anônimo disse...

Parei de ler quando disse que não viu, nem veria o filme, uma atitude que se assemelha à daqueles que não viram a exposição do Mam e partiram para o ataque e para o boicote, mais por causa do buzz que da obra (ou das obras) em si. Esquerda, direita, todos se equivalem na ignorância quando o assunto é arte. De qualquer tipo...

titia disse...

Obrigada 21:04. A História já provou que esse negócio de família 'tradicional' não funciona, o problema é que ninguém quer dar o braço a torcer e procurar um modelo mais saudável.